A lição de Sócrates frente uma mídia diluidora de ilusão

É preciso mais do que nunca que os cristãos levantem a bandeira da busca pela realidade.


A lição de Sócrates frente uma mídia diluidora de ilusão

Na Apologia de Sócrates, livro de Platão, onde se narra a defesa de Sócrates frente seus acusadores, percebe-se que o grande filósofo Sócrates só encontra um meio para se proteger perante o tribunal: narrando sua biografia, contando sua história. Até porque o filósofo estava sendo acusado de diversas falácias, uma imagem deturpada de Sócrates se espalhou pela sociedade e a ilusão ganhou motivo de credibilidade e foi diluído-se na crença geral. Logo, o famoso autor da frase “só sei que nada sei“; não sabia quem de fato eram os seus acusadores, pois as inverdades já tinham tomado conta do senso comum.

Como mudar isso? Ora, o que resta a Sócrates é ser o que sempre foi, ele narra o que fez de fato, conta a realidade de sua história.



Aqui reside um dos temas fundamentais do platonismo: aparência x realidade. Uma coisa é o mundo das ilusões sociais ou ilusões culturais, e outra coisa é o mundo dos fatos historicamente documentados, a realidade. Dito de outra maneira, por baixo da realidade de ilusões, mentiras criadas e pura linguagem, existe o mundo dos fatos assistidos, testemunhado, o concreto. Por isso, resta a Sócrates narrar a sua vida e somente os seus discípulos que o acompanhara eram testemunhas do fato narrado, pois foram os únicos que acompanharam a sua trajetória (os demais sabiam o que sabiam pelo falatório). Praticamente todos se baseavam no ilusório. Agora, quantos dos que estavam baseados no mundo da ilusão social desejaram saber a verdade?

Parece que em nossos dias esse dado social não deixa de ser comum. O que as pessoas pensam da sociedade ou uma das outras? O que pensam das instituições, da religião, da crise, da política, do jornalismo ou do mundo?

De modo geral, a sociedade é uma reprodutora de falatórios, baseada em informações sem fundamento. Basta uma reportagem ser transmitida na Globo para ganhar toda a credibilidade do mundo. Basta um artista famoso fazer um comentário sobre qualquer assunto que todos acham um máximo e dizem “é isso mesmo“. Basta qualquer frase ou informação ser bem compartilhada nas redes sociais para ganhar autoridade e fundamentar a opinião da galera. Ninguém sabe quem é o redator da reportagem, ninguém sabe a história ou os interesses do artista global que faz o comentário e ninguém se preocupa em saber a fonte das informações das redes sociais. Ou seja, assim como no caso da Apologia, ninguém sabe quem são os reais acusadores de Sócrates, só se sabe que o senso comum diz o mesmo a respeito dele. Todos sabem falar de um assunto, mas ninguém sabe de onde veio as informações que formam sua opinião, e mais, se essa opinião é de fato a verdade.



Já sabemos que a mídia é um grande meio de formação de opinião, ela que apresenta para as pessoas informações e determina o grande assunto do momento. Ela é a grande diluidora de linguagem dos últimos tempos. Sendo assim, se o que ela falar é ilusório, a grande massa da população acreditará no ilusório e defenderá com força a mentira como verdade – que é o que acontece com constância.

Mas, a Mídia não é um ente. Ela não é um ser próprio com opinião própria. A mídia é feita por pessoas, os jornais são comandados por redatores, tem gente que tem grana e banca o que deverá ser transmitido, por isso, a mídia é o meio que dilui a informação, agora quem são os protagonistas? Quem são os acusadores? Bom, só sei que nada sei…

A lição que podemos ter com essa reflexão é simples, a sociedade em geral não está preocupada com a realidade, ninguém quer saber como os fatos realmente aconteceram, mas reproduzem o falatório global.

A filosofia faz perguntas para a busca da verdade. Para alguns cristãos, que não gostarem de filosofia, tem em mãos a Teologia: estudo da própria Verdade, Jesus Cristo.

O fato curioso é que Jesus, aquele que fez o bem, curou enfermos, perdoou pecados e estava salvando pessoas, foi acusado de blasfemar contra as autoridades e de perverter a ordem. E por isso, foi crucificado, onde a grande maioria das iludas pessoas gritaram “solte Barrabás“, um bandido, ao invés de Jesus. Pensavam todos eles que Cristo era pior que um bandido? Sim, pensavam. O senso comum sabe as coisas por falatório e os discípulos eram as únicas testemunhas da vida e realidade de Jesus.

Sendo assim, o sábio é aquele que deseja conhecer a realidade! Que busca a verdade, que aceita os fatos como são, não os pervertem nem os manobram, tão pouco usam o que tem para maquiar as coisas como se dão. É preciso mais do que nunca que os cristãos levantem a bandeira da busca pela realidade, pois a Mídia é um exemplo de diluidora de mentiras e ilusão para as pessoas, precisamos levantar a voz e apresentar os fatos, testemunhar o concreto, mostrar o percurso das fontes. E sim, isso é um caminho de martírio.



Victor Santos

Victor Santos

Victor dos Santos, mora em Santo André-SP. Blogueiro (Vida ao Inverso). Bacharel em Teologia pela Universidade da Bíblia, graduado em Logística pela Uniban e estudante da PUC SP.


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