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Escola sem Partido: uma necessidade urgente

Por ironia do destino, podemos aplicar a eles a sentença de Voltaire: “é difícil libertar os tolos das correntes que eles veneram”.


Escola sem Partido: uma necessidade urgente
Escola sem Partido: uma necessidade urgente

Aqueles que são contra o projeto “Escola sem Partido” alegam que não há doutrinação nas escolas. É impossível não retrucar: “Se não há doutrinação, porque tanto esforço para barrar um projeto que seria então inócuo?”.

Afinal, qual o grande perigo embutido num projeto que se propõe a combater um problema que eles alegam não existir? Entraríamos num círculo vicioso retórico de argumentação para tentar entender o medo despertado pelo combate a um não-problema, de modo que a tática usada por eles foi lutar contra o que o projeto não é.

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O espantalho criado alega que o Escola sem Partido quer cercear os professores, com o propósito de supressão do debate e a imposição de uma agenda conservadora.

O engraçado é que a tal “supressão do debate” é o estado atual da educação brasileira. Há uma proposta ideológica dominante, que não permite a inclusão de pressuposições ideológicas diferentes. Quando alguém defende que o professor não pode, em nome de suas convicções pessoais, impedir que haja a verdadeira pluralidade de ideias, a gritaria começa.

E não é hilário? O projeto que defende que o aluno tenha acesso a pluralidade que hoje lhe é negada, recebe acusações de ser ditatorial. E é acusado pelos mesmos ditadores que querem vetar a pluralidade.

Um professor cristão não pode usar seu espaço de aula para fazer pregação religiosa. Tampouco um umbandista, ou um ateu.

Um professor conservador não pode usar seu espaço de aula como propaganda partidária.

Tampouco um esquerdista.

Apontar isso não é aviltar contra a liberdade de expressão do professor, e este é o cerne da questão: quando está dentro da sala de aula, o professor tem um componente curricular a seguir, de modo que sua liberdade de expressão está restrita ao currículo. Não é cabível que professores se considerem acima de qualquer legislação para usar tempo de aula em meneios político-ideológicos.

Ao mesmo tempo, os professores de disciplinas de humanas, que possuem conteúdos que abarcam conceitos políticos e ideológicos, devem cuidar de apresentá-los de forma isenta e plural.

Afinal, que “debate” está sendo proposto quando somente o marxismo é ensinado, ou quando é ensinado como ideologia correta, sem a possibilidade de margem discordante?

Entretanto, o doutrinador nunca reconhece que doutrina. Após ter se deleitado por anos em sua condição inquestionável, é certo que não abrirá mão da situação sem lutar com todas as suas forças pela manutenção do status privilegiado.

Por isso há o hercúleo esforço de prevalecer a mentira. Algumas delas, na verdade. Se destacando a que diz que o “Escola sem Partido” intenta realizar doutrinação à direita.

É canalhice de primeira linha: negar a doutrinação vigente e indisfarçável, acusando ainda aqueles que a querem combater de planejar perpetrá-la.

Repetindo o discurso de perseguição à exaustão, tentam ludibriar a opinião pública, para que se ergam contra uma pretensa arbitrariedade censória contra os professores, que não existe.

Não poder doutrinar lhes avilta porque o uso do professor como ferramenta de alienação está no cerne de seu pensamento. De forma que muitos pensam efetivamente que doutrinar é educar.

E que o debate amplo e irrestrito compete em debater e discutir todas as maneiras pela qual a esquerda está certa e quem a contraria está errado.

Quem não doutrina não tem motivo algum para temer um projeto contra doutrinação. Simples. Pedagogicamente claro.

Ademais, vale tudo para prevalência da mentira, inclusive usar os estudantes como escudo. Estudantes que foram doutrinados…

Que se tornaram incapazes de perceber o que há fora da caverna.

Por ironia do destino, podemos aplicar a eles a sentença de Voltaire: “é difícil libertar os tolos das correntes que eles veneram”.

A efígie de Paulo Freire não pode ser a marca determinante de nossa pedagogia, inquestionável e indestrutível. Parcial e ideologizada.

Os conservadores não defendem o “Escola sem Partido” porque querem tomar a educação de assalto.

Defendemos porque é o certo.

E, como disse Roger Scruton, nós, os conservadores, somos chatos, mas estamos certos.



Renan Alves da Cruz

Renan Alves da Cruz

Renan Alves da Cruz é historiador, professor de Escola Bíblica Dominical e colunista de política e cultura do portal Voltemos à Direita.

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