Cristãos progressistas e o ateísmo

Eu definitivamente não preciso abandonar minha fé, para me mostrar solidário com a dor do meu semelhante.


Cristãos progressistas e o ateísmo

Estava lendo um interessante artigo que foi escrito por Sam Hailes, editor-adjunto da revista Premier Christianity, que fala sobre Bart Campolo, filho do pastor Tony Campolo, que é bem conhecido nos Estados Unidos. Bart que era cristão, abandonou a fé, quando passou a abraçar a visão auto-proclamada de progressista, estando exposto à pobreza urbana, o que teria bagunçado sua teologia, segundo suas próprias palavras.

Pessoalmente, tenho a seguinte visão: Quando você abraça a agenda auto-proclamada de progressista, você abraça a visão esquerdista da vida. Esta, como regra, é uma visão que se lastreia em uma eterna luta de classes sociais na visão dialética materialista da vida.

Diferentemente, o Cristianismo já tem uma outra visão completamente diferente da vida. É uma mensagem universalista que não busca fomentar divisões sociais maiores que já temos e que sabe que a salvação ela vem pelo sacrifício de Jesus na cruz, e não através de uma revolução sangrenta ou pelo marxismo cultural.

Jesus não é de esquerda ou de direita, comunista, etc., como vemos em algumas discussões inócuas por aí. Ele transcende em muito as ideologias políticas humanas. Quando esteve entre nós, supriu tanto as demandas espirituais como materiais das pessoas, como nos revelam os Evangelhos, trazendo as Boas-Novas indistintamente a todos, ao rico e ao pobre, ao judeu e ao samaritano.

Por outro lado, eu questiono até o próprio termo “progressista”. Sinceramente, não consigo ver progresso em gente defendendo liberação de drogas (que só gera mais alienados sociais e doentes), abortos (já temos quase 1.000.000 todo ano somente no Brasil), ideologia de gênero (que é uma pseudociência, sem qualquer respaldo na biologia evolutiva), ataques incessantes à instituições (polícia, exército, família tradicional, igreja, etc.), que são vistas como instâncias de “poder burguês”, etc.

Ademais, eu definitivamente não preciso abandonar minha fé, para me mostrar solidário com a dor do meu semelhante. Porém, é fato que muitos irmãos e igrejas possuem pouca ou quase nenhuma visão social, de assistência aos necessitados.

Isso vai totalmente contra ao próprio Evangelho, quando diz que nossa fé sem obras também é morta (Tg. 2:14-26). Como essas pessoas muitas vezes não fazem nada ou quase nada nesta área, ainda criticam os irmãos que fazem, rotulando-os pejorativamente de “vermelhinhos”, de “comunistas”.

Porém, quando o cristão começa a comungar deste ideário progressista, sem fazer a devida análise para separar o joio do trigo, a tendência é a pessoa ir se afastando mais e mais da igreja, passando a nutrir uma espécie de relação ambígua e ambivalente, já que se diz cristão, mas passa a ver os irmãos da igreja como gente menos esclarecida e preconceituosa. E daí, para um maior afastamento e descrença não é difícil.

Principalmente, quando a pessoa começa a se questionar acerca da existência de tanto sofrimento na sociedade, de tanto mal por aí. A questão do mal para mim, nunca foi um óbice à minha fé. Explico. Tente, por exemplo, ler um texto escrito com letras brancas em uma parede branca. Ou tente viver sem sentir dor. Existem pessoas que não sentem dor.

Depois de alguns anos, estão com quase todos os ossos do corpo fraturados. E correm risco de vida. A dor, ou sofrimento neste mundo por mais paradoxal que pareça é o contraste necessário para o desenvolvimento da inteligência. Sem o contraste, o ser não é capaz de aprender nada, pois não existe um retorno do que é bom ou ruim.

Tente fazer uma simulação de inteligência em um programa. Você vai precisar informar parâmetros para o programa de forma que ele identifique situações boas ou não para o objetivo final. Estes parâmetros são a dor. Tire a dor e sofrimento deste universo e a evolução para. Não existe outra forma. Um universo em que ninguém sofre ou se esforça para evoluir não produz inteligência.



Leandro Bueno

Leandro Bueno

Procurador da Fazenda/Professor. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil


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