As reformas das mentes religiosas, a Antiga Aliança

"Muitos homens devem a grandeza da sua vida aos obstáculos que tiveram que vencer." ( C. H. Spurgeon)


No ano de 2017, estamos comemorando 500 anos da “Reforma Protestante”, a mais conhecida pelos cristãos de nossa era, foi iniciada na alta idade média através de pré-reformistas do século XIV como John Tauler, John Wicliffe e John Huss. Este último guerreiro profético, antes de morrer em praça pública, viu seus livros sendo queimados em fogueira, orou assim: “Senhor tenha misericórdia de meus inimigos”.

Se nos séculos anteriores, a reforma da Igreja se deu pelo monasticismo (um movimento não apenas de fé e espiritualidade, mas de contestação, particularmente diante de certa “mundanização” da Igreja), os séculos XIV e XV (e também no XVI) viram surgir vários homens, principalmente na Alemanha e na França, que se levantaram para não somente apontar os males e tentar extirpá-los, mas também para criticar as doutrinas que não eram consideradas bíblicas!

A Reforma, que teve seu apogeu com Lutero, no século XVI, foi um dos movimentos bíblicos mais preponderantes da história do cristianismo contemporâneo. Paulo nos ensinou a renovarmos a mente. A determinação é não se conformar com o século, e não parar no tempo, nem se distrair com os métodos, pois a humanidade é dinâmica, o reino de Deus também. Boa leitura amigos.

O bom combate

Homens ousados na fé cerca de mil e trezentos anos depois dos apóstolos de atos, estavam lutando historicamente com a mesma firmeza, convicção e determinação dos cristãos do primeiro século, combatendo o bom combate contra os algozes do farisaísmo não mais judeu, porém romano. O preço pago era muito mais alto do que possamos imaginar, pois além de pagarem com as acusações falsas, tiranias, abusos de poderes políticos e religiosos, torturas, injustiças, calúnias, confisco de propriedades, expulsão da igreja, e até a própria morte. Qualquer cristão que levantasse a voz contra o domínio religioso da igreja católica romana, certamente sofreria todas essas penas.

Porém, é lógico, devemos lembrar ao amigo leitor que (sem tentar justificar os erros e atrocidades do passado), que todo movimento e pessoa são frutos de sua época e contexto. Os indivíduos são sempre filhos do seu tempo e de sua geografia. É assim que devemos olhar não somente as cruzadas, mas também a inquisição – e todo o restante da história cristã. Poucos religiosos combatiam os pensadores reformistas cristãos, chamados de hereges, com o uso doutrina bíblica ou métodos argumentativos sobre a fé e a salvação. A regra mínima do absolutismo pagão era fogo, fogueira ou espada para o filho de Deus, que andasse na contramão da tradição e dos comandos religiosos. A essas arbitrariedades da história da igreja cristã, o destino chamou de “inquisição”.

Os acusados de heresia não tinham direito a defesas, nem recursos. Por outro lado o sistema religioso-político da igreja funcionava acima do bem e do mal, acima da lei.  A única “culpa” ou “erro” dos acusados era não aceitar o paganismo e a corrupção de seus algozes, pregando a verdade deixada por Cristo.

A covardia era implacável, e o poder de combate dos acusados era absolutamente inalcançável, desproporcional e sem chances de reações, certo? Sim, do ponto de vista humano. Porém, do ponto de vista espiritual, quem venceu mesmo foram, a fé, a esperança, a perseverança e o amor daquelas humildes almas sedentas de reino de Deus e da Sua Justiça. Chegaria o ápice da Reforma com Jerônimo Savarolla, em parceria com Lutero romperiam com o sistema político-religioso para atender a Vontade de Deus, ao traduzirem espontaneamente a em inglês e alemão, no tempo em que ao menos ler a Bíblia era considerado “pecado”, interpretá-la era absolutamente proibido, e digno de torturas e morte aqueles que tentassem pregar a verdade contida nela. A morte não venceu, nem o domínio humano sobre a fé haveria de celebrar a algum triunfo. (essa parte da Reforma Protestante veremos no artigo seguinte).

As reformas da mente na Antiga Aliança

A renovação da mente dos filhos de Deus sobre a fé em Jesus sempre foi uma premissa dedicada por Deus ao seu povo desde o tempo dos hebreus quando Davi, na Antiga Aliança, assumiu o reinado de Israel para restaurar (ou reformar) a adoração ao Rei Eterno a partir da corrupção sacerdotal de seu antecessor o Rei Saul.

Acredito ser uma das principais reformas ocorridas na Bíblia, desde a organização dos cultos, dos cantos de louvor, do sacerdócio; a ordem dos cerimoniais e das festas solenes, e a restauração da adoração e remissão de pecados, através dos sacrifícios que haviam sido corrompidos pelo sistema de governo anterior. Sem dúvida, que o Rei Davi foi um reformista do reino.

Dois outros nomes merecem destaque nos procedimentos de reforma religiosas na Antiga Aliança. São eles Ezequias (Rei de Judá entre 716-687) e Josias (Rei de Judá entre 640 a 608).

