Do que este homem mais precisa?

É preciso entender que, numa sociedade civil, as leis precisam visar a proteção dos cidadãos.


Do que este homem mais precisa?

É estarrecedor ler uma notícia tão bizarra quanto esta. Um homem que se masturba num local público já é constrangedor, quanto mais quando ele resolve fazer isso se utilizando do corpo de uma mulher que não consentiu e foi surpreendida por uma ejaculação que lhe atingiu.

A sensação na sociedade é de impunidade após o juiz ter mandado soltar o cidadão, contudo na manhã deste sábado (02/09/2017), este homem novamente cometeu o mesmo ato obsceno, covarde e doentio – e mais uma vez foi conduzido à delegacia.



Vamos analisar sobre três coisas que este homem precisa. Mas antes, é preciso entender que, numa sociedade civil, as leis precisam visar a proteção dos cidadãos. E para isso, não é saudável para o espírito público que um fato como este, que tem tomado as redes e toda a mídia nacional, fique debaixo de uma condução no mínimo incoerente por parte do poder judicial.

Agora, vamos ponderar acerca do que este homem mais precisa:

Este homem precisa de um tratamento psiquiátrico

Está mais do que nítido que este homem possui uma doença sexual crônica, e que a maior prova de que ele não dá conta de resolver isso sozinho é que, quatro dias após ter sido detido por fazer o que fez, volta para a delegacia pelo mesmo motivo.



Precisamos observar que este homem, de uma maneira subjetiva, está sinalizando que não pode continuar no convívio social sem antes ser acompanhado por um especialista neste tipo de patologia e, por meio de um tratamento médico, conseguir recobrar a sanidade mental.

Mais do que isso, este caso nos revela o nível de desconstrução da imagem de Deus na vida do ser humano que habita a pós-modernidade, que é recheada de apelos à sensualidade, lotada de exposição do corpo e que ainda relativiza a moralidade cristã de um modo franco e aberto. É como uma casa sem regras, onde cada um pode fazer o que bem entende, pois a sensação inconsciente nesta sociedade adoecia e carcomida pelo pecado é a de que “tudo está valendo” e/ou que “não há lei”.



Tempos atrás, o pudor público era mais preservado, sendo que hoje em dia os valores bíblicos são rotulados de “fundamentalistas” e o afã por avanços no conceito de vida e sociedade acabou abrindo precedentes psíquicos sobre muitos que mergulham no universo ultra sexualizado e perverso deste tempo.

Portanto, este homem precisa de um tratamento médico, e urgente!

Este homem precisa responder ao Estado, e o Estado precisa julgar o crime cometido

A questão aqui não é desejar o mal do outro. O que se espera é que todo cidadão seja responsabilizado por seus atos, a fim de que haja ordem e paz na sociedade. Se todos nós resolvermos fazer o que der na telha, teremos o fim da sociedade brasileira decretado.

A despeito da sua necessidade médica, entendemos que tal ato foi um crime e deve ser julgado devidamente. Se considerarmos como um crime de assédio sexual, há uma pena prevista por Lei. Se considerarmos (e quando digo isso, digo em nome do Estado) como um crime de tentativa de estupro, nós temos outro tipo de pena. Para mim já não importa tanto em qual crime este homem deve responder acusação, mas sim que haja tal processo, por considerar-se a dor das vítimas.

A sensação de impunidade amedronta o povo e retira a paz dos corações. Precisamos compreender que toda pessoa – independentemente de sua fé – deve responder por seus atos perante a Lei; e eu creio que este homem, ainda que seja uma vítima de sua doença, é um réu por um crime que cometeu e que foi detido em flagrante.

As pessoas precisam ter o respaldo do Estado nas questões que envolvem o tema “segurança pública”. Elas precisam ter a garantia do “ir e vir” sem que sofram qualquer tipo de violência. E nós, cristãos, devemos ser maduros o suficiente para separarmos os assuntos e não espiritualizarmos o que deve ser avaliado no âmbito sócio-político.

Este homem precisa ouvir o evangelho de Jesus

Este é o ponto mais importante desta reflexão. Não podemos participar dos linchamentos (sejam reais, sejam virtuais), nem devemos ter prazer quando sabemos que alguém errou. O grande equívoco dos cristãos de hoje em dia é pensar que se pode alimentar sentimentos de vingança, ódio e hostilidade contra o outro. Não estou aqui me apoderando do mantra do esquerdismo, que para tudo cita a expressão “discurso de ódio’. Não. Estou aqui para tratar do mesmo ódio que o apóstolo João tratou em suas cartas com os irmãos que se achavam filhos de Deus, mas viviam com o coração apodrecido por este mal.

Este homem está na lista de Romanos 3.23 – a qual eu e você também estamos. Pior do que o seu erro perante o Estado e a sociedade é a sua condição de pecador diante de Deus. E é necessário que oremos por sua vida, para que ele seja livrado da violência que o habita e também da violência que habita o coração de muitos que compartilham a notícia do seu feito com o coração ávido por vê-lo morto. Precisamos orar por sua conversão e que Deus envie homens que possam anunciar a Jesus para ele, para que ele encontre o verdadeiro e maior prazer que se encontra na doçura do Seu eterno amor.

Se não estamos empáticos quanto ao mal no outro, é um sinal de que estamos apáticos com o mal que há em nós.

O Estado deve exercer juízo, mas a Igreja permanece sendo chamada para exercer a misericórdia. Se Deus não me deu a punição justa que eu merecia, não posso esperar nada diferente sobre a vida deste homem. Ele precisa de Jesus tanto quanto eu e você. Não nos esqueçamos disso.



Maycson Rodrigues

Maycson Rodrigues

30 anos, é casado com Ana Talita, estudante de Teologia Reformada e estuda Filosofia na UFRJ. É compositor, escritor e músico e trabalha no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.


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