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Como nascem as heresias

Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade...


Como nascem as heresias

As heresias nasceram talvez da fé numa interpretação ou talvez da vaidade e da corrupção do coração do homem. No tempo dos apóstolos, as igrejas cristãs estavam em formação, e ainda não havia problemas com heresias nascidas dentro deste movimento cristão, chamado de igreja, apesar de que alguns autores costumam chamar de seitas as vertentes judaicas, grupos de fé ou de costumes, que se afastavam entre si, e também se acusavam entre si, com as alegações de desaproximação da Tanach (a Lei Mosaica, Os profetas e Escritos) em virtude de apostasias ou heresias (erros voluntários ou involuntários na prática da fé judaica, e depois cristã).

A igreja experimentaria as diversidades de estilos da prática da fé judaica no Deus Criador. Afinal, foi do judaísmo que nasceu a igreja cristã. Com isso a igreja seria herdeira de algumas heresias que já estavam se movimentando e já estavam colocadas em prática ainda antes do surgimento dos apóstolos, visto que o povo de Deus, em sua história, já havia se relacionado com o paganismo. Porém, nem tudo era tão herege para a igreja, pois ela ainda iria ser formada. Mas, na sua carreira apostólica, vários foram os combates da igreja em defesa da fé. Isso iremos lembrar em cada linha deste artigo. Desejo uma boa leitura!

Existiam ao menos quatro ramificações do judaísmo que influenciariam ou perseguiriam a igreja nos seus primeiros séculos de vida ou vice versa. Os principais ramos ou estilos de crenças eram Fariseus, Saduceus, Essênios e Zelotes, os quais resumidamente serão descritos neste artigo.

  • Os Fariseus, grupo de crença judaica que se dedicavam à Lei Mosaica (lei escrita) e também às tradições repassadas de pai para filhos (lei oral). Eram líderes populares entre os judeus. Havia uma subdivisão de escolas rabínicas entre os fariseus. Uma delas era a escola de Hilel (60 a. C.), por onde passaram Gamaliel e também Paulo. Ben Dereck escreveu que esta escola farisaica era de padrão mais compassivo e hospitaleiro, possuía um número pequeno de alunos. A outra escola rabínica era a escola de Shamai, essa era mais antiga, surgida no ano 50 a.C., e possuía um número substancial de alunos, porém, foi esse estilo de escola e comportamento farisaico mais hostil e com atitudes hipócritas que Jesus confrontou pessoalmente. A escola Shamai era mais severa e inflexível para com o povo e estrangeiros. E, não praticavam a carga de lei que ensinavam.
  • Os Saduceus formavam um grupo de crença judaica que não concordavam com as tradições e lei oral que os fariseus praticavam em detrimento da Lei Mosaica. Também não criam na ressurreição e herança após a morte. Por isso foram confrontados por Jesus. Eram um tanto céticos quanto às Escrituras, apesar de que eram muitos religiosos. Era uma classe política muito influente na sociedade judaica por causa da aproximação com gregos e romanos.
  • Os Essênios eram grupos judaicos que se afastavam dessa discussão relacionada aos desvios da fé, políticos ou mesmo de comportamento, e na sua maioria preferiam viver isoladamente nos desertos em comunidades isoladas. Dividiam os poucos recursos que tinham entre si. Eram discretos, compassivos entre si, e de vida muito simples. Esse grupo se dedicava às orações e praticava obsessivamente o batismo como um ritual de purificação importante, porém diferente do significado que conhecemos hoje. Há relatos de que esse grupo tinha experiências com seres angelicais. Os historiadores dedicam a provável autoria dos Escritos do Mar Morto aos essênios. Alguns estudiosos relatam que tanto Jesus, quanto João Batista, andaram com os essênios na juventude. (Atos 18:25).
  • Os Zelotes surgiram do movimento de revolta liderado por Judas (não o Iscariotes) contra as políticas romanas sobre o povo judeu. Este grupo não divergia muito religiosamente dos fariseus, mas era um grupo mais preocupado com guerras e conflitos políticos. Foi esse movimento que inflamou os romanos a destruírem de vez a cidade de Jerusalém.

