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Lição 2 – A beleza e a glória do culto levítico

Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 2 do trimestre sobre "Adoração, Santidade e Serviço"


A beleza e a glória do culto levítico

O dicionário Wycliffe (CPAD), destaca que “Como foco da vida religiosa o culto se torna o ponto onde o senso do sagrado é mais concentrado, e assim serve como um indicador da qualidade mais interior da religião” [1]. Ou seja, a forma como entendemos e ministramos culto ao Senhor revela a qualidade da nossa fé e a percepção que temos da santidade de Deus. Estamos oferecendo ao Senhor um culto sincero em nossas reuniões? Estamos nos colocando diariamente diante de Deus como uma oferta de aroma agradável? Estudemos sobre o culto levítico e vejamos suas implicações para nós hoje!

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I. O culto no Antigo Testamento

Em Levítico Deus forneceu instruções específicas para a adoração que lhe era agradável, demonstrando que apesar da espontaneidade que se espera do adorador, é o Deus adorado quem define os padrões do culto (Jo 4.23,24). Estas instruções de Levíticos nos ajudam a conhecer um pouco mais do zelo do Senhor, da sua santidade e da reverência que ele exige de seus adoradores.

Desde os filhos de Adão vemos os homens oferecendo culto a Deus, ainda que sem as formalidades que seriam comuns a partir da regulamentação do culto nos dias de Moisés. Abel ofereceu a Deus as primícias do seu rebanho (Gn 4.4); Noé ofereceu a Deus sacrifício animal (Gn 8.20); Jó ofereceu holocaustos a Deus (Jó 1.5); Abraão ofereceu a Deus sacrifício animal (Gn 22.13); Jacó também sacrificou para Deus (Gn 31.54). Todas essas ofertas eram meios de expressar culto a Deus, ainda que num modo bastante primitivo. E todas elas demonstram como o homem tem necessidade de adorar ao Criador e de se aproximar dEle.

  • Sacrifício: a base do culto

Como se pode perceber, a base do culto no Antigo Testamento era o sacrifício, desde os dias mais remotos quando nem mesmo os patriarcas de Israel existiam. Tanto o sacrifício animal como as ofertas em alimentos eram comuns desde os primeiros seres humanos. Caim ofertou a Deus as primícias de sua lavoura, e não fosse seu coração cheio de maldade, a sua oferta teria sido recebida de bom grado por Deus (Gn 4.6,7).

Uma nota aqui merece destaque: enquanto nas religiões pagãs o sacrifício animal ou a oferenda de alimentos servia para alimentar as divindades veneradas, no culto judaico tais ofertas ou sacrifícios nunca tiveram como objetivo alimentar a divindade adorada. N. Kiuchi explica:

“O material das ofertas consiste no alimento comum dos israelitas. Deus não precisa ser alimentado (cf. Sl 50.8-13); pelo contrário, uma oferta expressa a crença de que os israelitas é que precisam ser alimentados (e assim recebem a vida) por Deus” [2].

No Novo Testamento, o sacrifício oferecido pelos cristãos é a entrega do próprio ser (espírito, alma e corpo) a Deus, para servi-lo, renunciando ao mundo e consagrando-se ao Senhor (Rm 12.1-2). Aliás, mesmo no Antigo Testamento, as ofertas e sacrifícios não seriam agradáveis a Deus sem antes haver no adorador a contrição de espírito e quebrantamento do coração (Sl 51.16-19).

II. Elementos do culto levítico

As reformas religiosas promovidas por Davi e os avivamentos espirituais que sucederam o governo daquele monarca de Israel, bem como as adaptações feitas nas sinagogas a partir do exílio babilônico, trouxeram mudanças na liturgia do culto judaico no Antigo Testamento, especialmente com as novas atribuições acumuladas pelos levitas, como a ministração da música no culto (2Cr 5.12,13; a origem da música para adoração provavelmente remete ao filho de Lameque, Jubal, que foi “o pai de todos os que tocam harpa e órgão” – Gn 4.21).

  • A Lei do Senhor

A exposição da Lei mosaica feita pelos sacerdotes, como Esdras, ganha destaque especialmente a partir do retorno dos judeus, após o exílio babilônico (Ne 8.1-8). Jejuns, orações e confissões de pecados também encontravam espaço no culto do Antigo Testamento, sobretudo em grandes despertamentos espirituais (por exemplo, nos dias de Josias, ou Nemias e Esdras).

