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Como se forma um lobo devorador

Normalmente, estas igrejas funcionam com um esquema que estimula...


Como se forma um lobo devorador

As igrejas cristãs católicas e evangélicas, em geral, têm sido grandes agentes de transformação pessoal e social, uma vez que o poder do Evangelho genuíno tem sido manifesto na vida daqueles que são por ele alcançados. Milhões de pessoas são transformadas pelo poder do Evangelho, trazendo impactos altamente positivos para a sociedade em geral.

Contudo, há uma ala da igreja evangélica brasileira que a despeito de seu crescimento numérico, fomenta um sistema inútil e tosco de ambições e privilégios por parte de obreiros e lideranças. Esta ala trata-se de algumas igrejas pentecostais e, provavelmente, a esmagadora maioria das igrejas neopentecostais [talvez haja, remotamente, algumas igrejas reformadas]. Muitos dos adeptos destas igrejas seguem ingenuamente enganados pelos lobos devoradores que se valem do poder da Palavra de Deus, para fins interesseiros e egoístas. A crítica, portanto, se refere diretamente às lideranças deste sistema podre travestido de igreja, não a sua membresia.

Normalmente, estas igrejas funcionam com um esquema que estimula a sede pelo poder, pelo status e pelo sucesso ministerial. O discurso pomposo nos púlpitos destas igrejas, a ostentação dos bens pela liderança bem sucedida e, a instigação dos membros a servirem a Mamom, mais do que ao Senhor Jesus, são aspectos fundamentais para que a ganância seja despertada e alimentada por parte dos seus membros.

Tais igrejas têm uma liturgia centrada em milagres, curas, libertação e exorcismos como fins em si mesmos. A centralidade do Evangelho, infelizmente, não faz parte da agenda destas igrejas. O tempo de louvor toma quase todo o tempo da liturgia em detrimento do tempo da Palavra que é mínimo. Isto se deve, em muitos casos, pela própria falta de zelo e preparo em relação à mensagem pregada, de forma que os termos exegese e homilética, nem passam pela cabeça dos pregadores destas igrejas. Pregação expositiva? Nem se fale… Em muitos casos, quando o tempo de pregação nestas igrejas é estendido, o mesmo ocorre por conta das “profetadas” ou pelas estratégias emocionais de apelos de contribuição financeira.

Não obstante, o membro mais ambicioso vê estas lideranças e suas pompas com altas regalias, como um alvo a ser atingido. Então, ele passa a fazer uso do “uniforme-padrão”, ou seja, do terno e gravata, a fim de que seja notado como um líder em potencial na congregação. Mais do que isso, em muitos casos, o mesmo começa a se utilizar do modus operandi que denota certa espiritualidade, a saber, falar em “línguas estranhas” além dos demais trejeitos característicos do ambiente neopentecostal. Aos poucos este membro é destacado dos demais, não por sua verdadeira piedade, nem pelo seu conhecimento das Sagradas Letras, mas por suas ações exteriores, a exemplo dos fariseus neotestamentários, que se encaixam no estereótipo da pérfida cúpula destas igrejas.

Aliás, o conhecimento das Sagradas Letras, assim como o apóstolo Paulo incentivava o seu discípulo Timóteo, passa longe deste tipo de igreja e de deus adeptos. Neste meio, o conhecimento de Deus que nos leva a uma vida de verdadeira piedade é relegado a segundo plano. Até porque, bastam alguns pulinhos, gestos estranhos e uma fala enrolada sob o pretexto de línguas estranhas, que tal pretendente aos cargos ministeriais, a despeito de uma “vida torta”, é logo tido como um obreiro em potencial.

A fim de angariar algum tipo de cargo eclesiástico, este membro se submete a liderança desta igreja, em muitos casos, servindo a esta liderança aproveitadora mais do que à sua própria família, fazendo-a sofrer em nome de sua ambição egoísta. Na ânsia da obtenção de uma posição de destaque, se torna aquilo que no meio corporativo é chamado jocosamente de “puxa-saco”. Ou seja, ele percebe de forma astuta e gananciosa qual dos líderes pode fazer com que ele conquiste a posição desejada e, vai para cima dele passivamente custe o que custar.

Nos bastidores do poder e da manipulação o trainee, aspirante a presbítero ou dirigente de congregação, é treinado acerca das formas de manipulação das massas por meio de cultos e campanhas que visam mais escravizar as almas cansadas e deprimidas pelas dificuldades da vida, do que propriamente apresentar o Cristo crucificado a elas. Na verdade, o Cristo crucificado, do qual o apóstolo Paulo pregava e expunha em suas cartas, nada tem a ver com esta trupe dominada pela religiosidade farisaica.

Um nojento ambiente de bajulação em torno de pastores-presidentes toma conta deste tipo de igreja. A sede por tornar-se um pastor de igreja e, até mesmo, um integrante da liderança de um determinado campo ou regional é algo de dar inveja até mesmo às disputas no meio empresarial. Enquanto isso, muitas das almas sedentas por preencherem seus vazios existenciais com o Evangelho de Jesus Cristo, são induzidas a buscar os milagres, curas e libertações como fins em si mesmos. Para isso, em muitos casos, pessoas que possuem parcos recursos financeiros são submetidas por meio do medo ou da ganância a entregarem praticamente todas as suas posses à igreja que, diga-se de passagem, não é a Igreja de Deus.

Aquele que era um obreiro em potencial, ao se tornar um integrante do “baixo clero”, se anima de forma voraz com a nova posição de destaque, posando como uma espécie de personalidade gospel, alimentando por meio de selfies, vídeos e likes, o seu ego maquiavélico que é aplacado em sua própria consciência, ao dizer a si mesmo que tudo o que faz o faz em nome de Jesus Cristo.

Em meio a fotos e publicações nas redes sociais, promovendo a si mesmo e exaltando seus líderes, tal aspirante à liderança ministerial mantém a sua sanha pelo poder se valendo de todo e qualquer artificio maligno, desde fofocas e desabafos via púlpito, para manipulação dos fieis e para a manutenção do seu projeto de poder. Qualquer um que fale de modo contrário ou que confronte as heresias presentes na cartilha maligna operada por eles, é tido como rebelde e endemoninhado, sendo rapidamente lançado como uma carta fora do baralho. Quando este lobo em potencial alcança a posição almejada, através de meios diabólicos, temos então, neste caso, aquilo que podemos chamar de “a genealogia do poder” no meio “gospel”, ou seja, como se forma um lobo devorador.

Como dito no inicio, graças a Deus, mediante o Seu filho Jesus Cristo que muitas igrejas têm se mantido fieis à causa do Mestre. A despeito das falsas igrejas e de seus falsos líderes, a verdadeira Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo, segue triunfando na luta contra o pecado e na expansão do Reino de Deus.

Que Deus nos ajude a discernir entre igrejas e “igrejas”, entre pastores e “pastores”. Que a nossa caminhada cristã esteja pautada no verdadeiro Evangelho para a glória de Deus. Quanto aos lobos devoradores das lãs das ovelhas, deixemos que o Pastor por excelência cuide deles.



Apologista cristão por vocação. Formado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista Independente de Campinas-SP; estudante de Filosofia na PUC-Campinas-SP; e Sócio da Evolução Consultoria. Marido da linda Edilaine, e pai da Giovanna e do Vinícius.

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