Por que o diabo deveria ser dono de toda boa música?

Não foi fácil, até chegarmos ao que vemos hoje nas igrejas, jovens empunhando guitarras distorcidas, ritmos diversos incluindo o tão temido rock.


Parece intrigante e até estranha essa pergunta hoje em dia, não é? Era o final da década de sessenta (1969) que um cara corajoso e muitíssimo talentoso, cabelos longos e usando roupas floridas gravou essa canção, um choque para todas as comunidades cristãs estabelecidas na época!

O cidadão chama-se Larry Norman, é dele o título de primeiro artista a lançar um LP de música rock dentro do cenário cristão (LP: “Upon this Rock” 1969) ou “música de  Jesus”, assim ficou conhecido este estilo musical referindo se aos artistas que se convertiam e usavam a música contemporânea como forma de expressar sua fé, usando suas guitarras, baterias etc., eles lançavam mão dos instrumentos e ritmos  que eram vistos com reprovação e desconfiança naquela época.

A música chama “Why should the Devil have all the good music”, e pra quem acha que faz pouco tempo que essa inquietação com a música começou no meio cristão saiba que quem falou essas palavras foi Martinho Lutero!

A história da música cristã ou música gospel como a conhecemos hoje é repleta de fatos interessantes, envolventes que vão te surpreender, fatos estes que influenciaram toda a música mundial de hoje.

Quando me convidaram para fazer parte como colunista e falar sobre música minha primeira preocupação foi como fugir dos clichês e dos temas previsíveis, há quase duas décadas que vivo intensamente no cenário da música gospel, participei de muitos fatos importantes e também, pesquisando, revirando livros, jornais e discografias das mais variadas fontes e  épocas em busca da essência da história gospel.

A música “Why should the Devil have all the good music” foi o grito de toda uma geração desesperadamente sedenta por expressar sua fé com a sua arte, seu estilo, e seu jeito de ser, na linguagem que o jovem entendesse, e que acabou influenciando toda uma geração ignorada por muitas igrejas e comunidades, que literalmente fechavam as portas a estes novos cristãos.

Não foi fácil, até chegarmos ao que vemos hoje nas igrejas, jovens empunhando guitarras distorcidas, ritmos diversos incluindo o tão temido Rock, que hoje não assusta mais ninguém e já é praticamente um senhor de meia idade, cinquenta anos se passaram e toda uma geração desfruta desta liberdade graças a coragem de cristãos que ousaram inovar e desafiar, e muitas pessoas sequer sabem quem foram e a importância que estes artistas tiveram na nossa história.

Esta é a proposta desta coluna, descobrirmos o que foi de fato essa revolução cultural e musical que mudou a história da Igreja contemporânea.

Em meio a este mover musical e cultural que varreu o mundo nas décadas de 60 e 70 foram muitas as críticas, porém também houve aqueles que surpreenderam demonstrando sensatez e visão da história.

Uma destes importantes homens da época disse o seguinte: “alguns dizem que há exagero, e pode ser que haja, alguns dizem que são irreverentes e pode ser que sejam, mas observei que há algo interessante e que devemos aprender disto tudo, eles são sinceros e são muito honestos na forma de manifestar sua fé.” (Reverendo Billy Graham).



Naldo de Sá

Naldo de Sá

Locutor de rádio e TV, produtor, DJ, músico, historiador de música cristã, palestrante, locutor das rádios: Bola Rádio Extreme (Programa Classic Hits) e Rede Aleluia. Casado com Sandra de Sá.


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