17 / fevereiro / 2012 - 0:49
Judeus messiânicos ou “cristãos fora da lei”?
Em Gálatas 3.1 o apóstolo Paulo diz: “(…) Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi...
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Em Gálatas 3.1 o apóstolo Paulo diz:
“(…) Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado? (…)”
A palavra fascinação tem alguns sinônimos interessantes: Tirar a atenção, encantar, apaixonar, enfeitiçar, etc…
O termo sinônimo “Enfeitiçar” cabe muito bem para a verdadeira tradução no contexto histórico da epístola aos Gálatas. Lembremo-nos que esta carta foi redigida por Paulo para corrigir um grave erro que estava acontecendo na igreja de lá. Alguns judeus que haviam recebido a Cristo Jesus como salvador ensinavam que, embora crentes na Nova Aliança, não deveriam deixar a obediência à Lei e deveriam continuar cumprindo todos os ritos e rituais que o Antigo Pacto determinava.
Não é por acaso que esta epístola é classificada como a “Epístola da Liberdade Cristã”. Paulo compara o Antigo Pacto como Hagar, a escrava que teve um filho com Abraão fora dos propósitos e promessa do Senhor; o Novo pacto é equiparado a Sara, a esposa, livre e que estava dentro dos propósitos de Jeová. Esta epístola foi escrita para libertar de vez os crentes de toda e qualquer fascinação ou feitiço doutrinário que procure levá-lo novamente à vida de submissão à Lei de Moisés.
Por algum motivo os Judaizantes (Judeus convertidos) estavam, como que por terrorismo psicológico, trazendo uma interpretação distorcida para os irmãos gentios (convertidos não judeus) afirmando que deveriam cumprir todos os cerimoniais, dietas, observação de festas, dias e anos conforme determinado na Torà (Livro da Lei Judaica).
Sem que percebessem os irmãos foram enfeitiçados, a voltar à Lei, o que Jesus nunca ensinou. A fascinação foi tão envolvente que até Barnabé dissimulou (dissiular= acobertar, fingir, silenciar, calar e proteger) [Talvez Barnabé tenha silenciado por falta de argumentação]
“(…) E os outros judeus também dissimularam com ele, de modo que até [Barnabé] se deixou levar pela sua dissimulação.(…)”
Principais determinações dos judaizantes de Gálatas:
1) Circuncisão – (ato de retirada da pele excedente na extremidade do pênis)
Paulo refuta, dizendo que : “(…) Mas nem mesmo Tito, que estava comigo, embora sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; e isto por causa dos falsos irmãos intrusos, os quais furtivamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos escravizar; (…)” Gl 2.3 “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor.” Gl 5.6
“(…) Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura.(…)” Gl 6.15
2) Guarda da Lei para ser salvo (justificação pelas obras da Lei)
Paulo ensina que: “(…) De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão. Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque: O justo viverá da fé; ora, a lei não é da fé, mas: O que fizer estas coisas, por elas viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que aos gentios viesse a bênção de Abraão em Jesus Cristo, a fim de que nós recebêssemos pela fé a promessa do Espírito. (…)” Gl 3.9-14
Se uma pessoa é justificada pelas obras da Lei por que Jesus Cristo morreu? Sua morte, sepultamento e ressurreição são as verdades essenciais do evangelho.
Todo aquele que quer combinar a Lei com a Graça está trilhando por um caminho que afronta o próprio Evangelho, é uma mistura “Impossível”. Voltar à Lei significa “anular” a Graça de Deus.
A epístola aos Colossenses é uma carta apologética aos ataque gnósticos à igreja, mas no capítulo 2.20-23 Paulo aproveita o espaço para também corrigir uma vez mais o grotesco erro doutrinário dos Crentes Judeus com respeito às observâncias das dietas, lugares sagrados, guarda de dias especiais tais como sábados, luas novas, etc…
“(…) Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.(…)” [Grifo meu]
Outra questão que os messiânicos levantam como seu “Cavalo de Batalha” é a malfadada interpretação do “Shabbat (sábado). Em Mc 2.27 Jesus diz: “ (…) E prosseguiu: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.(…)”, em outras palavras, Jesus estava dizendo que muito antes de o sábado existir o homem já existia, e o Senhor, então, no final da criação, no sexto dia descansa, dando um exemplo que existe uma necessidade de repouso, no caso, o sétimo dia. Perceba que a palavra “Shabbat” significa descanso e não o sétimo dia da semana. Sacralizar (tornar sagrado) o sétimo dia da semana é completa falta de bom senso hermenêutico. O “Shabbat” (descanso) só existe porque existe alguém que precisa descansar. O Homem pode perfeitamente existir sem o descanso, o “Shabbat”, mas não existe descanso , “Shabbat”, sem aquele que descansa.
