O Espírito Santo cura HOJE

A foto que ilustra este texto foi tirada em julho de 1997, em um vilarejo próximo à cidade de Dapaong,...


A foto que ilustra este texto foi tirada em julho de 1997, em um vilarejo próximo à cidade de Dapaong, no Togo, país africano situado no oeste do continente. Na época eu morava em Paris e frequentava a Église Reformée de Belleville (Igreja Reformada), nº 97, rue Julien Lacroix, metrô Belleville. A Igreja Reformada da França é calvinista.

Naquela época, havia uma busca espiritual incomum, com clamor para que Deus trouxesse um avivamento sobre a França. Nessa igreja as orações eram feitas com imposição de mãos, unção com óleo, pessoas falavam em línguas estranhas e o louvor era um momento de real experiência com o Santo Espírito. Havia um projeto de levar 12 pessoas da Igreja para a África em julho de 1997, a fim de evangelizar, orar, ajudar com material de primeiros socorros. Entrei nesse grupo. Havia um inglês, um africano, eu, brasileira, e nove franceses.

Não foi uma viagem muito tranquila para mim. Tive problemas para conviver em grupo, pois não tinha uma postura colaboradora e integrada. É difícil assumir isso, mas sei que fui uma dor de cabeça para nosso líder, André, e para muitos membros do grupo. No entanto, houve também momentos muito bons, tive a emoção de conviver com um povo ao mesmo tempo carente de recursos materiais e absurdamente alegre.


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Neste dia, fomos a um vilarejo bem distante. Não havia televisão nem água encanada, nem eletricidade nem banheiros. As pessoas do local não falavam francês, mas estavam conosco pastores africanos que nos ajudavam com a comunicação ao fazer as traduções nos diálogos que tínhamos com os africanos.

André nos orientou que orássemos em duplas, e minha companheira de oração foi Sarah Capelle. Uma fila imensa se formou, pois todos queriam receber uma oração. Fomos orientados a impor as mãos, como no livro de Atos. Uma das pessoas que se apresentou para que eu e Sarah orássemos por ela foi uma senhora corcunda, que não conseguia ficar de pé, ereta. Havia um relevo bastante proeminente em suas costas, e ela reclamou que sentia muita dor (havia um pastor traduzindo com cada dupla). Eu e Sarah oramos com ela, impusemos as mãos, e só. Ela se foi, havia uma fila enorme, mais pessoas. Ficamos mais de duas horas orando, até que nosso trabalho terminou.

No final, os pastores africanos que nos acompanhavam perguntaram à multidão, em voz alta, se alguém havia sentido algo diferente. A mulher, que era corcunda, que tinha uma grande corcova em suas costas, que não podia ficar ereta, que sentia dores, apareceu então completamente ereta, em pé, e pulava, falando com esse pastor em uma língua que eu desconhecia.

Ele traduziu: ela dizia que não sentia mais dor e que podia ficar em pé direito. Estávamos todos ali sob o poder do Espírito Santo. Eu e Sarah, que tínhamos orado por ela, ficamos muito surpresas. Eu jamais esperava ver aquilo. Tirei uma foto com ela e pessoas de sua aldeia, que também ficaram maravilhadas. Houve muitas conversões naquele dia. Ainda hoje, quando me lembro, eu me emociono.

Durante muitos anos, após aquele dia, fiquei me perguntando se não havia sido uma ilusão. Mas eu tinha a foto. Se eu soubesse o que Deus ia fazer, teria tirado uma “antes” e outra “depois”, mas eu não tinha a menor ideia de que aquela cura absolutamente sobrenatural fosse acontecer ali, naquele dia.

Voltei ao Brasil e passei muitos anos sem falar com Sarah. Retomamos o contato por meio do Facebook, que não existia naquela época. Quando nos tornamos amigas na rede, fui à foto da mulher, postada no meu perfil, e perguntei-lhe se ela se lembrava do que havia acontecido. Sarah me disse: “Sim, claro! A cura e tudo o mais…” Sim, sim, sim, aconteceu. O Espírito Santo curou visivelmente aquela mulher.

Foi maravilhoso e fortaleceu a minha fé de modo inacreditável, ainda que durante todos esses anos meu ceticismo me tenha feito questionar a verdade daqueles fatos. No momento daquela cura, eu me lembro, Deus colocou dentro de mim uma alegria que ultrapassa a ideia humana de alegria. Durante todos esses anos, de 1997 até aqui, não quis escrever um texto contando essa história. Achava que poderia ser uma “espetacularização” da fé.

Achava que ninguém ia acreditar. Achava que iam me acusar de tirar vantagem de uma história que poderia ser colocada em dúvida. Achava que isso não combinava comigo, que transito por ambientes de academicismo e intelectualidade. É mais fácil, para qualquer um, acreditar que coisas sobrenaturais acontecem em um centro espírita ou em um terreiro de macumba que em um local de reunião de cristãos.

Tenho visto, cada vez mais, pessoas que se dizem cristãs abrindo a boca para dizer que o Espírito Santo não mais concede dons sobrenaturais hoje. Dignam-se a insuflar nos filhos de Deus a descrença, o desânimo, a inoperância da fé, a frieza espiritual. Por isso resolvi escrever. Não ganho dinheiro nenhum com isso nem terei nenhuma vantagem material.

Não procuro cargo em nenhuma igreja. Não sou perfeita e naquela época era ainda mais imperfeita do que sou hoje. Sou professora em uma universidade pública há dez anos. Vivo mais no mundo acadêmico que no mundo eclesiástico. Mas me levanto para entregar a cada um que me lê agora o testemunho de algo sobrenatural que aconteceu em minha vida. Orei com uma irmã na fé, em nome de Jesus, pela cura de uma pessoa doente, impondo as mãos sobre uma mulher com grave deficiência física e ela foi curada, e eu vi, como nos livros de Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos e tantos outros. Isso nunca mais me aconteceu.

Orei pela cura de pessoas depois disso, mas nada “visível” como uma deficiência daquela. Orei por pessoas com depressão, dor de cabeça, tuberculose. Não mais vi muitas dessas pessoas. Creio que o maior milagre de Deus é a conversão de um coração descrente e cínico à evidência de sua existência, de seu amor e de seu poder. Creio que o maior milagre de Deus ocorre todos os dias, conosco, em nossos corações, quando escolhemos amá-lo e confiar nele.

Não vivo minha vida com Jesus em busca de “sinais e maravilhas”: o que me interessa é o seu amor. Não obstante, quando oro eu vejo a mão de Deus agir. Sei que Deus continua a curar hoje, por meio de seus filhos e filhas, exatamente como está escrito no Novo Testamento. E deixo aqui a minha história, para que ninguém duvide do poder, da soberania, da verdade da Palavra de Deus, da ação sobrenatural do Santo Espírito na época de Jesus Cristo e dos apóstolos e HOJE.

Comentários sobre a foto no Facebook, quase 15 anos depois.
Comentários sobre a foto no Facebook, quase 15 anos depois.



Maya Felix

Maya Felix

Maya Felix nasceu em São Luis, Maranhão. É Doutora em Letras-Linguística pela Universidade Federal Fluminense e pela Université de Nanterre Paris Ouest la Défense, França. Apesar de sua família ser de tradição evangélica Batista, converteu-se ao cristianismo em 1992, aos 21 anos. Atualmente é professora do Departamento de Letras da Universidade Estadual do Maranhão em São Luis. Seus textos relacionam o cristianismo à política, à cultura e à vida em sociedade em geral.


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