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Testemunho de um chefe de sinagoga

Por Alan César Corrêa


Naquele dia eu já tinha decidido buscar ajuda de Jesus, mesmo minha esposa achando loucura, pois no passado eu o tinha expulsado de minha sinagoga.

Ela dizia que, quando Ele me visse, se lembraria de mim e não me ajudaria. No fundo eu achava isso também, mas que outra escolha eu tinha? Minha filha estava morrendo e à porta de minha casa já havia carpideiras esperando para serem contratadas.

Então, reunindo minhas últimas forças. Corri pelas ruas de Cafarnaum perguntando por Ele. Alguns me disseram que Ele poderia estar na casa de Pedro, mas lá encontrei apenas sua sogra, a qual me encheu de esperança ao me contar que Jesus a tinha curado e que também poderia curar minha filha. Disse ainda que achava que Jesus, junto com Pedro, tinha ido para as bandas de Gadara. Saí apressado, sem sequer me despedir. Segui até o cais e sentando-me ali, olhava o mar com esperança de que o barco de Pedro apontasse na linha do infinito.

Não demorou muito e o barco apareceu por trás das ondas e avançando sobre elas. Quando foi preso à nau, uma multidão correu para a praia. E eu que pensava que o esperava sozinho! Corri mais que todos e quando cheguei perto dEle, me prostrei aos seus pés, eu como judeu monoteísta que sou, nunca tinha adorado a outro deus e muito menos a um homem.

Clamei dizendo: “Minha filha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva”.

Ele aceitou ir até minha casa e eu senti que havia me reconhecido, afinal todos ao redor estavam admirados por verem a mim, chefe da sinagoga, prostrado aos seus pés.

Enquanto seguíamos pelo caminho, fiquei pensando em que momento ele tocaria no assunto de quando eu o expulsei de minha sinagoga, mas ele nada falou a respeito, agindo como se tal episódio nunca tivesse acontecido.

Eu apressava os passos para chegar o mais rápido que pudesse em casa, pois minha filha estava morrendo, mas ele parecia não se importar com o tempo. Caminhava com passos mansos, olhando cada um que compunha a multidão ao redor.

No caminho, aumentando minha angústia contra o tempo que corria, uma mulher imunda o tocou. Nesse momento eu perdi minha esperança, pois Ele agora estava impuro, segundo a minha antiga tradição. Mas percebi que mais virtude tinham nEle para curar a essa pobre mulher do que impureza nela para torná-lo impuro.

Perto de chegar em casa, alguns amigos saíram ao meu encontro para me dizer que minha filha já tinha morrido. Me desesperei, mas Ele me disse pra eu não ter medo. Como pai eu tinha que acreditar, não podia perder a esperança, afinal o tinha encontrado na praia.

Viramos na rua em que morava e já dava pra ver o alvoroço e as carpideiras que antes estavam em silêncio do lado de fora, agora choravam alto do lado de dentro. Quando entrei, comecei a chorar também, mas Ele me disse com ternura “não chore”. Foi a segunda vez que ele disse não pra mim.

Me pediu para levá-lo até o quarto. Eu o levei e minha esposa, ao abrir a porta, me abraçou sem esperança nenhuma, mas eu disse pra ela não ter medo e não chorar. Como se confirmasse minha fé, Ele, olhando para nós, nos disse: A filha de vocês não esta morta, mas dorme. E foi então que Ele a despertou do sono da morte e a devolveu aos nossos braços trêmulos.

* As opiniões expressas nos textos publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores
e não refletem, necessariamente, a opinião do Gospel Prime.


Autor(a)

Alan César Corrêa

Alan César Corrêa

Casado, pai do Nicholas, reside em São Bernardo do Campo -São Paulo. Bacharel em teologia, membro da Igreja Evangélica Batista Nacional, escreveu o livro: Dissidentes da Igreja pela Editora Reflexão. E-mail: [email protected]

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