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Contra o espírito de Amnom: pela vida e proteção da mulher

Esta pauta não é da extrema-esquerda, e sim do evangelho de Cristo Jesus.


Contra o espírito de Amnom: pela vida e proteção da mulher

Precisamos dar voz à mulher violentada e abusada fisicamente. Precisamos reagir contra essa onda de morte feminina. Homens vazios de masculinidade estão simplesmente destruindo toda expressão de feminilidade na vida e nas relações.

O que fazer mediante a um cenário tão caótico, independentemente de toda tentativa de uma ala da sociedade ou um partido político de instrumentalizar tais pautas para fins de autopromoções eleitoreiras?

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Esta pauta não é da extrema-esquerda, e sim do evangelho de Cristo Jesus. E Jesus não se promove por meio de ideais filosóficos ou das ciências sociais; antes, se move na prática em favor da mulher, assim como o fez com a mulher Samaritana, na narrativa do evangelho de João.

Nesta semana, os noticiários estão tomados de notícias de assassinatos de mulheres. É impressionante vermos que os homens desta geração estão tão desumanizados que não conseguem mais enxergar um palmo à frente! Mulheres grávidas sendo assassinadas. A barbárie tomou conta do inconsciente coletivo, de tal forma que ninguém mais se espanta com a programação do noticiário em rede nacional.

A mulher é uma peça-chave na história redentiva de Deus. Jesus apareceu primeiro para uma mulher após sua ressurreição (João 20.16). Ele planejou eternamente salvar por meio da gestação humana, elegendo uma mulher para ser sua mãe (Gênesis 3.15 / Lucas 1.30-31). Ele nos garante que, no seu reino, não há distinção hierárquica de gênero (Gálatas 3.28). As funcionalidades são distintas, contudo o homem e a mulher são um em Cristo. É Jesus quem redime e restaura a amizade entre homem e mulher.

Sabemos biblicamente que a introdução do pecado na criação de Deus estabeleceu um conjunto de inimizades que inviabilizam [ainda hoje] de certa forma a manutenção da vida. Logo na primeira família criada, vemos um homicídio entre irmãos (Gênesis 4.8). A corrupção no coração humano transformou casais em inimigos declarados; irmãos em opositores fatais; filhos e pais em grandes adversários políticos etc.

Poderíamos citar a transferência da culpabilidade por parte de Adão com relação a Eva (o sinal mais evidente desta introdução da inimizade), ou mesmo a traição de Jacó para com o seu irmão Esaú, e ainda as disputas políticas entre Absalão e Davi; no entanto, gostaria de lembrar o leitor a história de Amnom e sua irmã Tamar, ambos filhos de Davi:

E aconteceu depois disto que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa, cujo nome era Tamar, Amnom, filho de Davi, amou-a. E angustiou-se Amnom, até adoecer, por Tamar, sua irmã, porque era virgem; e parecia aos olhos de Amnom dificultoso fazer-lhe coisa alguma.

Aqui nós vemos o pecado arraigado no coração do homem, fazendo-o amar uma mulher de forma adoecida. A ausência do evangelho faz com que a presença do pecado seja ainda mais penetrante na mente do homem caído.

Tinha, porém, Amnom um amigo, cujo nome era Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi; e era Jonadabe homem mui sagaz. O qual lhe disse: Por que tu de dia em dia tanto emagreces, sendo filho do rei? Não mo farás saber a mim? Então lhe disse Amnom: Amo a Tamar, irmã de Absalão, meu irmão. E Jonadabe lhe disse: Deita-te na tua cama, e finge-te doente; e, quando teu pai te vier visitar, dize-lhe: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e me dê de comer pão, e prepare a comida diante dos meus olhos, para que eu a veja e coma da sua mão.

Podemos aqui identificar uma marca social desta geração: os homens estão tão subdesenvolvidos ética e espiritualmente que acabam se unindo para maquinar o mal contra a mulher, pecando assim gravemente contra o próprio Deus. O mal cometido contra a mulher jamais ficará impune; Deus é o vingador daquelas que são oprimidas pelos violentos e covardes.

Deitou-se, pois, Amnom, e fingiu-se doente; e, vindo o rei visitá-lo, disse Amnom, ao rei: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e prepare dois bolos diante dos meus olhos, para que eu coma de sua mão. (…) E foi Tamar à casa de Amnom, seu irmão (ele porém estava deitado), e tomou massa, e a amassou, e fez bolos diante dos seus olhos, e cozeu os bolos. E tomou a frigideira, e os tirou diante dele; porém ele recusou comer. E disse Amnom: Fazei retirar a todos da minha presença. E todos se retiraram dele.

Então disse Amnom a Tamar: Traze a comida ao quarto, e comerei da tua mão. E tomou Tamar os bolos que fizera, e levou-os a Amnom, seu irmão, no quarto. E chegando-lhos, para que comesse, pegou dela, e disse-lhe: Vem, deita-te comigo, minha irmã. Porém ela lhe disse: Não, meu irmão, não me forces, porque não se faz assim em Israel; não faças tal loucura. Porque, aonde iria eu com a minha vergonha? E tu serias como um dos loucos de Israel. Agora, pois, peço-te que fales ao rei, porque não me negará a ti. Porém ele não quis dar ouvidos à sua voz; antes, sendo mais forte do que ela, a forçou, e se deitou com ela. Depois Amnom sentiu grande aversão por ela, pois maior era o ódio que sentiu por ela do que o amor com que a amara. E disse-lhe Amnom: Levanta-te, e vai-te.  Então ela lhe disse: Não há razão de me despedires assim; maior seria este mal do que o outro que já me tens feito. Porém não lhe quis dar ouvidos.

E chamou a seu moço que o servia, e disse: Ponha fora a esta, e fecha a porta após ela.

(2 Samuel 13:1-17)

Temos nestes últimos parágrafos uma narrativa cruel e impiedosa, onde um irmão violenta a própria irmã. Vamos esquecer um pouco o caráter incestuoso da relação e nos ater mais ao fato de um homem ter imposto violência sobre uma mulher.

O que Amnom fez com Tamar é o que muitos homens têm feito com suas esposas, noivas, namoradas, mães etc. e creio que é de responsabilidade maior de cada cristão lutar em favor da vida e daqueles que se encontram em um estado maior de vulnerabilidade social. Não apenas o pobre ou o órfão, a viúva e o estrangeiro; faz-se necessário que os filhos de Deus protejam as mulheres – e não apenas as da igreja, mas de toda a sociedade.

Os dados de violência no Brasil já passaram há muito tempo do nível aceitável, e nós estamos em época de eleições para presidente, governador, senador e deputados. Oro para que o cidadão brasileiro de maneira geral não opte por ideologias que promovem o caos, mas que vote em homens ou mulheres de uma maior envergadura moral e que estejam aptos para enfrentar drasticamente (por todos os meios republicanos e constitucionais) este status quo vergonhoso.

As mulheres possuem igual valor aos homens no reino de Cristo, e o cristão deve orar e agir em favor de sua proteção e liberdade. Chega de silêncio e perplexidade diante da barbárie! Que os joelhos se dobrem na presença do Altíssimo, e que as mãos se levantam em defesa da mulher.

Seja assim sobre mim e sobre cada leitor, no nome de Jesus Cristo.

Creia nisso: o espírito de Amnon será derrotado quando os irmãos adotivos de Jesus ligarem no céu e na terra uma mobilização universal, efetiva e contundente em favor da proteção da mulher.



32 anos, é casado com Ana Talita, bacharelando em Teologia pela Unigranrio e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, trabalha no ministério de adolescentes da Igreja Batista Betânia e no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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