Concluímos, então, que Cristo Jesus nos livrou de todo o jugo da Lei e ordenanças humanas.
Com todo respeito aos Judaizantes do século XXI, que aplicam as ordenanças e cerimoniais da Lei judaicas na Igreja completamente fora de contexto, que trombeteiam “Shoffar” em suas reuniões, amaldiçoando os que não incorrem no mesmo erro, deixo-vos a seguinte conclusão:
Quanto mais firmados na Lei, mais ilegais e escravos nos tornamos diante do Senhor.
Quanto mais servos de Jesus e desconectados da Lei mais livre a Graça nos torna.
Simples assim!












5 comentários
Pr.Armando
Responderlendo seu artigo, há alguns pontos que não concordo com o irmão.
Em primeiro lugar, o irmão afirma que é impossível “misturar” lei e graça. O problema aqui é que há uma má interpretação da carta paulina. Quando o Apóstolo se refere ao jugo da lei, ele aqui não se refere a Torah (ou Pentateuco) como preferir, mas ele se refere ao legalismo que foi o jugo imposto pelos religiosos. Legalismo e Lei são duas coisas totalmente diferentes. O próprio Jesus afirma que ele não veio revogar a Lei (Torah) mas veio para cumpri-la. Se for assim, o decálogo deve ser desprezado também em nome da graça e a “liberdade” que a mesma traz. Já que a Lei foi anulada, e com ela os Dez Mandamentos, estamos livres para agirmos da forma que acharmos mas adequada. O que é incoerente para mim nessa história toda é que o próprio Jesus disse, que quem olhasse para uma mulher com intenção impura já estava adulterando com ela. Isso não parece uma revogação da Lei, mas uma ampliação. O adultério agora não era somente o ato em si, mas o pensamento adúltero já é adultério. Em termos de peso, o que era mais pesado? As coisas não podem ser vista dessa maneira simplista.
Creio que devemos estudar mais profundamente esse assunto, antes de anularmos todo o Antigo Testamento, e só o usarmos quando nos convém, como no caso de Malaquias 3. O interessante é que o dízimo era uma prática imposta pela Lei, mas hoje ainda continua valendo… Qual é o critério para avaliarmos o que é e o que não é válido para nós, que estamos debaixo da graça? Não quero nem discutir aqui a questão de que Salvação é só por meio de Jesus, é óbvio que Lei não salva e nem nunca salvou. Não sou Judia Messiânica, sou cristã e pertenço a uma igreja cristã, então não estou aqui defendendo ideais, embora tenha amigos judeus messiânicos que nunca defenderam salvação pela Lei e nem nunca impuseram aos gentios de sua congregação qualquer prática judaica, sendo as mesmas restritas à comunidade judaica.
Fico à disposição do irmão!
Em Cristo, nosso Único Salvador,
Claudia
Não é pecado seguir a lei, assim como não é pecado não seguir a lei! O erro está em colocar uma doutrina acima das demais, e isso vale para os dois lados. Se eles querem seguir a lei, que sigam com amor e fé em Cristo, se não queremos seguir a lei, não sigamos, mas tenhamos amor em Cristo!
Respondernão existe dupla aliança
ResponderAmada irmã Claudia, a paz. Primeirmente lhe agradeço por participar da discussão de nosso artigo. Em momento algum eu disse que a Lei deve ser desprezada, nem Jesus a revogou como voce bem frisou. Mas o próprio Jesus a resumiu em dois mandamentos : “Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo”. Concordo também contigo com relação à distinção entre Lei e legalismo e eu me foquei exatamente neste aspecto, utilizar-se da “Lei” para aplicar o legalismo. Em momento algum desconsiderei a salvação dos Messiânicos, essa alçada não me pertence. Dízimo também não é mandamento, é questão de fé. A salvação não está vinculada ao ato de dizimar, mas todo o crente salvo e consciente das necessidades da obra,(NÃO DA VIDA REGALADA DE ALGUNS LÍDERES)salutarmente dizima. Espero te deixado claro minha posição. Que Deus vos abençoe em Cristo.
ResponderPr Taranto.
A LEI E espiritual
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