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Hanuká: a festa das luzes

 "Se não houvesse Hanuká, poderia ter havido Natal?" - Rabino Maurice Lamm


Hanuká: a festa das luzes
Hanuká: a festa das luzes

Hanuká significa Dedicação. O Nome Hanuká é composto de duas palavras: Hanu – descansaram e kah (kaf e he), duas letras hebraicas cujo valor numérico é 25, ou seja, os Macabeus descansaram depois de sua vitória, no dia 25 de Kislev. O historiador Flávio Josefo chama esta festa de “Festa das Luzes”. Essa história está registrada no livro não canônico de 1 aos Macabeus. A festa comemora a dedicação do Templo judaico que havia sido profanado no ano 168 a.C. pelos greco-sírios. Esse ano Hanuká será celebrada nos dias 12 a 19 de Dezembro.

A história de Hanuká se dá no período inter-bíblico, conhecido como os 400 anos de silêncio, que vai do profeta Malaquias até João, o Batista, que quebra o silêncio profético anunciando a chegada do Reino dos Céus na pessoa bendita do Messias de Israel, o Senhor Jesus Cristo (Mateus 3).

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Com a morte de Alexandre o Grande, em 323 a.C. seu vasto Império foi dividido entre seus 4 generais. Israel, depois de disputa de 20 anos com os ptolomeus, ficou sob controle do rei selêucida Antíoco III (223-187 a.C.).

Mas foi com Antíoco IV Epífanes, que chegou ao trono em 175 a.C., que a Judéia passou a enfrentar o perigo da assimilação helênica estipulada pelos greco-sírios. Epífanes destituiu e assassinou o sumo-sacerdote Onias III, substituindo-o por Jasão, seu irmão. Não contentes com a nomeação de Jasão, os judeus helenizados, depois de 3 anos, estabeleceram como sumo-sacerdote a Menelau que pactuava com as aspirações de helenizar todo o povo judeu.

Houve uma revolta liderada por Jasão para conquistar Jerusalém baseada no boato que Antíoco IV Epífanes havia morrido em combate na campanha contra o Egito. Menelau teve apoio das tropas de Antíoco Epífanes e frustrou os planos de Jasão, porém a revolta continuou. O que levou Antíoco a proibir os judeus, sob pena de morte, de práticas tais como: o ensino da Torá (Pentateuco) aos jovens (além de ter queimado os rolos da Torá), a observância da circuncisão, o shabat e a casherut (lei dietética judaica – Levítico 11), com o claro propósito de assimilá-los à cultura helênica.

O Templo foi violado e saqueado e um altar com a estátua de Zeus foi construída no Templo em Jerusalém e fez-se com que os sacerdotes judeus sacrificassem porcos aos deuses gregos nas cidades e aldeias de toda a Terra Santa. A tentativa de anulação da vida judaica trouxe muitas dores ao povo judeu que era temente a Deus.

Até que numa vila perto de Jerusalém, chamada Modiin, um sacerdote por nome Matatias (heb. Matatiahu, dádiva de Deus) da família dos Hasmoneus, recusou-se a sacrificar o porco e matou o sacerdote que queria fazê-lo em seu lugar. Matatias e seus cinco filhos reuniram uma milícia (civis não treinados para a guerra, inferiores em número, armas e capacidade de manobra contra uma força militar profissional forjada no campo de batalha), unificaram os grupos políticos judaicos e travaram durante três anos uma guerra contra Antíoco Epífanes, que resultou numa incrível vitória contra os inimigos idólatras expulsando todos os gregos da Judéia.

A oração de al Hanissim, recitada durante a Amidá de Hanuká expressa bem a quem é atribuída a vitória dos macabeus.“Em Tua magna misericórdia, estiveste ao lado deles na hora da aflição… e entregaste os fortes nas mãos dos fracos, os numerosos aos que estavam em minoria reduzida, os impuros aos puros, os maus aos justos, os frívolos aos que cumprem a Tua Torá…”

Apesar de Matatias ter sido o personagem a iniciar a grande revolta dos judeus contra a opressão de Antíoco Epífanes, foi seu filho Judas Macabeu (Martelo) quem liderou a expulsão dos gregos e conquistou a vitória sobre os inimigos.

As lutas continuaram, mas em 162 a.C. Lísias, regente de Antíoco V, ofereceu condições generosas a Judas e concedeu perdão total aos rebeldes, e plena liberdade religiosa (I Mac.6:58ss; II Mac.13:23s). Para convencê-los à conciliação, ele ordenou que Menelau fosse condenado à morte.

A data de 25 de Kislev de 165 a.C. é o grande marco da vitória da fé no único Deus contra os pagãos politeístas. Pois é nessa data, três anos depois da profanação do Templo, que o serviço da adoração é restabelecido através da purificação e dedicação do Templo judaico, lideradas por Judas Macabeu.

Conta-se a história que quando os judeus chegaram ao Templo na tentativa de purificá-lo procuraram acender a Menorá, castiçal de sete braços que deveria estar aceso continuamente no Templo. Encontraram apenas um vaso com o óleo e o selo do sumo-sacerdote que queimaria apenas por um dia. Aconteceu então o milagre, o vaso com óleo para um dia durou oito dias, o tempo suficiente para se produzir o novo óleo. Por isso, Hanuká é conhecida como a Festa das Luzes.

Judas Macabeu estabeleceu oito dias para a comemoração da Festa de Hanuká.

Hanukiá é o nome dado ao castiçal de oito braços mais um braço, o “shames” (o servo), com o qual se acende a cada noite da festa uma luz. A Hanukiá deve ser colocada perto de uma janela, para  “proclamar o milagre”.

A Hanukiá é acesa logo após o aparecimento das estrelas por um espaço de pelo menos meia-hora. Ela é acesa da direita para a esquerda, na primeira noite. Na segunda noite, é acrescida uma vela à esquerda, e assim a cada noite, é adicionada mais uma vela à esquerda.

Essa milagrosa vitória preparou o cenário para a chegada do Messias (Gálatas 4:4). Foi no contexto da festa de Hanuká que o Senhor Jesus perdoou a mulher adúltera (João 8:1-11); curou um cego de nascença: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”, (João 9:1-12); e fez as seguintes declarações: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12); “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (…) Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:32, 36); “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (João 10:9); “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10:11).



Alexandre Dutra

Alexandre Dutra

Pastor Batista, Diretor dos Amigos de Sião, Mestrando Estudos Judaicos (USP)


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