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Bandido bom é bandido morto… e nascido de novo

Não é fácil perdoar à violência. E por indignação, queremos que a violência seja respondida com violência.


Bandido bom é bandido morto
Bandido bom é bandido morto

O Cristianismo, às vezes, fica um pouco turvo quando tratamos de política. Os princípios Cristãos de amor, perdão e tolerância, que pelo menos deveriam ser o centro da mensagem de qualquer pregação, são maculados pela dura realidade do cotidiano. Vivemos mergulhados em tanta violência, que às vezes fica difícil não se afogar nela e acabar cuspindo de volta o que nos sufocou.

Lembro-me até hoje de quando cheguei em casa à noite, após o ensaio da banda da igreja, e dei de cara com uma arma caseira calibre 12, apontada para os meus olhos. Minha meia irmã e o namorado já estavam rendidos no quarto. Alguém falou para aqueles ladrões que meu pai guardava dinheiro em casa. Para a surpresa deles, não havia sequer uma TV moderna na nossa casa, só de tubo. Graças a Deus, nenhum mal nos sucedeu naquela noite, e no dia seguinte a Polícia localizou todos os bens levados.

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Não é fácil perdoar à violência. E por indignação, queremos que a violência seja respondida com violência. “Bandido bom é bandido morto!”, “Tem que se ferrar, mesmo!”, “Bate! Prende! Mata!”, “Um a menos pra incomodar…”. Mas será que é isso que Deus nos chamou para fazer? Será que é isso que é difundir o Reino de Deus na Terra?

Já dizia CS Lewis, “Ser Cristão é perdoar o imperdoável, porque Deus perdoou o imperdoável em você.” Talvez os que bradam com tanta energia o julgamento e a punição não tenham entendido a justificação que recebemos. Queridos, “Vocês [nós] estavam mortos em suas transgressões e pecados. […] Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo” (Efésios 2.1, 4-5a NVI), pois “como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3.10 NVI).

Perdoar é ter fé que os planos de Deus para os delitos e transgressões são mais eficazes que os nossos. Ou somos nós superiores a Deus? Nós, a sociedade, é que sabemos lidar com transgressores, Deus é um ingênuo romântico que não sabe nada da vida real? Será? Vejamos alguns dados:

A Noruega é hoje um dos melhores lugares do mundo para se ser preso. Lá, algumas prisões parecem hotéis, com quarto individual, ar-condicionado e tempo de internet por bom comportamento, outras são colônias agrícolas super amistosas. Contudo, segundo matéria da BBC, “A taxa de reincidência criminal na Noruega é de 20%, a mais baixa do mundo. Em outros países, como o Reino Unido, chega a 46%, e nos EUA 76% das pessoas que deixam a prisão voltam nos cinco anos seguintes.” Qual modelo é mais sensato se seguir?

O que é mais importante? Que o preso seja punido cruelmente, como uma vingança para as vítimas, ou que ele passe por um processo de recuperação? Devemos amar os nossos inimigos, ou militar por sua obliteração? Quem tem a razão: Jesus ou nós?

Senhores, é hora de encarar a realidade: nossas prisões são terríveis, desumanas, superlotadas e insalubres, sem condições dignas, e estão formando monstros. Entra ladrão, sai assassino. E o que é pior: Cristãos estão apoiando essa fábrica de monstros, e o fazem com sede de vingança. Onde está o sentimento Cristão?

Você sabe por que a reincidência na Noruega é tão baixa? Porque os presos recebem Graça. Acredite, Deus sabia o que estava fazendo quando enviou seu Filho para redimir os pecadores depravados que nós éramos. Deus sabia que o amor e a compreensão nos regenerariam e nos levariam para mais próximos d’Ele, mais próximos do bem.

Agora, se uma graça tão falha e rasa quanto a graça humana, oferecida pela autoridades norueguesas, tem resultados tão ótimos, imagine por um momento o que a Graça divina de Cristo, que nós carregamos, pode fazer com o mundo em que vivemos. Bandido bom é bandido morto e nascido de novo, como Nova Criatura, arrependida, Filho de Deus, inculpável. Evangelizemos, com amor e Graça, então.

Eu creio e oro para que os Filhos de Deus, Cristãos (do grego, pequenos Cristos), espalhem o Evangelho, as boas novas de esperança por essa nação, para que não só bons cidadãos, mas bandidos também, assassinos, corruptos, traficantes e toda sorte de criminosos de nosso país sejam impactados por nossa expressão de perdão e amor, como eu fui impactado pela expressão de perdão e amor do Pai para comigo, pois mesmo quando eu estava morto, perdido em meus pecados, mesmo quando eu Lhe neguei, Ele estava lá para mim.

Hoje, pela Graça de Deus, sou pastor na Igreja Palavra Viva, porque um homem de Deus chamado Bp. Pedro Flori Ramos enxergou além dos meus erros e defeitos, mas rogo para que eu nunca esqueça o que Deus fez por mim, para que eu sempre faça o mesmo pelo próximo, mesmo pelos que me façam mal; sem orgulho, sem sentimento de superioridade, mas com o mesmo amor e ternura com que Cristo me olhou.



Filippe D. de Souza

Filippe D. de Souza

Pastor e líder de voluntários na Igreja Palavra Viva, advogado, formado em Direito pela UFSC, cursando Teologia livre pela Unigrace.


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