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Contra a falta de método da crítica à teologia pentecostal

Os teólogos são reflexo do descalabro no ensino brasileiro e de certa forma o que acontece no ocidente.


Contra a falta de método da crítica à teologia pentecostal

Já fiz resenha nesse site sobre um livro que ensina seminaristas como permanecerem cristãos no seminário, justificando essa afirmação da ideologização e submissão ao secularismo que os teólogos têm adotado atualmente (Mathis, D., Parnell, J. – How to Stay a Christian in Seminary – EUA, Crossway, 2014). Parece algo absurdo, mas o livro é reflexo de preocupações justas e coerentes que devem ser levadas em conta por aquele interessado em frequentar um seminário.

Tornar-se fiel aos seus princípios ou converter-se a alguma ideologia pregada a partir mesmo do seminário.

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Desde o surgimento do idealismo alemão com o liberalismo teológico, tem início a pauta influenciada por esses pensadores que passam a questionar descaradamente a autoridade da Bíblia. Começam com tecnicismos a respeito da inspiração, iluminação, intuição etc que vai evoluir até desembocar em Rudolph Bultmann e Shubert Ogden representantes característicos da visão demitizante da Bíblia (neo-ortodoxia).

Uma das correntes do pensamento teológico que mais mal tem causado à igreja nos últimos tempos. Esses dois teólogos – sendo Bultmann comprovadamente considerado ateu segundo o teólogo brasileiro Franklin Ferreira sugere em sua Teologia Sistemática – defendiam que a Bíblia foi escrita em linguagem mitológica e que é tarefa do cristão demitizá-la, a saber, despí-la de seus componentes lendários, mitológicos e descobrir o conhecimento existencial a ela subjacente.

Não raro, as críticas que se desenvolvem contra a teologia pentecostal tem a ver com o descolamento desta com as perguntas que esses fazem por influência da filosofia, submissos e corrompidos pelas ideologias esquerdistas. A teologia pentecostal responde às perguntas relativas à sua esfera. Seus críticos pretendem e a julgam por se calar diante dessas perguntas separadas de seu contexto e alçada. É como exigir que um advogado saiba fazer cirurgias.

Dada a condição da educação no Brasil, com um altíssimo índice de analfabetismo funcional, segundo o Inaf (Índice do Analfabetismo Funcional – pessoas incapazes de realmente ler, apenas adivinham, e adivinham muito mal, o que estão lendo), esse exército de teólogos do Google e Facebook, dispõem única e tão somente desses dois meios de pesquisa, com os quais se acham qualificados para refutar argumentos baseados meramente em platitudes de citações soltas, não porque revelam uma nova ideia ou realidade, mas tão somente porque é possível montar um simulacro que sustente suas ideias pré-concebidas, sem nenhum nexo com os fatos.

Nenhum deles se dispõe a dialogar com aqueles que divergem de suas ideias. Vivem na bolha de concordância, ou como dizem nos EUA, seus “safe places“, onde não há contraditório e são felizes para sempre.

Tenho visto alguns temas sendo debatidos com essa “rigorosa” metodologia e sem nenhuma proposta coerente oferecida. Apenas versículos que tocam os temas superficialmente. Nada de rigor, método, livros de autores diversos, artigos ou trabalhos científicos que o valham.

Me lembro de um professor de filosofia inglês que fez seu doutorado na UFSC, que dizia que o que mais chamou sua atenção nos pesquisadores do Brasil é que praticamente 100% dos mestrandos ou doutorandos escolhiam seus autores exatamente por concordarem com suas ideias e que era raríssimo encontrar algum aluno que tenha se levantando para debater o tema e refutar a ideia do autor em questão.

Como exemplo basta fazer uma pesquisa sobre Foucalt ou Sartre. Esses autores de extrema esquerda são praticamente unanimidade no meio acadêmico. Ninguém ousa questionar a fundo o que eles propõem; não há debate, há apenas a disseminação bovina de suas ideias.

Para esses teólogos estéreis, o que importa é o que pensam e não o que acontece na realidade, nas igrejas ou entre a comunidade cristã dos rincões Brasil afora. São como crianças medrosas que levam as mãos ao rosto escondendo-se, ou fechando os olhos diante daquilo que as assusta.

Nunca soube que algum desses tenha se interessado por temas polêmicos no meio pentecostal e fosse investigar o caso, saber dos fatos, confrontar, estabelecer analogias, causas e efeitos e formular alguma teoria sólida. Quem assistiu o filme ou leu o livro “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, pode ter uma boa ideia de como era a investigação dos teólogos há alguns séculos, por temas controversos e como inquiriam com método e um amor notável pela verdade.

Mais do que um problema com a teologia pentecostal ou com o próprio pentecostalismo, nossos teólogos carecem é de base intelectual e espiritual mesmo. Seus detratores deviam olhar com mais cuidado para a origem e a intenção daqueles que semeiam a depreciação de um povo que tem como prioridade o Reino, que tem mantido e resistido a duras penas suas escolas bíblicas dominicais, com crescente número de alunos, pulverizadas por toda a nação.

Destruir é fácil, principalmente porque essas ideias camufladas de autenticidade, já vem de séculos sendo disseminadas nas universidades e começam a expandir-se pelos seminários e igrejas e aparentam uma coisa natural. Construir é difícil e exige amor incondicional à verdade.

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14:6)



Formado em Letras (Literatura Inglesa e Portuguesa), pastor assembleiano, professor da EBD e de teologia, residindo em São José, SC.

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