Altar, altar!

Deus fendeu o altar de Betel, para mostrar ao rei, e aos presentes ali, que Ele não estava com os olhos fechados quanto aos pecados de Israel.


Altar, altar!

A Bíblia Sagrada relata a história de um homem de Deus que não sabemos o seu nome. O texto bíblico apenas o chama de “homem de Deus” (1 Rs 13.1). Não temos conhecimento do motivo para tal omissão. Contudo, o que nos chama a atenção é o fato de um homem de Deus sucumbir diante de um cenário que se mostrava tão promissor. Contudo, neste texto iremos refletir sobre os pontos positivos do ministério desse profeta.

Após a divisão que houve entre o povo de Israel (1 Rs 12.1-25), Roboão ficou com apenas duas tribos (Judá e Benjamim); enquanto que Jeroboão passou a liderar o restante, ou seja, dez tribos. Após esse racha, dois reinos surgiram: o Reino do Norte (Israel) e o Reino do Sul (Judá). Todavia, dos dois reinos, o do norte se inclinou mais a idolatria, a começar por Jeroboão, que incentivou o povo israelita a adorar falsos deuses:



Pelo que o rei tomou conselho, e fez dois bezerros de ouro, e lhes disse: Muito trabalho será o subir a Jerusalém; vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito. E pôs um em Betel e colocou o outro em Dã. E este feito se tornou em pecado, pois que o povo ia até Dã, cada um a adorar. Também fez casa dos altos e fez sacerdotes dos mais baixos do povo, que não eram dos filhos de Levi (1 Rs 12.28-31).

Como podemos ver, Jeroboão contribuiu efetivamente para o desvio espiritual do povo de Israel (Reino do Norte). E é nesse contexto decadente que a Bíblia faz menção do “homem de Deus”. Observemos o que diz 1 Reis 13.1: “E eis que, por ordem do SENHOR, um homem de Deus veio de Judá a Betel; e Jeroboão estava junto ao altar, para queimar incenso. E clamou contra o altar”.

1 Reis 13.1 deixa claro que o homem de Deus era sensível à voz do Senhor: “E eis que, por ordem de Deus, um homem de Deus veio de Judá a Betel”. Deus havia falado com aquele profeta, assim como, nos dias de hoje, continua falando com os seus servos e servas, por meio de seu Santo Espírito (Jo 14.26). E, além de demonstrar sensibilidade à voz divina, o homem de Deus revelou ser obediente, pois, ao ouvir a ordem do Senhor, “veio de Judá a Betel”, ou seja, ao lugar em que deveria agir conforme a vontade de Deus.



E clamou contra o altar com a palavra do SENHOR e disse: Altar, Altar! Assim diz o SENHOR: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam sobre ti incenso, e os ossos de homens se queimarão sobre ti. E deu, naquele dia, um sinal, dizendo: Eis que o altar se fenderá, e a cinza que nele está se derramará  (1 Rs 13.2-3)

Com coragem, o homem de Deus clamou contra o altar de Betel, um altar construído para servir de adoração aos deuses estranhos. Por isso, Jeroboão ordenou que os seus servos prendessem o profeta: “Prendei-o!”. Porém, “a mão que estendera contra o homem de Deus secou, e não a podia recolher” (v. 4). Este fato aponta para o cuidado do Senhor. Quando estamos fazendo a vontade de dEle, não somos envergonhados.



Além da mão ressequida do rei, a Bíblia diz que o altar se fendeu, deixando sua cinza esparramar-se. Como dito acima, altar é lugar de adoração. Por isso, Deus fendeu aquele altar, para mostrar ao rei, e aos presentes ali, que Ele não estava com os olhos fechados quanto aos pecados de Israel. Deus não divide sua glória com ninguém! Em Isaías 42.8, está escrito: “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura”.

Após ver sua mão deficiente, o rei desesperou-se, implorando ao homem de Deus que orasse para que Deus a restaurasse. E o que fez o profeta? Orou pelo pecador: “Então, o homem de Deus implorou o favor do SENHOR, e a mão do rei se lhe recolheu e ficou como dantes” (v. 6). Que maravilha! A atitude do servo do Senhor ensina-nos que devemos orar por aqueles que nos perseguem (Mt 5.44).

Com o braço curado, Jeroboão convidou o profeta para se alimentar no palácio, prometendo-lhe uma recompensa. Entretanto, ouviu a seguinte resposta: “Ainda que me desses metade da tua casa, não iria contigo, nem comeria pão, nem beberia água neste lugar” (v. 8). Com isso, entendemos que o homem de Deus não era avarento, e que tinha um objetivo claro: cumprir a missão que havia recebido do Senhor.

Atentemos para os acertos desse profeta e reflitamos sobre eles, porque, no próximo escrito, se Deus permitir, daremos continuidade à história. Contudo, enfatizando os erros que o levaram a sucumbir diante do “profeta velho”.



João Paulo Souza

João Paulo Souza

32 anos, casado com Marcela Souza, assembleiano, pedagogo e pós-graduado em Coordenação Pedagógica.


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