26 / junho / 2009 - 8:24
Crente Vaga-lume
Os riscos de querer ser luz
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Se tem uma coisa que me chama a atenção, é o “vaga-lume”, o inseto me fascina! Gosto de pescar à noite e fico impressionado com aqueles pontinhos luminosos circulando de um lado para o outro num balé perfeito, quanto mais escuro, mais ele emite luz, e como brilham! Já desde criança que esse bichinho me deixa boquiaberto… Ele tem luz própria!(?) Suas emissões luminosas devem-se a uma substância que ao entrar em contato com o ambiente é oxidada e produz uma molécula energizada que, por sua vez, produz a luz. Na minha ingenuidade pensava que ele tinha algum motorzinho, bateria, sei lá… Algo desse tipo. Não sou Biólogo, gosto de apreciar coisas bonitas, por isto não vou arriscar nas explicações sobre o fenômeno, não é essa a minha intenção. Segundo especialistas, um problema que ameaça os “vaga-lumes” é a iluminação artificial, que por ser mais forte, anula a “bioluminescência”, podendo interferir diretamente no processo de reprodução da espécie que podem sofrer perigo de extinção
Vou me deter no fato de sua luminosidade ser “intermitente”, para mostrar que existem hoje muitas pessoas que se sentem e comportam-se como “vaga-lumes”, elas pensam que têm luz própria. Se acham um brilho só, fazem de tudo para aparecerem no meio onde estão. Na religião então a coisa fica muito evidente, tem “pirilampo em guerra” por um lugar no espaço onde estão.
Não é uma crítica, longe disto, mas um alerta. Muitas vezes somos tentados a pensar que temos “luz própria”, e o resultado é sempre desesperador. Eu mesmo já me entreguei a esta tentação, e como fui tolo! Hoje, vigio a cada instante para que eu não caia nesta armadilha. Pensar que nosso “conhecimento”, ou “capacidades” dadas por Deus são um fim em si mesmas é terrível. Enganamos a nós mesmo, já que a Deus é impossível! A Bíblia nos diz: “A soberba precede a ruína, e a altivez de espírito, a queda” – Provérbios 16.18.
Os “vaga-lumes” são lindos, mas gostam do escuro, lá eles mostram a sua beleza, mas na “claridade” da luz do dia eles sequer são notados. A questão é que andar no escuro é sempre “perigoso”. Lembro-me do meu amigo Noé Pinto de Morais, um excelente companheiro de pescaria, gente de primeira. Estávamos em meio a um matagal que margeava o ribeirão no qual pescávamos e ele se distanciou do resto do grupo. Era noite “escura” e fria do mês de julho e o sereno cobria toda a plantação. Gritamos para ele orientando sobre o perigo, pois ele não conhecia o local. Ao tentar reencontrar o grupo ele se perdeu e quando assustou estava “mergulhado” no córrego gritando agarrado a uma moita de capim. Molhado até o pescoço, sem as suas tralhas de pesca, mas segurando firmemente na mão a sua “lanterna” que piscava intermitentemente! Era uma boa lanterna, mas ele desconhecia as “armadilhas” da região e as curva acentuadas do leito do ribeirão. Como era um caminho não explorado anteriormente, ele saiu pulando por várias pedras, troncos e cercas, sem ter a “noção exata” do que fazia. Para ele aquilo era uma coisa normal, mal sabia dos perigos que o cercavam.
Chegamos ao acampamento, dormimos, e no dia seguinte, por curiosidade, resolvemos ver por onde realmente ele tinha andado. Foi tenebroso perceber que ele pulou precipícios sem saber… isso mesmo, “precipícios”! Saltou de uma pedra para outra onde não havia “fundo” e tivesse escorregado ali, certamente não estaria vendo a sua “aventura” naquela noite. Rimos bastante da comicidade da cena inusitada. A luz que Ele carregava não o livrou de uma situação perigosa.
O problema foi pensar que ele tinha nas mãos um instrumento que não emitia luminosidade continua, que dependia de uma fonte energizada, que também estava sujeito a intempéries. Ele pensou que poderia andar só com a ajuda da lanterna, uma luz localizada e de facho direcionado que o indicasse no caminho. Mas ele desconhecia a trilha a ser tomada para não cair em embaraços na sua pescaria e por esta razão ele acabou colocando em “risco a sua própria vida”. O seu acidente de percurso poderia ter estragado o lazer do grupo além de colocar os colegas diante de uma situação que com certeza envolveria uma investigação policial.
O conceito Bíblico de “acharmos” que temos luz própria esbarra nas Escrituras que diz: “…caso a luz que em ti há sejam “trevas”, que grandes trevas serão!” – Mateus 6.23. “Pois outrora, éreis trevas, porém agora, sois luz “NO SENHOR”; andai como filhos da luz” – Efésios 5.8. Vivemos a era da “achologia” com crente querendo mostrar o seu brilho artificial de qualquer maneira e em qualquer lugar, mal sabem lês que estão em perigo eminente de tombarem ao longo da jornada.
Querer ter luz própria é uma das maiores tentações dos nossos dias. Cristãos sinceros têm sido “iludidos” por Satanás com essa idéia. Ele tem doado “lanternas superficiais” e tem muita gente aceitando com naturalidade tais doações. Somos filhos da luz, diz a Bíblia, mas não somos a fonte de luz. Muitos interpretam o “vós sois a luz do mundo” como se quisesse dizer que possuímos em nós mesmos luz suficiente para iluminar o mundo. Não! Não temos! Brilharemos como “reflexo” daquele que é verdadeiramente a Luz do mundo, aquele em quem não há treva alguma, em quem não há nem sombra de variação ou mudança. Refletimos a “luz de Cristo”, até porque somos humanos e a artificialidade de nossa vida é um obstáculo claro na nossa relação com Deus.
Muitas vezes nossas aptidões ou nossa competência nos fazem pensar que somos “muito importantes” ou até mesmo “imprescindíveis” na obra de Deus. Pensamos que somos insubstituíveis! Ledo engano! Deus é Deus, ele é a luz, e não divide sua glória com ninguém. Querer tomar para si a glória que pertence somente a Deus é “tolice”, é coisa de criança. E como tem crianças “birrentas” em nossas igrejas insistindo que são “brilhantes”. Não vale a pena ser pego lutando contra Deus, sairemos perdendo sempre.
Como crentes em Jesus Cristos, precisamos nos cuidar para que não sejamos apanhados com a síndrome de “vaga-lume”, a idéia de que temos luz própria que não condiz com as Escrituras. Vaga-lumes são vaga-lumes, homens são homens. Não queira ser assim, gente que quer brilhar sozinha, com luz própria, negando assim a fonte de luz que é o Deus todo poderoso. Temos que brilhar sim, mas como espelhos, e espelhos limpos. “E assim, brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI QUE ESTÁ NO CÉU” – Mateus 5.16.
“Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai”
João 12:35
por Carlos Roberto Martins de Souza













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