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Al Jazeera e o pedido de “apoio” de Gleisi Hoffmann

TV árabe escolhida para apoiar “luta” por liberdade de Lula é extremista?


Gleisi Hoffman
Al Jazeera e o pedido de "apoio" de Gleisi Hoffmann

No dia 17 de abril, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, denunciada pela Procuradoria Geral da República (PGR) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, postou no Facebook um vídeo[1] defendendo o ex-presidente Lula, condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. No vídeo, Gleisi consignou a seguinte descrição: “Recado para o mundo árabe pela TV Al Jazeera sobre a situação de Lula como preso político! #LulaLivre[2] ”

Imediatamente, as redes pegaram fogo por dois motivos: a empáfia de uma senadora denunciada por corrupção pela Procuradoria Geral da República maculando a imagem do Brasil no exterior reverberando mentiras para enxovalhar as instituições e conseguir liberdade para um condenado preso, bem como recorrer ao público de uma emissora de TV do Qatar, acusada de apoiar o terrorismo islâmico, ação esta considerada “ameaça à segurança nacional” por determinados juristas e parlamentares.

O debate inflamado dentro e fora das redes foi parar no Senado, tendo destaque a fala da senadora Ana Amélia, afirmando que o conteúdo do discurso infamante de Gleisi poderia ser enquadrado no artigo 8º da Lei de Segurança Nacional, que diz: “aliciar indivíduos de outra nação que invadam território brasileiro, seja qual for o motivo ou pretexto”.

Ana Amélia também discorreu sobre o apoio popular para a prisão de Lula e o ataque à imprensa, ao Judiciário e ao Ministério Público. Porém, a militância esquerdista recorreu à corriqueira tese de vitimização do mundo muçulmano para atacar a senadora em razão da seguinte colocação: “É possível que queiram o apoio do exército islâmico para livrar Lula da cadeia”[3].

Como não poderia ser diferente, a própria Gleisi acusou Ana Amélia de xenofobia e preconceito, sendo a mesma acusação utilizada contra todos aqueles que condenaram as palavras de Gleisi num canal de televisão extremista ao convidar “a todos e a todas a se juntarem conosco nessa LUTA”.

Parte da imprensa brasileira, cumprindo seu papel oficioso de “desinformação”  fez questão de anunciar que a TV Al-Jazeera não tem ligação com grupos terroristas[4] e os esquerdistas passaram a divulgar a nota de repúdio[5] do Instituto de Cultura Árabe, que num “nobre gesto” de taqiyya[6] (engano sagrado) protestou da seguinte forma: “Relacionar uma emissora de TV do mundo árabe a grupos terroristas, além de demonstração de desconhecimento em relação aos países árabes, é prática explícita de preconceito racial e xenofobia”.

Então, vejamos se Al-Jazeera é realmente esse “baluarte de virtude” que a instituição árabe defende… A propósito, como a direção da entidade irresignada está muito preocupada com o “desconhecimento em relação aos países árabes”, recorrerei a alguns dados não divulgados pela imprensa tupiniquim.

Deixando de lado a verborragia de certos grupos que nada sabem sobre o mundo muçulmano, os quais concebem toda denúncia contra o extremismo islâmico como “islamofobia”, cabe pontuar algumas “informações incômodas” para os defensores da senadora petista denunciada pela PGR.

Al Jazeera é uma emissora fundada em 1996 e financiada pelo Qatar, país que segue a diretriz fundamentalista islâmica e que vem sendo boicotado por outros países árabes devido acusação de “financiamento do terrorismo”, denúncia acatada pelos Estados Unidos embora tenha a maior base militar do Oriente Médio situada nesse território árabe[7]. O canal de TV é um dos mais populares do mundo árabe com audiência diária estimada entre 40 e 60 milhões de pessoas na região e sucursais em 130 países.

Porém, um fato curioso sobre a emissora é que mantém a velha estratégia de apresentar “discursos diferentes” para o público de fala árabe e o público do Ocidente que consome suas matérias em inglês. Talvez, por isso, a rede BBC tenha enganado seus leitores afirmando que” no início da década passada, a transmissão dos pronunciamentos de extremistas como Bin Laden irritou os EUA. Escritórios no Afeganistão e no Iraque foram atingidos por bombardeios americanos[8]”. Mas será que a “irritação bombástica” dos EUA teria sido pela simples transmissão da fala de um terrorista? Não é bem assim…

Conforme denunciado pelo jornalista Oren Kessler, cujo artigo intitulado “As Duas Faces da Al-Jazeera[9]” deveria ser leitura obrigatória para a imprensa brasileira, a linguagem de “resistência” (alusão aos companheiros ocidentais da aliança comuno-islâmica) e “martírio” ( jihadistas conhecidos como “terroristas” pelos “infiéis ocidentais”), continuam sendo a língua materna do canal. Assim, Bin Laden não era retratado pela emissora como terrorista responsável pela morte de quase 3 mil pessoas nos EUA, e sim como “astro incontestável” fazendo uso da “necessária jihad” contra os infiéis. Kessler informa que no Afeganistão, a narrativa da Al-Jazeera era semelhante à do perigoso grupo terrorista Talibã, retratando terroristas como “heróis muçulmanos mal equipados superando o invasor estrangeiro por pura coragem e fé”. Seria isso apologia ao terror islâmico? Na visão dos partidários do preso Lula, não!