O surgimento do Cristianismo

É bem no meio desses movimentos de fé que surge mais uma vertente do judaísmo, chamado pelos romanos de Caminho, conhecida depois pelo mundo inteiro como “Cristianismo”, vertente judaica de onde veio Jesus, e de onde surgiu a igreja, aquela que logo em sua formação foi considerada como “os seguidores do Caminho” (Atos 9:2; Atos 24:14 e João 12:6). Jesus se apresentou aos seus seguidores como o Filho de Deus, o descendente de Davi, o Caminho, a Verdade e a Vida. Estes seguidores de Cristo logo se desligaram dos ritos judaicos, e apresentaram ao mundo as Boas Novas de Salvação, que fora pregada pelos profetas, sobretudo por Isaias. Os fariseus considerariam o Cristo prometido como mais um líder de revolta contra a Lei e os costumes judaicos, ou seja, um líder de seita (judaica). O cristianismo, segundo os principais dentre os judeus, seria mais uma seita depois dos zelotes, a mais nova dentre os que receberam a lei de Deus, os hebreus. Esse Cristo, o mundo conheceria melhor no futuro, e principalmente, no fim dos tempos.

Em vista das divisões de conceitos e crenças que precederam a fé apostólica, no século I, aquelas que já estavam acontecendo dentre o povo judeu, obviamente ocorreriam vários conceitos, erros, confusão ou heresias que se difundiriam no surgimento e crescimento da igreja, no tempo dos apóstolos de Cristo. E estes tiveram muito trabalho para combatê-las, uma vez que as vertentes judaicas existentes fossem elas da parte dos fariseus (e zelotes), saduceus ou essênios, estavam sendo questionadas ou revisadas ou como se fala na linguagem de hoje, havia nova versão das Leis e Mandamentos. Era Jesus chegando e fazendo uma verdadeira reforma no reino Dele e de seu Pai, o Eterno.

Os ensinos do Messias prometido de Israel, e que estavam sendo replicados pelos apóstolos no primeiro século, foram sendo comprometidos nos séculos seguintes pelos romanos, e também pelos judeus convertidos. Por exemplo, hoje no judaísmo se pratica mais o Talmud, que é um conjunto de normas contextualizada, escritas por rabinos contemporâneos do que a própria Lei dada diretamente por Deus. Apesar de que a ortodoxia oriental combateu muitas heresias da igreja nos séculos que antecederam a reforma cristã, até hoje continuamos a combater o bom combate. Já a igreja ortodoxa do oriente desvinculou-se da igreja romana no ocidente, no cisma do século XI, depois de uma reforma na fé, e a igreja protestante surgiu de uma outra reforma dentro das práticas da fé igreja romana, no século XVI. Por causa das heresias, sobretudo as novas heresias, e também as apostasias de nosso tempo, a igreja protestante precisa urgentemente de uma reforma evangélica em nossa era. Tudo, porém, surgiu com os hebreus, desde Abraão, como já falamos em outros artigos.

O bom combate da igreja primitiva

Antes do surgimento da igreja romana, muitos discípulos que o apóstolo judeu Rav. Shaul (hoje conhecido como Paulo) ensinou, o abandonaram nas horas de suas maiores aflições na carreira, para seguirem às fábulas judaicas. Com a idade já avançando e as forças lhes escapando, estava chegando a hora de poder contar com os mais jovens. (2Tim.4:16).

Então, entre uma prisão e outra, ele confia parte de seus conselhos pastorais, de fé e estilo de vida em santidade para ao menos três amigos leais ao serviço apostólico, e fiéis ao Evangelho de Cristo, para a continuidade do serviço dado aos apóstolos, e a sustentabilidade da fé, no caminho, na verdade e na vida. Um desses discípulos lembrados por Paulo, além de Tito e Marcos é Timóteo. Lucas ainda permanecia com Paulo. Isso remonta aproximadamente aos anos de 62 a 67 d.C., antes de seu martírio pelo romano Nero.

As primeiras recomendações de Paulo ao companheiro de lutas foram sobre o cuidado com as heresias e as apostasias na igreja que se formava, mas que também, se dividia por causa de falsos mestres e falsos ensinos, que misturavam regulamentações da Lei Mosaica e especulações do Gnoticismo pagão, através de misticismos e especulações filosóficas que confundiam os filhos de Deus. Isso não acabou. Em nossos dias, a leitura do capítulo 4, da primeira carta a Timóteo, o apóstolo vai alertar assim:

Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;
Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”. (Tim. 4)

E, dentre outras coisas, continuou:

“… Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade”. (1 Timóteo 4:1-7)

Judaísmo e Cristianismo do primeiro século

Desde os tempos apostólicos sempre houve ensinos e tendências diversas na fé em Deus. O erro e a heresia sempre se fizeram presentes.

