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Lição 11 – A lâmpada arderá continuamente

Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 11 do trimestre sobre "Adoração, Santidade e Serviço"


A lâmpada arderá continuamente

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I. O candelabro de ouro

A palavra no texto hebraico para candelabro ou candeeiro é menorah. Trata-se de um importante item do tabernáculo judaico, construído todo de ouro puro, pesava cerca de 42 quilos, e que deveria servir para iluminar o ambiente onde diariamente o sacerdote oficiava no Lugar Santo.

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  • Um equívoco na Lição

As descrições quanto a este item se encontram em Êxodo 25.31-37; 27.20-21; 37.17-24 e Levítico 24.1-4. Inclusive há uma imagem na página 74 da Revista de Professor da CPAD em que aparece uma imagem ilustrativa, mas que não ilustra adequadamente o candelabro do tabernáculo, visto que aquela peça tinha originalmente seis braços e uma haste central (no total de 7 lâmpadas), enquanto que a ilustração trazida na revista tem oito braços e uma haste central (no total de 9 lâmpadas. Este candelabro de 9 hastes trata-se do chanukiá, usado durante os oito dias do feriado judaico de Chanuká, também chamado de Festa das Luzes).

O número sete é simbólico na Bíblia, e tipologicamente expressa perfeição.

  • Função do candelabro

Visto que o tabernáculo era todo fechado com tecidos e não dispunha de qualquer abertura para luz externa, fazia-se necessário uma outra forma de iluminação, caso contrário seria impossível ao sacerdote realizar o seu serviço ali dentro. Mesmo quando o sacerdote não estivesse realizando serviços no Tabernáculo, a ordem era: “Arão [isto é, os sacerdotes araônicos] manterá as lâmpadas continuamente acesas diante do Senhor” (Lv 24.3, NVI). Portanto a luz acesa continuamente deveria significar a presença de Deus continuamente entre seu povo.

O chamado do menino Samuel estava associado com o candelabro do tabernáculo, pois lemos que a voz do Senhor veio a ele “quando a lâmpada de Deus ainda não se havia apagado” (1Sm 3.3), isto é, era madrugada ainda. O chamado de Deus a Samuel era uma “luz no fim do túnel” do sacerdócio falido da casa de Eli!

  • Significado para Israel

Quanto ao significado do candelabro para os judeus, Dennis Kinlaw destaca: “A significação simbólica deste candelabro talvez esteja na promessa de que Israel tinha de ser a luz entre as nações do mundo. A visão registrada em Zacarias 4 apoia esta ideia” [1]. Uma nota de rodapé da Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD) disserta: “A luz das lâmpadas simbolizava a presença contínua de Deus entre o povo. A congregação de Israel devia ter abundante luz, vida e presença de Deus” (Ex 27.20,21, nota de rodapé).

No templo de Salomão, em lugar do candeeiro no tabernáculo, havia dez castiçais de ouro, burilados com detalhes semelhantes, cinco à direita e cinco à esquerda (1Re 7.49; 2Cr 4.7).

II. Jesus, a luz eterna e perfeita

Como estamos vendo desde o início do trimestre, muito do culto levítico trazia figuras, sombras e prefigurações de Jesus Cristo e da adoração na Nova Aliança. Esta não é uma interpretação forçada e apaixonada que fazemos hoje, pois os próprios escritores do Novo Testamento, e também o Senhor Jesus, demonstraram esta tipologia no culto veterotestamentário.

Assim, podemos dizer que há uma dupla ou até mesmo uma tripla aplicação espiritual do candeeiro de ouro no Novo Testamento: Jesus, a Igreja e o Espírito Santo.

  • Jesus no candelabro

Num sentido primário, o candelabro é uma prefiguração de Cristo, “a luz do mundo” (Jo 8.12), “a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo” (Jo 1.9; conf. Is 9.2). Feito todo de ouro, o candelabro remetia a realeza e divindade de Cristo (Mt 2.11; Ap 3.18). A haste principal do candelabro é uma perfeita representação da centralidade de Cristo na Igreja (no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem” – Ap 1.13).

  • A Igreja no candelabro

Num sentido secundário, o candelabro também diz respeito à Igreja, que foi designada por Cristo como “luz do mundo” (Mt 5.14-16), desde que em íntima conexão com ele que é a fonte de nossa luz, como os seis braços do candelabro deviam estar ligados à haste central.

