Ética e moral: o que pode ou não pode fazer?

O ser humano precisa ser moral, ou seja, viver sua humanidade verdadeira e autêntica, que é ser a imagem e semelhança de Deus.


Ética e moral: o que pode ou não pode fazer?

Diante de tantas análises e estudos a respeito do tema, faremos uma sucinta diferenciação entre ética e moral. De início, diremos que “moralidade” é o que vivemos, enquanto “ética” é o que estudamos.

Precisamente como área de interesse acadêmico, a ética pode ser definida como estudo da moralidade, uma pesquisa ponderada do que é moralmente apropriado fazer. Já a moralidade, no sentido de práticas de ações moralmente boas e apropriadas, é a rotina que concretiza nossos esforços para ser cada vez mais verdadeiro e plenamente humanos, e viver deste modo.

Podemos enunciar a seguinte questão: Precisamos viver moralmente bem, fazer o certo; mas o que é moralmente bom? O que pode ou não pode fazer? Então, para responder a questão do nosso dilema na prática, de nosso desafio moral, vamos estudar, sistematizar, refletir sobre essa questão. Este estudo, de modo sistêmico, chamamos de ética.


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Para determinarmos o que é certo ou errado temos que partir de um critério. E o que define para nós o que é certo ou errado? A primeiro momento como bons cristão responderíamos “a Bíblia”. Mas, a ética é um assunto que pertence a cristãos e não cristãos, é um tema universal, e sua base para estudo não parte “diretamente” de nosso texto Sagrado. Além disso, no meio evangélico, existem tantas discrepâncias nas interpretações bíblicas, tantas opiniões e comentários diferentes do que pode ou não pode, que confirmam o dilema moral de qualquer cristão, porque ele mesmo tendo uma Bíblia, sempre se confronta com as perguntas: “o que pode ou não fazer? O que é certo ou errado?”

O critério que a ética utiliza para saber o que é certo ou errado é seu próprio objeto de estudo, o ser humano. No ponto de vista da moralidade é nossa humanidade verdadeira e autêntica que serve de ponto de referência para o que é bom em nossas relações humanas. Em outras palavras, viver imoralmente é empenhar-se em um processo de verdadeira profanação de si mesmo, frustração e, no fim autodestruição. O que é imoral? É a decisão de viver de maneira desumana ou falsamente humana.

Podemos concluir até aqui que a ética é um campo de estudo que procura guiar nossos esforços para levar uma vida moral boa. E o que é uma moral boa? O que é o certo a se fazer? É uma vida que reflita o verdadeiro significado da humanidade.

O cristão também deseja saber o significado de sua própria humanidade, e para isso, ele se fundamenta nos valores básicos da tradição judeo-cristã. Isso é o que chamamos de ética cristã, uma tentativa de expressar de forma sistemática e consistente o que Jesus faria em nosso lugar, para que possamos saber o que é certo ou errado.

Como verdadeiro divino e humano, Cristo é o melhor indício que temos do caráter de Deus e também do significado pleno da humanidade. Então, se a ética quer saber o que é próprio do ser humano para definir o que é certo ou errado, a ética cristã demonstra Cristo como modelo do que é próprio do ser humano, do que é bom ou não para ele.

A revelação da vida e do amor de Jesus serve efetivamente para expor nossas raízes e nos lembrar que nosso verdadeiro destino nasce em nossos princípios, já que como cristãos afirmamos que não só os seres humanos são formados à imagem de Deus (Gn 1.26-27), mas também que Deus é amor (1Jo 4.8). Não é atoa que quando perguntaram a Jesus no que se resume a lei (em outras palavras: o que se pode ou não fazer?), ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com toda a sua força. E amarás o teu próximo como a ti mesmo (cf. Mc 12.29-31; Mt 22.37-40).

O que um cristão pode fazer? Amar. E o que ele não pode fazer? Deixar de amar. Se Jesus é o nosso referencial, a chave dos questionamentos éticos foram revelados em sua encarnação. É certo para o ser humano amar, não fazer isso é imoral. Ora, um exemplo simples que ateste esse fato é os valores universais que percorrem toda a humanidade. Por exemplo, as pessoas acreditam que não se pode roubar, isso é errado. Tirar do outro o que ele tenha, e principalmente roubar de alguém que tenha pouco é um absurdo! Quem comete tal crime? Aquele que não tem amor, o qual não consegue olhar o outro com misericórdia ou respeitar o que é do outro.

O que é moral sempre tem relação com o amor e o que é imoral sempre tem relação com o egoísmo. O que rouba, o faz por egoísmo, assim como aquele que dá ao que necessita o faz por amor (é bem verdade que alguém pode dar algo para outro pensando em seu próprio egoísmo, como busca de status).

Diante da pergunta “o que pode ou não fazer?” A resposta pode ser encontrada na ética cristã, que num olhar para Jesus, vê o resumo do manual de regras no amor. Isso significa que não adianta um código de leis do que se pode ou não realizar, isso é pouco. Pois, dizer que você deve fazer caridade não significa tudo, porque ao fazer a caridade sem amor, nada vale. Do mesmo modo, dizer que você não pode adulterar, quando você não dá valor na pessoa que está do seu lado e vive na sua mente pensando no adultério, o que dignifica sua omissão sem amor? O mal já está presente.

O ser humano precisa ser moral, ou seja, viver sua humanidade verdadeira e autêntica, que é ser a imagem e semelhança de Deus. A ética estuda e sistematiza o que moral, para que nas nossas relações com o mundo possamos fazer o certo. Para a ética cristã, pela revelação de Jesus Cristo, que restaura nossa humanidade, o certo a se fazer está baseado no Amor. Por isso, defini que ser imoral é viver de forma desumana ou falsamente humana. Ou seja, viver sem amor é desumano, e fazer coisas fingindo que ama, também é imoral.



Victor Santos

Victor Santos

Victor dos Santos, mora em Santo André-SP. Blogueiro (Vida ao Inverso). Bacharel em Teologia pela Universidade da Bíblia, graduado em Logística pela Uniban e estudante da PUC SP.


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