A síndrome de Gondim

O ateísmo é mais digno do que o cristianismo liberal


A síndrome de Gondim

Me perdoe os amigos do “não julgueis”. Por causa de vocês, tenho sido cada vez mais cuidadoso em minhas ponderações; no entanto, não deixarei de me contrapor no campo das ideias ao pensamento apóstata que tem invadido o cenário evangélico nacional.

Ricardo Gondim foi de um extremo ao outro – do pentecostalismo clássico ao ateísmo disfarçado de “teologia humanista”. Parece piada pronta alguém asseverar que é teólogo e ao mesmo tempo que retira Deus do centro de sua teologia para colocar o homem e seus sofrimentos.

Ele disse que viu a dor ou a angústia que é viver e que entendeu que não precisa oferecer respostas propositivas sobre Deus, sua majestade e seus desígnios. Para ele, negar a soberania é um alívio, pois agora não precisa mais se esforçar teologicamente para responder aos problemas categóricos e latentes do mal e das produções humanas de maldade. Para Gondim, em Deus não há esperança – somente no homem – e é por isso que se considera um teólogo humanista.

A sensação que tenho é a de que estamos lidando com um pensamento impiedoso e cruel, que gera confusão sobre os iniciantes na fé cristã e que não passa de apostasia velada. Estamos diante não de uma pessoa (oro para que pessoas como este senhor se arrependam em tempo) e sim de uma ideia perversa, carnal e covarde de que a revelação escriturística sobre Deus é absolutamente insuficiente e que o homem é o autor da própria história, uma vez que nada pode ser mudado por ordem do Alto.

Descrer em milagres, na intervenção metafísica de Deus e nas possibilidades de cada maldade estar sob um controle transcendental e supra lógico é o caminho do pós-cristianismo.

A síndrome de Gondim tem afetado muitos irmãos sinceros e que gostariam de ver esta humanidade banhada de paz, justiça e alegria. Porém, com o aumento da iniquidade e o consequente esfriamento do amor, isso vai ficando cada vez mais inviável – só que eles não percebem isso. Estão ainda elucubrando sobre as soluções práticas, mas não o fazem sob iluminação espiritual na instrumentalização bíblica e sim pelo esforço vazio de uma mente limitada a tempo/espaço que quer responder a todos os dilemas de um modo intelectualizado, contextualizado, modernizado e humanizado.

O resultado prático disso é ENGANO.

Que geração futura de crentes teremos? Sabemos que a igreja evangélica lida hoje com um sem número de divórcios, com irmãos cada vez menos comprometidos com a igreja local e uma onda teológica liberal que vem relativizado tudo, principalmente a conduta pecaminosa e confusa em si. Sabemos que pastores e líderes querem mais saber de números do que de gente, que outros querem mais se sujeitar à conquista das gentes pelas obras de amor do que permitir que a verdade do evangelho confronte seus pecados, abra a ferida, cure pela graça e mude seus corações. Todavia, penso que estamos forjando uma geração de ateus disfarçados de evangélicos liberais que simplesmente reproduzirão o desmoronamento espiritual que ocorreu na Europa da Reforma, onde igrejas fecharam para se tonar boates.

A esperança não está na teologia humanista e apofática. É necessário coragem teológica e bíblica para lidar com os sofrimentos do mundo e entender que dá para se dedicar pela causa da humanidade sem abandonar a fé no Cristo Soberano – sem deixar de afirmar que ele governa os tempos e as coisas e que tudo, nele, possui um sentido, um propósito e uma razão que lhe cabe e não pode nunca nos caber. Precisamos negar todo falso mestre que tenta nos ludibriar para não respondermos com fé ao sofrimentos que a existência na carne nos impõe. E que é bastante razoável (ou melhor, digno) declararmos que não podemos explicar tudo racionalmente, pois viver, significa, de certa forma, ter questões a se obter respostas.

No entanto, não é porque não se tem a resposta que não se vai permanecer crendo no Deus que tudo sabe, tudo vê, tudo ordena, tudo governa, tudo faz, tudo concede, tudo impede… num Deus que é tudo e que tudo só pode encontrar valor, sentido, razão e explicação NELE.

Deus existe. Deus é conclusivo, taxativo e descritivo por meio de sua Palavra. Retire a Palavra e o Espírito é apagado. Apaga o Espírito e só sobra teologia humanista de um agnóstico apofático, confuso, desencontrado, que vai de extremos a extremos, abandonando identidade e abraçando qualquer coisa menos a fé cristã.

“Não apagueis o Espírito.” 1 Tessalonicenses 5.19

“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” 1 Coríntios 15.19

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” Romanos 8:28



Maycson Rodrigues

Maycson Rodrigues

32 anos, é casado com Ana Talita, bacharelando em Teologia pela Unigranrio e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, trabalha no ministério de adolescentes da Igreja Batista Betânia e no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.


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