O mais conhecido dos problemas nos primeiros tempos da Igreja talvez seja a controvérsia judaizante que Lucas trata em Atos 15. Paulo teve que lidar e combater os judeus convertidos ao cristianismo que queriam que os gentios se tornassem judeus para alcançar, de fato, a graça da salvação. Era uma teoria de que para se tornar cristão, teria que se tornar judeu, algo meio confuso, mas fazia sentido para aquele tempo.

Porém, isso contradizia o ensinamento de Jesus. Em sua carta aos Romanos e Gálatas ele rejeita tal proposição e apresenta seus argumentos para ensinar as Boas Novas de Salvação, pela fé em Jesus, uma mudança na mente, e não mais pela circuncisão judaica, que era um ato que aliançava os judeus a Deus.

Os demais autores do Novo Testamento também lidaram com mestres heréticos. Judas, Pedro e João os denunciaram e os combateram.

Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré.
Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas;
Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas. (Judas 1:11-13)

E, continua Judas:

Estes são murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes, admirando as pessoas por causa do interesse.
Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo”
(
Judas 1:16,17)

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Enquanto Paulo escrevia a Timóteo, também alertou a Tito que se preocupasse com essa raça de víboras, como disse o próprio Mestre Jesus:

“Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.
Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão,
Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância.
Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos.
Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé.
Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade”
(Tito 1:9-14)

O Apóstolo Pedro, em sua segunda epístola, deixa muito bem definido o assunto sobre os falsos profetas e ensinos corruptos:

Assim como também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.
E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.
E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. (
2 Pedro 2:1-3)

Conclusão

As heresias afastaram os discípulos de Cristo de seu Mestre, a igreja de sua Cabeça e os filhos de Deus, de seu Pai. Elas surgiram muito antes da igreja haver nascido como a conhecemos hoje.

A história e o Novo Testamento Bíblico nos mostram que o principal objetivo da Igreja Primitiva era a submissão total aos ensinamentos dos apóstolos, que era uma reprodução dos ensinos de Jesus, a Vontade do Pai, a qual já houvera sido sinalizada pelo profeta Isaias. Desta forma, eles definiram o caráter daquilo que é chamado hoje de cristianismo.

Em termos terrenos, o cristianismo, que nasceu do judaísmo, e foi desacreditado por judeus, romanos e gregos, não atendeu aos planos dos governantes humanos, mas se perpetuou primeiramente através dos apóstolos da igreja primitiva, vencendo várias investidas de seus algozes. Muitos de seus inimigos eram hereges querendo sustentar os seus erros ou mesmo as suas vaidades judaicas.

No plano de Deus, contudo, não existe judaísmo, cristianismo, catolicismo, ortodoxia ou protestantismo. Na verdade, na verdade, o que os profetas anunciaram e o Filho de Deus ratificou é a proclamação de um reino eterno que Deus deseja compartilhar com todos os homens de todas as nações, raças, tribos e línguas, que se arrependerem de suas vaidades. As heresias nasceram de acordo com as vaidades de cada líder ou grupo de líderes. Vaidades de vaidades como falou Salomão. Alguns, tentando acertar erraram. Outros desejando viver no erro se perderam para sempre. E, outros, desejando ardentemente acertar o Caminho, o encontraram e foram encontrados por Ele.

No próximo artigo iremos continuar conhecendo mais grupos que se opuseram ao Messias, mas não conseguiram derrotá-lo. Heresias como gnosticismo, marcionismo, monarquianismo, sabelianismo, maniqueismo, adocionismo, pelagianismo, donatismo, iconoclasmo, docetismo,  nestorianismo, apolinarianismo, eutiquianismo, monotelistismo, albigenses. A maioria dessas “teorias” colocavam em dúvida a natureza de Deus, de Cristo, ora duvidando de sua  divindade, ora de sua encarnação entre os homens.

Até lá!



Fundador das Missões Adore, a Escola do Reino no Brasil, Com quase 40 anos de vida cristã, Claudinho, é escritor, professor voluntário, músico e conferencista. Tem formação em teologia, missiologia, ministério pastoral, apostólico e capelania prisional. Membro do Conselho de Pastores de SP. #QueVenhaoTeuReino

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