Em Cristo

“Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” – Cl 2.6­7.


Em Cristo

Paulo, por volta do ano 60 d.C., em sua epístola aos colossenses, escreve algumas informações de extrema importância aos amados irmãos em Cristo. Primeiro, afirma a supremacia do sacrifício vicário, bem como sua suficiência para a nossa salvação. Segundo, que Jesus é superior a toda criação e sobre toda a igreja. Terceiro, que os cristãos precisam viver baseados na fé em Cristo, e não serem enganados pelas vãs filosofias.



No capítulo primeiro, o apóstolo dos gentios inicia a carta saudando a igreja, bem como lhes relatando a respeito do que ouviu, dando graças ao Senhor e orando por cada membro (v. 1­12). Também, manifesta a excelência de Cristo e do sacrifício por Ele efetuado na cruz, louvando ao Messias, visto que tudo se revela por meio dEle e para Ele, posto que este é antes de todas as coisas. Cristo é o cabeça de tudo e de todos (v. 13­23). Por fim, Paulo termina o capítulo apresentando seu ministério, e o desejo de apresentar todo homem perfeito em Cristo (v. 24­29).

No capítulo a seguir, Paulo descreve seu interesse nas igrejas de Colossos e Laodiceia. Ele desejava que todos seus ouvintes e leitores estivessem firmes na cruz de Cristo, entendendo que nEle estão depositadas todas e quaisquer esperanças de salvação e de tesouros eternos (v. 1­5).


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Eu gostaria, agora, de dar uma certa ênfase nos versículos 6 e 7 deste segundo capítulo. Existem algumas palavras-chave e expressões utilizadas por Paulo que saltam ao meu coração. Transcrevo, então, o dito texto:



“Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” – Cl 2.6­7.

Paulo diz, em primeiro lugar, que os colossenses deveriam andar no caminho que lhes fora apresentado pelos apóstolos, a saber, Jesus. Não apenas isto, mas apresenta­o como “Cristo” (ou seja, “o Ungido” de Deus), e como Senhor ­ não apenas Ungido, escolhido, favorito, mas também Deus, membro da trindade e Soberano, a quem devemos respeito e obediência.



Em segundo, afirma que Cristo é o caminho (“andai nele”). O próprio mestre já havia utilizado esta expressão em um de seus sermões (Jo 14.6), e por causa disto o Cristianismo era conhecido como “o Caminho”, ou “a religião do Caminho” (At 19.9, 23; 22.4; 24.14, 22). “Andai nele” implica em fazer o que Ele fez, amar como Ele amou, obedecer ao Pai como Ele obedeceu.

Em terceiro, “nele radicados”. Cristo é o alicerce de nossa salvação e de nossa esperança. Estar radicado nele é tê­lo como base, fundamento, raiz de tudo que envolve nossa vida. É tê­lo como “autor e consumador da nossa fé”, bem como saber que “nele, tudo subsiste”. É fazer morada na certeza de que pela sua Graça, e tão somente por ela, somos salvos – e isso tudo mediante a fé que por Ele nos é dada. Estar radicado em Cristo é receber apneas dEle toda e qualquer forma de alimento que nossas almas tanto necessitam. É “sugar” do Verbo Vivo todos os nutrientes que nos farão viver, e viver com abundância.

Em quarto lugar, nele “edificados”. Tendo Cristo por base de nossas vidas, devemos crescer cada vez mais, sendo construídos através dos materiais que nos são dados, isto é, a Palavra de Deus, e a constante comunhão com seu Santo Espírito. Vale lembrar que um prédio é construído – edificado – para cima, sempre verticalmente. Assim também é o cristão que por Deus é erigido, ou seja, tende a crescer e aproximar­se do Senhor. Além disto, um edifício serve normalmente para moradia ou trabalho. Devemos nos lembrar que somos todos morada e santuário do Espírito de Deus (1Co 6.19), e que em nós Ele opera seu Fruto (Gl 5.22­24), para louvor de seu nome.

Em quinto lugar, “confirmados na fé”. Paulo urge a necessidade de termos a certeza de nossa fé em Cristo. No grego, linguagem original da epístola, o versículo diz “…tendo sido enraizados nele, sendo edificados e sendo fortalecidos na fé…”. Devemos buscar cada vez mais a certeza da soberana vocação à qual fomos eleitos em Deus, por sua vontade. Fortalecer a fé através de uma proximidade cada vez mais real com Cristo, crendo não apenas de boca, mas também de coração.

Em sexto lugar, “como fostes instruídos”. Devemos nos lembrar das primícias e simplicidades do Evangelho. As boas novas são simples, e ainda assim manifestam o poder e glória do Senhor. Além disto, cabe­nos não somente lembrar o que nos fora ensinado, mas também usar este conhecimento como base para nosso crescimento, para melhorar cada vez mais a nossa relação com o Pai, e para edificxação da Igreja do Senhor. Que não nos desviemos por caminhos errôneos, mas que sigamos esta caminhada rumo “ao alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fl 3.14).

Em sétimo e último, “crescendo em ações de graças”. Citando o mesmo apóstolo, “em tudo dai graças” (1Ts 5.18). Bem sabemos que para todo trabalho há um preço a ser custeado, e um esforço a ser empenhado. Se pretendemos crescer no e para o Senhor, devemos agradecê­lo a tudo quanto nos acontecer, porque tudo coopera para o nosso bem (Rm 8.28). Devemos nos lembrar de que a vontade de Deus é maior que a nossa, e que Ele não nos deve explicações do que faz, como faz, e porque faz.

Que vivamos nossa caminhada pela terra como verdadeiros servos de Cristo. Seguindo Seu caminho. Vivendo Sua Palavra. Andando como Ele andou. Por fim, “em Cristo”.

Sob a Graça,



Daniel Rodrigues Kinchescki

Daniel Rodrigues Kinchescki

Membro da Igreja Presbiteriana de Florianópolis/SC, escritor e criador do blog "À cruz de Cristo: voltando aos marcos do Evangelho". Bacharelando em Direito, com experiência em liderança de grupos e em lecionar aulas de E.B.D. e palestras.


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