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Um escriba e Jesus (monólogo)

Por Alan César Corrêa


Estava naquela casa o ouvindo transmitir seus pensamentos. Bem atento, eu e alguns outros homens esperavamos com paciência ele dizer alguma blasfêmia e assim que falasse, eu iria tomar nota para usar contra ele.

A casa era uma pequena choupana às margens do mar da Galileia. Estava cheia, parecia ter mais gente do lado de dentro do que em toda Galileia do lado de fora.

Mesmo tão cheia, havia gente ainda querendo entrar, mas era impossível entrar, assim como era impossível sair. Todos lá dentro estavam presos pelas suas palavras.

De repente, um feixe de luz mirou no papiro que eu segurava. Segui o feixe pensando que apontava para janela, mas apontava para o teto e quando olhei, já não era mais um, eram dois feixes. Mostrei para outro escriba ao meu lado e quando ele olhou, já não eram mais dois, mas sim três e depois quatro, cinco, seis…

Quanto mais feixes de luz surgiam, mais barro caiam em nossas cabeças. Foi um alvoroço total, ninguém estava entendendo aquelas mãos que mergulhavam pra dentro do teto e voltava pro céu puxando o telhado de barro.

Não demorou muito e o sol já não entrava mais como feixe, mas como uma coluna enorme oriunda de uma janela aberta no telhado. Logo entendi a razão daquela janela aberta no teto: eram quatro homens querendo descer por ela um paralítico para ser curado.

O paralítico desceu como um pêndulo. Enquanto eu e outras pessoas os chamávamos de homens loucos e os mandava que parassem com aquilo, Jesus os chamava de homens de fé e com as mãos erguidas, guiava a maca até o chão.

Aquele paralítico olhou para Jesus cheio de esperança. Jesus então disse: homem, perdoados estão os teus pecados.

Pronto, conseguiamos o que tinhanhamos ido buscar! Anotei a blasfêmia dita por ele (Perdoados estão os teus pecados), já podiamos irmos embora, pois agora tinhamos subsídio para descartar a hipótese de ele ser o messias e assim, podiamos entregá-lo aos magistrados.

Que blasfêmia tínhamos ouvido: ele havia se colocado no lugar de Deus, perdoando pecado.

Jesus percebeu que nós estávamos escandalizados e então, voltou o olhar para o paralítico e disse: levanta-te e anda. E ele levantou-se.

Eu não tinha acreditado que ele podia perdoar pecado, mas como ele curou o homem, logo em seguida, eu acreditei. Pois, se ele pode operar no corpo, por que não poderia operar na alma?

Aquele homem levantou-se e pegou o leito. O mesmo que passou a vida toda o carregando, era agora carregado por ele. Todos atônitos, gritavam glória a Deus e eu, disfarçadamente, rabisquei minha anotação, amassei o papiro e o coloquei em meu bolso.

* Este texto é uma ficção. Não deve ser tomado como “real”.

* As opiniões expressas nos textos publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores
e não refletem, necessariamente, a opinião do Gospel Prime.


Autor(a)

Alan César Corrêa

Alan César Corrêa

Casado, pai do Nicholas, reside em São Bernardo do Campo -São Paulo. Bacharel em teologia, membro da Igreja Evangélica Batista Nacional, escreveu o livro: Dissidentes da Igreja pela Editora Reflexão. E-mail: [email protected]

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Comentários

Comentários

  1. Eric Araujo JC

    pior do que "não ter" tempo é não saber o que fazer e como fazer com o tempo que se tem.