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Deus não é banco e nem parceiro de negócios

Qual a lógica que há de um líder de uma religião levar uma vida de milionário?


Deus não é banco e nem parceiro de negócios
Deus não é banco e nem parceiro de negócios

Hoje, foi amplamente divulgada na mídia que uma gaúcha venceu uma batalha jurídica no Superior Tribunal de Justiça contra a Igreja Universal do Reino de Deus, alegando que foi vítima de lavagem cerebral, a ponto de ter sido coagida a doar à igreja tudo o que tinha, acabando ficando sem dinheiro, sem carro e mal falada na pequena cidade onde mora, em Lajeado, no interior do Rio Grande do Sul.

Assim, eu fiquei refletindo sobre essa matéria e pensei como a Teologia da Prosperidade tornou-se um câncer em metástase em muitas destas igrejas neopentecostais brasileiras. É uma heresia nitidamente sem qualquer substrato bíblico.

Isto porque, um cristão nunca pode achar que Deus é uma espécie de “banco imobiliário” ou que está fazendo um escambo (comércio) com Deus. Basta que leiamos os Evangelhos e veremos que em nenhum momento Jesus faz qualquer tipo de barganha econômica com Deus. Talvez, por isso, muitos destes que invocar tal teologia da prosperidade se valham de textos descontextualizados do Antigo Testamento, que falam de sacrifício, para pedir dinheiro aos fiéis.

A pergunta que fica é: Qual a lógica que há de um líder de uma religião levar uma vida de milionário, vivendo em mansões suntuosas, com jatinhos e filhos estudando no exterior, viajando para todos os lugares do mundo, enquanto as ovelhas deste líder passam necessidades e agruras? NENHUMA.

Tempos atrás, conheci uma irmã aqui em Brasília que foi colocada como fiadora de um imóvel que virou a sede de uma igreja, cujo líder é um cara conhecido e muito rico. Segundo o relato dela, a igreja não pagou os aluguéis e fechou, deixando para ela a dívida, sendo que ela acabou perdendo a sua própria casa, já que, segundo a lei, a fiança é um dos poucos casos em que a pessoa ao assumir uma dívida de um terceiro, pode ter sua própria casa penhorada.

Se analisarmos historicamente, temos que a Teologia da Prosperidade é um enlatado vindo dos Estados Unidos da América. Ela passou a ganhar relevância durante os avivamentos de cura (healing revivals), a partir dos anos 50, apesar de alguns estudiosos ligarem suas origens ao Movimento Novo Pensamento.

Porém, foi com o “boom” dos movimentos Palavra de Fé e do televangelismo nos anos 80, nos Estados Unidos, que a Teologia da Prosperidade encontrou campo fértil ali, sendo promovida e difundida mundo afora, por líderes proeminentes como E. W. Kenyon, Oral Roberts, T.L. Osborn e Kenneth Hagin.

Por outro lado, voltando ao caso retratado na notícia, eu penso que cada caso deve ser analisado individualmente, para que não haja injustiças. Explico.

Na hipótese do fiel ter sido coagido ou pressionado psicologicamente, a igreja, a meu ver, deve necessidade restituir os valores e bens, até por uma questão de boa-fé. Agora, se o doar foi algo que espelhava muito mais a fome da própria pessoa, de achar que Deus iria multiplicar seu patrimônio, creio que não há valor a ser devolvido, já que estaríamos diante de um claro caso de ganância do fiel.

É interessante que pelas minhas andanças em muitas igrejas o que vejo é que naquelas onde se fala de bençãos materiais, a maioria destes templos sempre estão cheios. Porém, quando a igreja não oferece esse tipo de coisa, muitas estão quase fechando ou passando dificuldades, já que são igrejas onde o povo passa longe. Infelizmente, para muitos, só a Palavra de Deus não é algo atraente.

Como conclusão, deixo 2 versículos de Jesus que encontramos em João 6:26-27, para que os irmãos reflitam e façam uma análise interior sobre eles em suas vidas: “Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.”



Leandro Bueno

Leandro Bueno

Procurador da Fazenda/Professor. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil


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