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Certas castas só se expulsam com jejum e oração

Deltan Dallagnol é o alvo da vez no cenário político brasileiro – e olha que ele nem político é.


Deltan Dallagnol
Certas castas só se expulsam com jejum e oração

Após publicar numa rede social que estaria orando e jejuando para que o pedido de habeas corpus em favor do ex-presidente Lula fosse rejeitado pelo colegiado do STF – o que, para ele, que denunciou o esquema de corrupção engendrado pelo Partido dos Trabalhadores mancomunado com outros partidos da base aliada era um sinônimo de que a justiça fosse feita – recebeu uma enxurrada de críticas e comentários ofensivos e repletos de ódio por parte de esquerdistas que consideraram sua postura uma afronta ao conceito de Estado laico.

Temos de refletir não sobre a reação violenta daqueles que usam o termo “discurso de ódio” para absolutizar as próprias narrativas e reduzir a nada todo pensamento divergente. Temos de refletir sobre o mal da corrupção que se instalou em grande parte das consciências humanas no país, fazendo com que, do troco errado não devolvido ao esquema de propina via empresa pública, toda a nação chegasse no estado em que se encontra hoje: num completo caos moral, econômico e político.

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Será que é uma atitude tendenciosa tornar público um pensamento ou um ato cristão, na tentativa de influenciar outros que pensam igual a fazer o mesmo?

Tenho pra mim que o país está sendo assolado pelo “demônio da corrupção” há séculos, e nenhuma oposição ou resistência espiritual tem sido manifesta de forma consistente na história recente desta República. Muitos querem sanar as afrontas e injustiças do sistema por vias naturais, quando não percebem que é o coração humano a fonte de todos estes males e a ação de Satanás sobre as mentes destes que determina todo este contexto de miséria, corrupção, violência e morte.

Quem de fato está orando pelos “reis e autoridades”, segundo a orientação apostólica de 1 Timóteo 2? Quem está de fato chorando por toda essa degradação social que tem tornado homens em monstros de terno ou de toga, onde tomam decisões perversas e maquiavélicas que favorecem a impunidade estrutural e o roubo destemido do dinheiro do contribuinte?

Jesus nos disse que certas lutas espirituais e certos opositores não se vencem sem um contexto prático do jejum e da oração. E o jejum comunitário pode ser estratégico numa batalha espiritual tão ampla. É nítido na história dos evangelhos que ele, Jesus, verdadeiramente humano como é, lidou com o próprio Diabo somente após dias e mais dias em jejum e buscando o poder do Espírito Santo através da oração. Muitos de nós preferimos um textão no Facebook a colocar o joelho no chão e o rosto no pó em favor do próprio povo, de sua família ou cidade.

Muitos reclamam, poucos oram; pouquíssimos jejuam.

Dallagnol, a meu ver, agiu no espírito público coerente com a premissa protestante que compreende a grande urgência em torno de tais decisões como a de ontem no Supremo Tribunal Federal. Assim foi com Ester e o povo judeu, também no contexto nacional do profeta Joel e ainda a narrativa histórica dos dias de Neemias. Sempre que o povo de Deus precisou de enfrentar grandes desafios para além das dimensões naturais, o jejum foi convocado.

No entanto, vejo que há uma confusão até mesmo entre alguns cristãos, como se o procurador tivesse de se fragmentar existencial e civicamente a fim de não desagradar a pequena ala ateísta da sociedade. Todavia, entendo que todo cristão deveria ter jejuado e orado ontem, bem como deveria fazê-lo com mais frequência nestes dias, pois eu preciso afirmar que o Lula, por mais que tenha se envolvido nesta corrupção abusiva das últimas décadas e se beneficiado em diversos esquemas criminosos, ele ainda não é o nosso real inimigo –, e o nosso real inimigo continua militando contra o povo da Cruz e usando, entre outros, os Três Poderes para este intento.

Lembre-se que a nossa luta não é contra pessoas. A nossa luta é contra Satanás e suas hordas malignas. Enquanto alguns ficaram no desespero da condenação de Lula ou na plena celebração por entender que mais um bandido irá para a cadeia (assim espera-se que aconteça), o povo comprado pelo sangue de Jesus tinha de conclamar mais jejuns e clamores públicos e coletivos, a fim de que os demais corruptos sejam investigados, julgados, condenados e presos e que a sociedade encaminhe melhor o país nas próximas eleições, votando com consciência e não somente por interesses pessoais.

Sendo que o nosso jejum deveria ser e existir, principalmente, porque o verdadeiro inimigo continua solto e agindo ferozmente contra nós.

Os verdadeiros intolerantes, estes que usam o discurso em favor da tolerância e do respeito [mas apenas quando você concorda com eles], não passam de fazedores da barulho nas redes sociais. A gente precisa entender que estamos numa guerra maior, onde existe ainda um inimigo mais poderoso e mortal, que pode nos destruir de fato: o nosso coração, que é enganoso e perverso.

O Brasil está muito longe de ser um país mais justo, seguro e próspero. Espero mesmo que o povo de Deus leve mais a sério a necessidade de se buscar um avivamento e clamar pelo avanço do reino de Deus, pois disso depende não apenas o nosso futuro, mas também o futuro dos nossos filhos e netos.



32 anos, é casado com Ana Talita, bacharelando em Teologia pela Unigranrio e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, trabalha no ministério de adolescentes da Igreja Batista Betânia e no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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