A própria igreja é identificada como os sete castiçais de ouro na visão de João, na ilha de Patmos (Ap 1.20). Os seis braços ou castiçais do candelabro (três à esquerda e três a direita, ligados à haste principal, como sendo uma única peça) representam perfeitamente a comunhão da Igreja com Cristo, sem o qual nada podemos fazer! (Jo 15.5b)

  • O Espírito Santo no candelabro

Ainda é possível identificar o Espírito Santo identificar com o candelabro, visto que o azeite ou óleo é uma figura comum em tipologia bíblica para o Espírito de Deus, e que é mediante a sua luz que nós entendemos quem é Jesus, o que é o Reino de Deus e como prestar adoração devida ao Senhor. O apóstolo João falou sobre as “sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete Espíritos de Deus” (Ap 4.5), uma indicação clara ao Espírito Santo.

Sem o Espírito Santo, que também é simbolizado no fogo que queima em cada castiçal, a Igreja não pode adorar corretamente a Cristo, ficando nas trevas da ignorância, do misticismo e do sincretismo religioso. A adoração que o Pai procura é aquela que se manifesta “em espírito e em verdade” (Jo 4.23,24), ou seja, aquela que é conduzida pelo Espírito Santo, segundo a verdade da Palavra.

Não é descabido pensar no Espírito Santo representado também no candelabro, pois ali no Lugar Santo vemos a Trindade muito bem representada atuando na Igreja: Jesus, o pão da vida que nos alimenta, nos pães da proposição (Jo 6.51-54); o Pai, a quem dirigimos nossas orações (Mt 6.9), no altar do incenso bem à frente do véu que separava o Santo do Santíssimo; o Espírito Santo, Espírito de conhecimento e de sabedoria, no fogo e na luz do candelabro, que nos ensina todas as coisas e nos guia em toda verdade (Jo 16.13), no azeite e fogo das lâmpadas do menorah. Deste Espírito procede a unção que nos ensina todas as coisas (1Jo 2.27).

  • O candelabro e a Palavra de Deus

Para os judeus, o castiçal de Moisés podia simbolizar a luz da Lei [2], para Gunnar Vingren, um dos pioneiros do pentecostalismo brasileiro e fundador da igreja Assembleia de Deus no Brasil, conforme consta em sua monografia de graduação em teologia pelo Seminário Teológico Sueco de Chicago (EUA), o candelabro remetia ao conhecimento que emana da Palavra de Deus. Ele escreveu:

“A luz significa conhecimento e o candelabro, o povo de Deus como o portador deste conhecimento, enquanto as sete lâmpadas remetem à sabedoria, à revelação e ao espírito divino. Se o candelabro não existisse, reinaria a treva e assim, seria igualmente nas igrejas, se Deus não tivesse nelas colocado a sua Palavra, a luz que brilha dia e noite” [3].

III. Mantendo a luz brilhando continuamente

  • Receber e manter a luz

A condição imprescindível para que tenhamos luz em nós mesmos é CRER em Jesus Cristo. Como está escrito: “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz” (Jo 12.36). Crendo em Jesus, somos “iluminados” (Hb 6.4; 10.32) e passamos das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pe 2.9).

Para mantermos esta luz acesa e resplandecendo, precisamos andar como filhos da luz (Ef 5.8), isto significa, imitar o caráter de Cristo. Em razão disso, não podemos participar de nada que seja vergonhoso e impuro, antes devemos expor e reprovar tais coisas, já que “a luz tudo manifesta” (Ef 5.13).

  • O pecado reinante enfraquece a luz

A prática do pecado na vida do crente e a falta de arrependimento acabará privando o crente desta luz: “se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele” (Ap 2.5b, NVI). O pecado enfraquece a luz de Deus no crente e se não for tratado acabará reduzindo-o à escuridão!

O cuidado para que a luz de Cristo permaneça em nós, que somos “luzeiros [ou astros] de Deus no mundo” (Fp 2.15), começa pela nossa vigilância sobre onde estamos pondo nossos olhos e aquilo em que estamos fazendo repousar nossos desejos. Nas palavras do próprio Cristo, “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso” (Mt 6.22,23).

CONCLUSÃO

A fim de que a nossa candeia tenha boa luz e para que todo nosso ser desfrute de clareza espiritual, assumamos semelhante compromisso do salmista: “Não porei coisa má diante dos meus olhos” (Sl 101.3). Se nos policiarmos naquilo sobre que estamos pondo nossos olhos, e se nos deixarmos guiar pela Palavra de Deus que é “lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos” (Sl 119.105), então como o candelabro no tabernáculo teremos luz continuamente! Os ímpios vão se afundando em abismos de escuridão moral e espiritual, “mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18).

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Referências

[1] Comentário Bíblico Beacon, vol. 1, CPAD, p. 304
[2] Dicionário Bíblico Universal, Vida, p. 114
[3] Lições do tabernáculo por Gunnar Vingren, CPAD, p. 76



Presbítero da Assembleia de Deus em Campina Grande-PB. Coordenador de Escola Bíblica Dominical. Autor do livro A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira.

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