A Reforma religiosa do Rei Ezequias

Ele tinha apenas 25 anos de idade, quando começou a reinar, porém, isto não foi problema algum para que ele se enquadrasse dentro de Plano de Deus para o seu povo, ao contrário de seu pai, Acaz que encheu Jerusalém de ídolos e de idolatria pagã.  Ezequias foi ousado na fé, e mandou derrubar os post ídolos deixados por Salomão e outros reis. Mandou também fazer reparos nas portas do Templo, etc. Porém, o mais importante, foi que Ezequias convocou sacerdotes e levitas para consagrarem e purificarem o templo. Foi renovado o conserto com o Senhor. Ele reestabeleceu os serviços da Casa do Senhor com o dízimo do campo (azeite, mel e trigo, gado) para a geração de renda para a manutenção do templo. A mente do povo foi reformada! As famílias se levantaram para ajudar a derrubar as estátuas e altares de falsos deuses. Certamente, este foi o rei que realizou a mais completa reforma religiosa da história do povo de Deus na Antiga Aliança, antes da história da igreja, que logo mais apresentaria João Batista como o seu anunciador.

O profeta Isaías deixou registrado (cap 37:34-37) que Ezequias não aceitaria a corrupção do governo Assírio, em dominar Judá e Israel, e, assim como todos os demais que não se dobraram a Baal, teve que suportar as penas dos impérios, até que o Deus de Israel ouviu às orações de seu profeta ( II Reis 19), fazendo que o exército inimigo fosse ferido por um anjo do Senhor, e, no dia seguinte, levando o Rei Assírio, Senaqueribe à sepultura, quando este foi assassinado por seus próprios filhos diante do altar de seu deus pagão.

A Reforma religiosa do Rei Josias

Ainda no Velho Testamento, podemos citar como outro intercessor e pensador reformista da Bíblia, o Rei Josias, logicamente, assim que o mesmo atingiu a idade de maturação, pois quando assumiu o reinado, Josias tinha apenas 08 anos de idade. Aos dezoito, ele ficaria sabendo que o Livro de Deuteronômio havia sido achado no templo. Foram as verdades contidas no livro de Moisés sobre bênçãos e maldições sobre Israel, que reformaram a mente e o espírito do jovem líder de Israel.

Aquela riquíssima descoberta o levaria a proclamar uma grande reforma religiosa com a preparação espiritual do povo para proclamação de arrependimento nacional. Josias fizera uma reforma parecida com a de seu antecessor, Ezequias, séculos passados, confrontando falsos profetas, adivinhadores, feiticeiros e seus oráculos ou altares dedicados a Asera, Baal, Astarote e a Moloque, dentre outros.

Josias morreu lutando contra os impérios invasores, mas deixou um legado de reforma que poucos reis fizeram ao comando do Espírito de Deus para agraciar o seu povo. Todos os méritos de homens de zelo, fé, coragem, obediência a Deus, seriam dedicados na Cruz do Calvário, num novo tempo que estava sendo profetizado para aquela nação que Deus resolveu criar, escolher e conduzir como povo Dele, mesmo depois do tempo da igreja.

Outros nomes de mentes reformadas podem ser citados na história do Reino Eterno, e descritos na narrativa bíblica do Velho Testamento. Neemias, foi um personagem de grande importância para a restauração da autoestima e da espiritualidade de seu povo, ao administrar a reconstrução da centenária ruína que havia sobre parte dos muros de Israel, e isso em apenas 52 dias (Neemias 5 a 7). Ele é considerado por alguns teólogos como um dos maiores exemplos de fé, liderança e gestão ao lado de José, Moisés, Jetro, Davi, Salomão, Ezequias e Josias.

Não podemos deixar de citar Esdras, o qual leu e coordenou a leitura da Torá diante de todo o povo num dia jamais esquecido por Israel, dia de grande avivamento e arrependimento de suas corrupções e injustiças perante o Altíssimo Criador e Gerador da Vida. Este profeta ficou também conhecido pela igreja de hoje, como o Pai da Escola Bíblica Dominical. (Neemias 8).

Conclusão

Pois é, não podemos excluir Israel dos planos de Deus e de seu reino eterno. Foi de lá que veio a salvação para a igreja. Antes, porém, a igreja precisou reencontrar o Caminho, seria necessário repensar na forma de cultuar e servir a Deus numa Nova Aliança com Israel, antes de Roma. O evangelho chegou primeiramente aos judeus.

João Batista, Jesus, e os Apóstolos chegariam, não para continuar os sermões da tradição, mas para reformá-los, de acordo com a Vontade do Pai para o benefício de todas as nações. Seria uma reforma da mente religiosa para a mente de Cristo. Mas, isto é uma outra história, digo, uma outra reforma na história do reino de Deus, a qual veremos no próximo artigo.

Até lá então, amigos e irmãos do Reino Eterno!

_______________________________________________________________

Bibliografia: 
Livros de Crônicas, Reis, Isaias, Esdras e Neemias.
Leituras auxiliares:
“Jerusalém, a Cidade do Grande Rei”, Mário Feller (1989);
“Venha o Teu Reino”, Tom Hess ( 2011);
“Neemias, um líder otimista” em https://artigos.gospelprime.com.br/neemias-um-lider-otimista/ (Claudio Santos, 2013)



Claudio Santos

Claudio Santos

Pastor fundador das Missões Adore e da Escola do Reino no Brasil, que é um braço direito da missão. Com mais de 30 anos de vida cristã, Claudinho, além de missionário, é escritor, professor voluntário, músico e conferencista. Tem formação em teologia, missiologia, ministério pastoral e capelania priosional. Membro do Conselho de Pastores de SP. Atualmente é aluno mestrando em missiologia e pastoreia na Missão EDR, em Recife
#quevenhaoteureino; #missõesribeirinhas. #missõesurbanas; #missõessertanejas


Deixe seu comentário!