Antes de sua morte, Moisés havia orientado ao povo: “Quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor teu Deus, no lugar que ele escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos” (Dt 31.11).

  • Sacrifício: principal elemento do culto

Nos dias de Moisés e Arão – que é o foco do livro de Levítico – o culto levita estava bastante centralizado nas ofertas e sacrifícios que os recém fugitivos ofereciam a Deus regularmente, quer para demonstração de gratidão, quer para expiação de pecados. Através dos sacrifícios, aprendemos sobre a seriedade do pecado e a importância de estar em companhão com Deus.

Abaixo listamos as cinco principais ofertas ou sacrifícios de Levítico 1 – 6, com seus respectivos significados e de que modo estão relacionados tipologicamente com o sacrifício de Cristo, cuja morte tornou desnecessário a realização destes sacrifícios animais [3]. O cordeiro de Deus tira definitivamente o pecado do mundo! (Jo 1.29). Como dissemos na primeira Lição, Levítico está cheio de tipologias, sombras e figuras que apontam para Jesus Cristo.

Holocausto (Levítico 1)

Sacrifício voluntário para expiar pecados, demonstrava devoção à Deus. Apontava para o sacrifício perfeito de Jesus, que remove o pecado daquele que se achega a ele com fé. Como disse Isaías, “ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades” (Is 53.5)

Oferta de manjares ou cereal (Levítico 2)

Sacrifício voluntário, tinha como ênfase o aroma agradável que é o elemento culminante do holocausto. Enfatizava a renovação da dedicação de alguém ao Senhor. Pelo sacrifício de Cristo, devemos glorificar a Deus com nosso corpo, já que somos propriedade dEle, comprados por grande preço! (1Co 6.20)

Sacrifício pacífico ou oferta de comunhão (Levítico 3)

Sacrifício voluntário, tinha como ênfase o comer da carne com o sacerdote (cf. 7.15,16). O sacrifício enfatiza a comunhão seguida de reconciliação com o Senhor, isto é, a paz com Deus. Sabemos que é exatamente isso que o sangue de Cristo uma vez oferecido traz para nós: a justificação que remove de nós a condenação e a ira, e nos reconcilia com Deus (2Co 5.18,19). Nas palavras de Paulo, “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).

Oferta pelo pecado (Levítico 4.1-5.13; 12.8)

Oferta obrigatória, servia para pagar pelo pecado cometido involuntariamente, por ignorância, negligência ou imprudência. Objetivava restabelecer a comunhão do pecador com Deus e mostrar a gravidade do pecado. Com este sacrifício levítico aprendemos que a ignorância das leis de Deus não justifica nossos pecados. Davi nos ensina que tanto pelos pecados intencionais como pelos erros que cometemos sem perceber precisamos pedir perdão a Deus (Sl 19.12,13). Há uma grandeza no sacrifício de Cristo para a qual pouco atentamos: seu sangue não nos purifica só de alguns pecados ou apenas dos pecados que sabemos ter cometido, mas nos purifica “de todo o pecado” (Jo 1.7). Cristo faz mais por nós do que possamos mensurar!

Oferta pela culpa (Levítico 5.14 – 6.7)

Sacrifício obrigatório, expiava transgressões como aquelas contra as coisas sagradas, contra os mandamentos divinos e contra o próprio Deus. Por trás do ritual, está a ideia de compensação por um dano feito tanto contra o próximo quanto a Deus. Quer tenhamos pecado contra Deus ou contra nosso semelhante, o sangue de Cristo nos perdoa e nos purifica da mancha do pecado, desde que humildemente peçamos ao irmão e a Deus perdão pelo erro e demonstremos sincera disposição para mudar (Pv 28.13; Mt 5.23-25)

III. Finalidades do culto levítico

  • Adoração

Além dos cultos diários, havia entre os judeus sete festas que assinalavam os feriados nacionais e religiosos, e que costumavam ser celebradas em família. A Lei de Moisés regulamentava a realização de cada uma destas festas: período, lugar e liturgia.

As regras de Deus quanto à adoração estabeleciam um padrão regular de comunhão com Deus e de celebração, garantindo que Deus seria adorado na beleza de sua santidade, com reverência e temor (1Cr 16.29; Sl 29.2; 96.9). Infelizmente, não raro, os judeus cumpriam as regras, mas não se aproximavam de Deus com um coração sincero – suas festas acabavam se tornando meros ritos desprovidos da beleza do culto divino, chegando a serem enfadonhas para o Senhor (Is 29.13; Am 5.21-23). Deus deseja que nossa adoração seja sincera e contínua: “Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem, e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos para sempre” (Dt 5.29).

