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Fazer o diabo

O Brasil tornou-se o país da mentira


Fazer o diabo

Quem mente uma vez, mente sempre. Todos nós sabemos que são necessárias várias mentiras para encobrir e sustentar a primeira A ex-presidente Dilma Rousseff disse que “Nós podemos fazer o diabo em época de eleição”. Não é só nas eleições. Todos os três presidentes, Lula, Dilma e Temer, pertencentes ao PT e PMDB, foram eleitos pelos mesmos eleitores, têm a mesma origem e são inseparáveis[1].

Temer e Dilma receberam os votos dos mesmos eleitores. Esses políticos que estão presos não têm nenhum escrúpulo para manter o poder.  Fizeram o povo gritar “é golpe” e “fora Temer”. Antes foi “Fora FHC”.  Quebraram o Brasil e deixaram 13 milhões de desempregados. O primeiro, preso, fala que a culpa foi da segunda e os dois juntos tentam repassar a culpa para o terceiro. Porém, nas próximas eleições, golpistas e não-golpistas juntos se aliaram em quatro Estados (Alagoas, Piauí, Pernambuco e Sergipe) para ganhar poder[2]. O ex-presidente FHC-Fernando Henrique Cardoso está falando em união do PT, PMDB e PSDB no segundo turno. Se houver segundo turno, as alianças serão espantosas.

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O presidente atual continua sendo processado, a anterior tem várias acusações contra ela e o primeiro está preso. Dezenas de recursos e infindáveis pedidos de habeas corpus depois, que objetivam libertar o preso, foi noticiado que Lula desistiu do último que fez ao STF-Supremo Tribunal Federa, pois ele prefere permanecer preso.

Esse é um fato surpreendente: um preso rico – 7,9 milhões de reais[3] – quer continuar preso.  Precisamos de uma volta ao passado recente. Depois de 260 habeas corpus pedidos no Superior Tribunal de Justiça e de outros no Supremo Tribunal Federal e depois da maracutaia feita entre os advogados e o desembargador de plantão no Tribunal Federal do Rio Grande do Sul, que autorizou a libertação do preso, não dá para acreditar que o preso quer continuar preso por nada.

A permanência do ex-presidente na prisão tem o objetivo de, mais uma vez, enganar e dividir  o povo. Há mais de 20 anos vemos e ouvimos a ostensiva indução ao ódio, para desagregar e colocar uns contra os outros: são trabalhadores contra patrões, negros contra brancos, nordestinos versus paulistas, homossexuais contra heterossexuais, feministas contra donas de casa, olhos azuis contra olhos negros.

O pano de fundo é a culpa da sociedade, em busca de um pensamento único de indignação com tudo e a aceitação da mentira como verdade. Muitos ainda tentam utilizar do ensinamento de Joseph Goebbels, ministro das comunicações de Hitler, que dizia: “Uma mentira contada mil vezes, torna-se verdade”.  Com a vinda da Internet, a partir dos anos 90, começou a se tornar difícil e, hoje, impossível manter a mentira. Todos tomaram conhecimento que as ditaduras, de direita ou esquerda, são abomináveis. Se o denominado direitista Hitler assassinou 6 milhões, os esquerdistas Stalin, Mao Tsé Tung, Pol Pot, Fidel Castro[4] e outros mataram 100 milhões de pessoas.  Ou seja, a atroz e abominável ação de Hitler poderia ser considerada pontual, restrita à Alemanha, corresponderia a 6% de 100 milhões de pessoas assassinadas pelos comunistas ou socialistas. Mas somente se falou em Hitler, escondendo-se as ditaduras comunistas ou socialistas. Hoje, ainda temos ditaduras na Coréia do Norte, Venezuela e começando outra na Nicarágua, entre tantas outras, sempre danosas ao povo.

Voltando ao caso atual, o preso pediu sua inscrição como candidato a presidente da república, no Tribunal Superior Eleitoral. A candidatura foi impugnada, pois um condenado não pode ser candidato, conforme a Lei da Ficha Limpa, a Lei Complementar nº 135, de 4 de junho de 2010, proposta por milhões de brasileiros, que diz, no art. 2º, inciso I, letra “d”: “d) os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes;”

Portanto, a decisão proferida pelo órgão colegiado, a Câmara do Tribunal Federal do Rio Grande do Sul, tornou o pretenso candidato inelegível. Ainda mais, nova denúncia do jurista Modesto Carvalhosa aponta o crime de falsidade ideológica, cometido no pedido de registro da candidatura: o candidato disse que mora em São Paulo e apresentou certidões da Justiça paulista, mas mora em Curitiba, na cadeia da Polícia Federal, onde tem os processos em andamento e a sentença condenatória foi proferida.

Para registro de uma candidatura eleitoral, a qualquer cargo, existe um processo precisa respeitar as regras de andamento. No caso dessa candidatura, o prazo máximo para julgamento da regularidade ou da impossibilidade vai até 17.08.2018.  Afirmam os especialistas em direito eleitoral que, se o candidato condenado conseguir tumultuar o processo e atrasar seu julgamento para depois de 17.08, sua foto e seu nome serão incluídos nas urnas eletrônicas de votação. E o partido político dele colocará outro nome como candidato a presidente.

Mais uma vez para tentar enganar o povo menos atento aos fatos. O eleitor pensará estar votando no candidato preso, mas seu voto será destinado a outra pessoa. Provavelmente, o eleitor não votaria naquela pessoa que substituirá o candidato preso.

O pai da mentira é o diabo (Jo 8,44). Quem mente uma vez, mente sempre. Mentir para um é deprimente, mentir para o povo é indecente. O Brasil tornou-se o país da mentira.  Há, sempre, uma penúltima mentira. E as mentiras não pararão por aí.

Como disse o presidente dos USA, Abraham Lincoln: “Você pode enganar alguns por algum tempo; você pode enganar alguns por todo o tempo; mas você não pode enganar a todos durante todo o tempo”.

Quem faz o diabo nas eleições, poderá fazer durante todo o tempo. Se os eleitores brasileiros não se preocuparem com os destinos do Brasil e dos seus filhos e não acordarem para a realidade e a verdade, poderão continuar sendo enganados por todo o tempo.

[1] Jusbrasil – Prof. Luiz Flávio Gomes – https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/168359333/a-verdade-sobre-o-pt-o-psdb-e-o-pmdb-depois-de-30-anos
[2] Zero Hora –  https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/eleicoes/noticia/2018/08/as-curiosas-combinacoes-entre-partidos-nos-estados-cjkyonzxx02ka01qk126clxyo.html
[3] UOL: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/08/15/lula-declara-ao-tse-patrimonio-de-r-79-milhoes.htm
[4] https://www.todamateria.com.br/maiores-ditadores-da-historia/



João Carlos Biagini, advogado sênior na Advocacia Biagini, bacharel em Letras e em Direito. Coautor no livro Imunidades das Instituições Religiosas, coordenado pelos profs. Drs. Ives Gandra da Silva Martins e Paulo de Barros Carvalho (Noeses, 2015) e autor do livro “Aborto, cristãos e o ativismo do STF” (AllPrint, 2017).

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