E como há preocupação de se tomar conhecimento a respeito da vinculação ou não da emissora com grupos terroristas, parece-me que a imprensa brasileira anda “mal das pernas” ao “inocentar” Al-Jazeera sem informar seu público de que – na melhor das hipóteses – “há controvérsias”. Nesse ponto, é importante ressaltar que, não houve crítica no canal árabe e muito menos na versão do canal em inglês ao Qatar, considerado “pior Estado da região” no rastreamento de financiamento do terrorismo, de acordo com documentos diplomáticos dos Estados Unidos publicados pelo WikiLeaks. Será que não houve crítica por ser a emissora financiada pelo país que também financia terroristas? Com isso, sou obrigada a concordar temporariamente, em parte, com a extrema-esquerda e a imprensa: Al-Jazeera não tem ligação com grupos terroristas. Na verdade, ela é acusada de ser mantida por um “Estado islâmico que financia o terrorismo”.

E, se for “islamofóbico” demais expor informações públicas sobre “a suposta ligação” da Al-Jazeera com grupos terroristas, podemos ser “politicamente corretos” recorrendo à narrativa tendenciosa da BBC “amenizando” a notícia da seguinte forma: “Parte da polêmica em que a Al Jazeera se envolve faz parte da PERCEPÇÃO que SIMPATIZA com MOVIMENTOS EXTREMISTAS MUÇULMANOS. Ao se referir ao grupo autodenominado Estado Islâmico, a emissora usa a expressão “ORGANIZAÇÃO ESTATAL”, em vez da sigla Daesh, empregada em árabe para se referir ao grupo e que tem conotação pejorativa”. Logo, basta não acusar a emissora de “vínculo” com grupos terroristas sanguinários como o Estado Islâmico, frisando que apenas “simpatiza” com os “jihadistas/terroristas”. Dá para perceber o esforço da BBC de não usar o termo “terrorista” para categorizar como tal o ISIS? Suponho que siga parte da linha editorial da prestigiada Al-Jazeera para não ser acusada de “islamofobia”.

Um outro dado sobre Al Jazeera foi “esquecido” nas redes que não costumam aportar em jornais árabes e israelenses: além de “simpatizar” com grupo terrorista islâmico com “mania” de decapitar cristãos e muçulmanos apóstatas, reconhecendo-o como protótipo de “Estado”, a emissora veicula antissemitismo.

Yusuf al-Qaradawi, um dos mais respeitados teólogos sunitas e presidente da União Internacional dos Sábios Muçulmanos, famoso por defender doutrinariamente “atentados suicidas” legitimando-os como “uma das formas mais elevadas de jihad pela causa de Alá”[10], em suas apresentações no programa mais popular da TV Al- Jazeera, “Sharia e Vida”, utilizava discursos insidiosos contra xiitas, americanos e especialmente judeus, rezando: “Oh Alá, pegue esses judeus opressivos e bando de sionistas. Oh Alá, não poupe um único deles. Oh Alá, mate-os até o último”. Percebe-se o motivo desse “pacífico apresentador da Al-Jazeera” ter considerado uma “punição divina” o extermínio de 6 milhões de judeus por Hitler, afirmando que da “próxima vez”, a punição estaria nas “mãos dos crentes” (muçulmanos). A proposta genocida foi exibida na TV em janeiro de 2009. Mas, isso é uma “bobagem” que não assusta os partidários do ex-presidente preso! Afinal, qual o “problema” de uma TV árabe propor um novo Holocausto no contexto de milhões de “humanistas esquerdistas” que apoiam o grupo terrorista Hamas, fiel defensor da destruição do Estado judeu?

Por isso, o artigo do renomado professor universitário e jornalista palestino Dr. Adnan Abu ‘Amer, publicado no canal Al-Jazeera, defendendo o esfaqueamento de civis inocentes em Israel e outros atos de extrema violência contra judeus como atentados usando veículos atropelando pedestres, passa a ser apenas uma exitosa “propaganda de resistência”[11] sem causar qualquer aturdimento global por homens, mulheres e crianças que são brutalmente assassinados em nome da formação de mais um Estado Islâmico no Oriente Médio, leia-se, Estado palestino, que nasceria sem compromisso algum com a salvaguarda dos direitos humanos que os demais países muçulmanos usurpam dia e noite.