  • Comunhão

A Tenda do Encontro (Ex 40) ou Tabernáculo era o lugar costumeiro onde Deus se encontrava com Moisés e seu povo para o culto diário. Desde cedo o povo de Deus aprendeu que é preciso unir-se e reunir-se para o culto ao Senhor. Ali a Lei do Senhor era transmitida aos judeus, ali a nuvem da presença de Deus manifestava-se, ali os judeus deveriam comparecer levando suas ofertas de gratidão ou animais para o sacrifício, quando o ofertante devia colocar a mão sobre a cabeça do animal simbolizando a transferência de culpa para o animal que morreria devido o pecado do ofertante.

Todavia, a adoração a Deus não se restringia ao Tabernáculo. Desde a instituição da Páscoa, na noite que antecedeu a fuga do Egito, os judeus aprenderam também a adorar a Deus no ambiente doméstico (Ex 12.1-20). A Lei do Senhor deveria ser ensinada pelos pais aos filhos no lar (Dt 6.4-7).

Tais considerações devem nos estimular ao culto público bem como ao culto doméstico. Não podemos nos contentar com cultos congregacionais três ou quatro vezes por semana, enquanto ficamos sem cultuar a Deus em casa nos demais dias da semana. Nem podemos usar a capa da santidade nos dias de culto público, mas viver em pecado ou displicência quando longe desses encontros com a igreja. Já dizia o pregador George Campbell Morgan, “Nenhum culto a Deus tem valor, se entra em contradição com a vida no lar”. Deus é digno de ser adorado publicamente (At 1.13,14; Hb 10.25), mas também particular e secretamente (Mt 6.6). Que nosso lar seja um santuário perpétuo do Senhor!

  • Reafirmar as alianças e professar a doutrina

O culto levítico conferia uniformidade doutrinária a toda congregação de Israel. A Lei de Moisés devia ser cumprida a risca, sob pena de o adorador vir a padecer por sua desobediência, como no caso dos sacerdotes Nadabe e Abiú, filhos de Arão que foram oferecer fogo estranho no altar do Senhor e ali mesmo foram fulminados (Lv 10.1,2).

Os nomes de Abraão, Isaque e Jacó – patriarcas de Israel -, eram constantemente lembrados, inclusive pelo próprio Senhor, como forma de garantir que as promessas e alianças feitas tempos passados com aqueles servos do Senhor e relativas a seus descendentes ainda estava de pé, cabendo a Israel cumprir sua parte da aliança, para que desfrutassem do prazer do Senhor sempre.

Antes de sua morte, a exortação de Moisés foi: “Ajunta o povo, os homens e as mulheres, os meninos e os estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam e aprendam e temam ao Senhor vosso Deus, e tenham cuidado de fazer todas as palavras desta lei” (Dt 31.12). Enquanto hoje muitos buscam se espalhar e se desigrejar, Moisés orientou o povo de Israel a que se juntasse para ouvir e aprender a doutrina do Senhor. Assim devemos fazer hoje: juntar o povo, reafirmar o nosso compromisso com o Evangelho de Cristo e proclamar a sã doutrina!

CONCLUSÃO

Não ministramos mais culto no modelo como os levitas o faziam, pois “chegou a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade” (Jo 4.23). O nosso culto racional é a entrega de nosso ser por inteiro a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável; e nosso culto público, para o qual a igreja do Senhor se reúne periodicamente e convida os pecadores para ouvirem, é o culto para adoração ao Senhor, comunhão entre irmãos, evangelização dos perdidos e edificação dos salvos (1Co 14.26). Este culto já não é ministrado por uma classe distinta no meio do povo de Deus, mas por todos os que foram salvos por Cristo Jesus, já que “quando vos reunis, cada um de vós tendes…”, dizia Paulo (1Co 14.26).

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REFERÊNCIAS

[1] Dicionário Wycliffe, CPAD, p. 506
[2] Novo Dicionário de Teologia Bíblica, Vida, p. 220
[3] O resumo das ofertas e sacrifícios foi extraído e adaptado da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD, p. 141.



Presbítero da Assembleia de Deus em Campina Grande-PB. Coordenador de Escola Bíblica Dominical. Autor do livro A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira.

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