No evangelho do camaro vermelho o pecador não aparece!

Acompanhe todos os meus textos pelo facebook, clique e nos acompanhe No fim deste artigo, compartilho o link que me...


Acompanhe todos os meus textos pelo facebook, clique e nos acompanhe

No fim deste artigo, compartilho o link que me inspirou a compor essa argumentação baseada na bíblia.



Um pastor gravou um vídeo para convidar as pessoas a irem à sua igreja; fala de um “irmão” que foi grandemente abençoado e apresenta como prova de tal graça um maravilhoso camaro vermelho. A questão que me inquietou foi a seguinte: se o objetivo do pastor que aparece no vídeo era o de falar sobre o poder de Deus para mudar a história de qualquer pessoa; porque não trouxe para frente da câmera o “rapaz” que segundo ele estava desenganado pelos médicos e foi curado por Jesus? Porque somente mostrou o imponente camaro vermelho? Porque só o carrão foi destacado visualmente no “testemunho” do milagre – já que neste caso é o carro secundário? Gostaria muito de ver e ouvir o pastor entrevistando o rapaz que foi abençoado e apelo com sinceridade: pastor faça um novo vídeo, tire o camaro e mostre-nos quem recebeu a bênção da restauração da vida e não somente a ostentação da compra do possante. É exatamente assim essa ideologia errante do “deus das benevolências materiais”; ela valoriza ao extremo o ter (camaro vermelho) e reduz a importância do ser (o próprio rapaz e seu testemunho de cura). O objetivo na verdade foi acentuar que Deus pode dar bens materiais a quem o serve com seu dinheiro através de campanhas de prosperidade.

“… o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé…” (1 Tm 6.10).

Banalização do verdadeiro Evangelho! Essa é a frase mais pertinente que encontrei para sintetizar esse comportamento pseudo-evangélico de comunicação das boas novas. Evangelismo focado em prosperidade material é um engodo religioso recheado de mais corruptelas desta “teologia da prosperidade” que mercadeja o conceito da mordomia cristã através de deformações que faz das passagens bíblicas (Mt 25.14-30; Rm 14.10; 2 Co 5.10). Essa representação de “deus” que oferece carro importado, coberturas, mansões, sítios, fazendas, riquezas, fama e sucesso a troca de contribuições dizimais, votos e campanhas de arrecadação, não é outra senão daquele que tentou Jesus Cristo no deserto com proposta semelhante (Mt 4.8-11). Proclamações que não apresentam a razão maior do evangelismo comissionado à igreja de Cristo são expressões que camuflam segundas intenções nada cristãs. Quais são as mensagens centrais do verdadeiro Evangelho? Arrependimento, conversão, renúncia, santificação e vida eterna (Mc 16.15; At 2.38; 3.19; Tt 2.12; Hb 12.14; Jo 14.1-3). A caracterização da pregação e ensino de Cristo é muito mais enfática na construção e identidade do “ser” seu seguidor pela crença salvífica do que na condução do “ter” e receber favores materiais como pressuposto principal.



“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.24).

Na era pré-cristã, conforme sabemos, eram cultuados muitos deuses. Mamon, contudo, não era o nome de uma divindade e sim um termo de origem hebraica que significa dinheiro, riqueza, ou bens materiais (Lc 16.13). Jesus, no Evangelho, utiliza a palavra quando afirma que não é possível servir simultaneamente a Deus e a Mamon. A palavra, no texto original, também é citada no Evangelho de Mateus (6.19-24). Desta forma Mamon acabou por tornar-se, ao longo da história, e devido as diversas traduções da Bíblia, a representação de uma divindade maligna ou demônio. Esse “deus” de formosura terrena, de apelo ao material e de realização consumista, acabou por destronar Cristo da vida de muita gente. Percebo uma jogada estratégica de Satanás num estágio de guerra espiritual avançado (Ef 6.12) onde ele oferece o material para nos roubar e destruir a alma (Jo 10.10; Lc 12.15; Mt 25.41).



“… Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gl 1.9).

A pregação glamourizada desse “deus” esnobe de promessas de enriquecimento subverte os propósitos do verdadeiro Evangelho. A tentadora exposição de ganhos materiais em embrulhos de fé aparente é preferida por muita gente que pensa estar vivendo o plano de Deus para suas vidas (Gl 1.6-7; 2 Pe 2.1). Essa bênção vendida na TV e divulgada por meio de vídeos no You Tube é uma desgratificação da própria graça de Deus (Ef 2.8); é uma ilação equivocada de textos bíblicos fora do contexto imediato e remoto da Palavra (1 Co 15.18; 2 Pe 2.3). As piores heresias surgiram quando regras de fundamentação exegética foram ignoradas, e hoje não tem sido diferente. É lamentável que a maioria dos tele-evangelistas para manterem seus programas no ar, tiveram que negociar com os representantes desse deus implacável e consumidor de vidas espirituais. Esse sistema do mal encobriu o céu prometido aos salvos com suas colunas de fumaça mercantilizadas e horizontalizou ao extremo a mensagem cristã, pois está a serviço do espírito do Anticristo. Biblicamente não deveria existir comércio da fé e tão menos dos dons de Deus conferidos graciosamente aos servos de Cristo para a propagação gratuita do Evangelho (Mt 10.8; Lc 10.19; 1 Co 12.9).

“Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos” (Mc 13.22).

Nem prosperidade, milagres, prodígios e maravilhas são sinais determinantes de que o pregador é servo de Deus; pois se assim o fosse a bíblia não diria que alguns instrumentos destas operações no futuro serão lançados no lago de fogo e enxofre. Tal afirmação não invalida a minha crença na atualidade dos dons espirituais, que fique claro e evite críticas desnecessárias. Para comprovar o que acabei de falar sobre gente “cheia de autoridade”, mas que estará perdida se não se arrepender; recomendo a você como leitura bíblica o Evangelho de Mateus 7.13-27. O texto é claro e incentivo-o na elaboração do seu próprio estudo bíblico afim de se firmar ainda mais sobre a Rocha Eterna (Rm 9.33). Alertar aos seguidores de Cristo acerca de heresias e distorções teológicas que comprometem a pregação feita pela igreja da verdade a anunciar o Evangelho Cristocêntrico é dever de todo ministro da Palavra de Deus.

Que ninguém vá a igreja para “ganhar” camaros, iates, helicoptéros, casas ou qualquer coisa material, que ninguém acredite nessas pregações de apego ao terrenal; pois o convite ao pecador deve ser por algo muito mais caro e que ninguém jamais poderá comprar – a salvação eterna – essa é a grande bênção do amor de Deus através do verdadeiro evangelho de Cristo Jesus e é esse que temos a pregar!

Assista aqui o vídeo do desejado Camaro vermelho, explanado por um pregador da prosperidade.



Silvio Costa

Silvio Costa

Silvio é administrador de empresas por profissão, mora na belíssima cidade de Guarapari no ES; estudou teologia no Seminário SEET e na Faculdade FAIFA. Textos de sua autoria frequentemente são publicados em portais cristãos do país por focarem questões do cotidiano da igreja evangélica brasileira. Acompanhe também seu blog pessoal Cristão Capixaba e portalLitoral Gospel


Deixe seu comentário!