Por fim, considerando que em pesquisa de opinião realizada pelo canal Al-Jazeera, 81% do público assumiu que apoiava as “conquistas” do grupo terrorista Estado Islâmico[12], há que se reconhecer que embora muitos telespectadores árabes não sejam terroristas ou adeptos do extremismo islâmico, é inequívoco o entendimento que há sim, um perigoso “exército islâmico supranacional” que se filia ao que o Ocidente chama de “Islã radical”, visto como “Islã ortodoxo” pela Al-Jazeera. Dessa maneira, a senadora petista realmente não chamou à “luta” grupos terroristas, mas usou como instrumento de comunicação para seu “pedido de socorro contra uma democracia que cumpriu a lei prendendo um criminoso” uma TV árabe financiada por “Estado terrorista” que tem PARTE do seu público formado por extremistas “simpatizantes” do Estado Islâmico.

Independentemente do posicionamento de cada brasileiro acerca desse assunto, vejo que a PREOCUPAÇÃO da senadora Ana Amélia e demais parlamentares que se opuseram ao discurso insidioso de Gleisi, além dos cidadãos que estão recorrendo à Ouvidoria do Ministério Público[13] requerendo instauração de investigação, representa o justo interesse com a séria questão de “segurança nacional”, principalmente num cenário em que a imprensa não costuma veicular o expansionismo de perigosos grupos terroristas na América Latina. Em 2017, a descoberta pelas forças de segurança sul-americanas de um depósito da organização terrorista libanesa Hezbollah nos arredores da capital boliviana impediu os planos de ataque terrorista à Bolívia, Chile e Peru. O material encontrado possibilitaria a construção de  bomba de 2,5 toneladas[14]. Porém, a imprensa brasileira não deu atenção a mais uma das muitas evidências do terror implantado no continente há décadas.

Além disso, já foi noticiado pela imprensa a parceria do perigoso grupo terrorista Hezbolllah – financiado pelo Irã – com o narcotráfico brasileiro na figura do PCC de São Paulo, o que garante relações variadas no mundo do crime. Mas, essas atividades criminosas, a princípio, não causam nenhum “assombro” para a esquerda, desmerecendo a realidade de uma tríplice fronteira “insegura” e por demais “porosa”[15].

Desse modo, apesar dos governos árabes terem realmente tratado com descaso o pedido de engajamento na “luta” para libertar Lula, é insano ignorar os milhares de extremistas “simpatizantes” do Estado Islâmico e outros grupos terroristas na América Latina que são telespectadores da Al-Jazeera. Outrossim, se a senadora Gleisi Hoffmann tivesse escolhido uma TV árabe sem esse perfil antissemita e terrorista, nesse momento, não seria necessário conjecturar a “real intenção” da petista desesperada para libertar o preso que acreditou que iria paralisar o país com sua prisão celebrada por milhões de brasileiros.

Com tudo isso, uma “dúvida cruel” ainda paira no ar… Se Lula não teve capacidade de mobilizar o MST, MTST e outros movimentos para libertá-lo do encarceramento, teria sucesso com jihadistas estrangeiros?

[1] https://www.facebook.com/gleisi.hoffmann/videos/968699493307304/
[2] https://www.facebook.com/gleisi.hoffmann/videos/968699493307304/
[3] https://oglobo.globo.com/brasil/senadora-critica-video-do-pt-tv-arabe-provoca-discussao-no-senado-22605948
[4] https://noticias.uol.com.br/confere/ultimas-noticias/2018/04/19/a-al-jazeera-e-um-canal-de-tv-ligado-a-grupos-terroristas.htm
[5] https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/351895/Instituto-de-Cultura-%C3%81rabe-repudia-discurso-de-%C3%B3dio-de-Ana-Am%C3%A9lia.htm
[6] https://www.youtube.com/watch?v=BnUuA6zcWYM
[7] http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40413265
[8] . http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40481362
[9] https://www.meforum.org/articles/2012/the-two-faces-of-al-jazeera
[10] https://english.alarabiya.net/en/News/middle-east/2017/06/09/The-reasons-Qaradawi-on-the-top-of-Egypt-s-most-wanted-list.html
[11] https://www.memri.org/reports/aljazeeranet-article-praise-stabbings-vehicular-attacks-and-other-forms-resistance-israel
[12] https://www.jihadwatch.org/2015/05/81-of-respondents-to-al-jazeera-poll-support-the-islamic-state
[13] http://www.mpf.mp.br/para-o-cidadao/ouvidoria
[14] https://ecoandoavozdosmartires.wordpress.com/2017/03/20/cresce-ameaca-terrorista-na-america-latina-grupo-islamico-hezbolla-planejou-atentados-em-larga-escala-no-chile-bolivia-e-peru/
[15] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po0512201003.htm



Advogada, Internacionalista, Jornalista, Colunista no Gospel Prime, Raciocínio Cristão, e Blog Ecoando a Voz dos Mártires, Fundadora e Porta-Voz do Movimento Nacional pelo Reconhecimento do Genocídio de Cristãos e Minorias no Oriente Médio e Diretora-Presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires, que milita denunciando violações dos direitos humanos no mundo muçulmano objetivando fomentar conscientização humanitária para socorrer as vítimas da intolerância religiosa.

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