Imprensa, muçulmanos e o “discurso de ódio” contra cristãos no Egito

A imprensa que “protege” líderes muçulmanos comprometidos com “discursos de ódio” contra minorias e mascara os atentados terroristas contra os coptas, também silencia informações sobre a perseguição generalizada que as comunidades cristãs sofrem no Egito.


Imprensa, muçulmanos e o "discurso de ódio" contra cristãos no Egito

Quando os cristãos coptas do Egito comemoravam o chamado “Domingo de Ramos” nas igrejas em Alexandria e Tanta, muçulmanos perpetraram ataques terroristas ocasionando um verdadeiro massacre, onde 44 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas.

No primeiro ataque terrorista islâmico, uma bomba explodiu dentro da Igreja de São Jorge, na cidade de Tanta, no Delta do Nilo, matando pelo menos 27 pessoas e ferindo 78, e o segundo ataque aconteceu horas depois na Catedral de São Marcos, na cidade de Alexandria, sede histórica do Cristianismo no Egito, matando pelo menos 16 pessoas e ferindo 41, segundo dados de autoridades egípcias.

Imediatamente, os principais jornais ocultaram o evidente ataque terrorista noticiando o crime de forma mascarada a fim de levar o leitor a crer que se tratava de simples “acidente”, como se vê nas seguintes manchetes:


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– Globo: “Explosões em duas igrejas cristãs no Egito deixam dezenas de mortos”.[1]

-O Globo: “Duas explosões em igrejas no Egito causam 44 mortos e mais de cem feridos”.[2]

– Uol: “Explosões matam fiéis em igreja no Egito a poucos dias de visita do Papa”.[3]

– Folha de São Paulo: “Explosões em igrejas cristãs deixam dezenas de mortos e feridos no Egito”. [4]

Ora, se alguém lesse as manchetes acima mencionadas poderia supor que se referiam a atentados terroristas islâmicos? Poderia, também, haver a hipótese de saber que os atentados são frutos de uma sistemática “campanha de ódio” contra as comunidades cristãs coptas promovida pelo mais renomado centro ideológico da vertente muçulmana sunita, que está sediado no Egito?

Venho sempre alertando que a essência do Islã não é revelada através dos “discursos maquiados” dos sheiks brasileiros, afirmando que a religião é tolerante e apregoa a paz. Ademais, como a grande mídia segue os ditames preconizados pela sharia (lei islâmica), percebe-se em suas matérias informações falsas que não retratam a realidade da religião nos territórios onde seus adeptos são maioria ou mesmo minorias expressivas.

O exemplo de militância da imprensa em conluio com os muçulmanos para vender a imagem inventada de “pacifismo” na ortodoxia islâmica, pode ser constatado na matéria da revista Exame, que surpreendentemente apresentou manchete intitulada: “Principal instituição do islã sunita condena atentados no Egito”[5]. Segundo a revista, a Universidade al-Azhar, considerada centro de referência do Islã sunita, “condenou energicamente” os atentados, que nesse caso específico foram rotulados como “terroristas”, aduzindo nota emitida pela instituição que teria afirmado que os atentados representam “um crime horrível contra todos os egípcios”, e ainda teria asseverado que o ocorrido é um “ato desumano”.

Dessa forma, considerando que o brasileiro, de modo geral, não acompanha os noticiários no próprio mundo árabe, é mais do que notório que acaba tornando-se propagador inconsciente da “desinformação” promovida pela grande mídia, senão vejamos: na matéria publicada pela revista Exame, a Universidade al-Azhar denomina os muçulmanos que assassinaram os cristãos coptas como “terroristas”, não é verdade? Mas, uma informação que não foi veiculada no Brasil mostra que essa instituição não considera de fato o Estado Islâmico como um grupo terrorista.

Em dezembro de 2014, a Universidade al-Azhar sediou uma discussão aberta sobre questões pertinentes ao Islã, e naquela oportunidade, o Dr. Ahmed al-Tayeb, sheik e grande imã da entidade – considerado a mais elevada autoridade islâmica no Egito – foi indagado no sentido de verbalizar o motivo da Universidade al-Azhar se recusar a emitir uma declaração oficial de que o Estado Islâmico seria um kafir (infiel)[6]. Em sua resposta, al-Tayeb afirmou que a única maneira da instituição reconhecer esse “estado” seria se houvesse a rejeição formal dos princípios fundamentais do Islã, tais como, a shahada (testemunho de fé reconhecendo que não há Deus além de Allah e Muhammad é seu mensageiro), e as escrituras islâmicas.

Aliás, antes de encerrar suas colocações aduzindo que “al-Azhar não pode acusar qualquer muçulmano de ser um kafir (infiel), enquanto acreditar em Deus e no último dia, o sheik Tayeb ponderou: “não posso denunciar o ISIS (Estado Islâmico) como anti-islâmico”. Outrossim, durante o discurso o “skeik moderado” citou um fragmento “nada pacífico” do alcorão, a saber:

5:33 – O castigo dos que fazem a guerra a Deus e a Seu Mensageiro e semeiam a corrupção na terra é serem mortos ou crucificados ou terem as mãos e os pés decepados, alternadamente, ou serem exilados do país; uma desonra neste mundo e um suplício no Além.

Cabe indagar: se o Islã é realmente uma “religião da paz”, por que o seu mais importante representante sunita utiliza um verso de extrema violência para “justificar” as atrocidades criminosas de uma facção terrorista?

Vou mais além em minha argumentação, em virtude de saber que sempre tem um multiculturalista preocupado com “detalhes inexpressivos” quando ativistas denunciam os horrores promovidos por seguidores do Islã.

Certamente, uma “alma piedosa” pode pontuar a hipótese de a instituição ter “revisado” seus conceitos, o que por si só, já demonstraria desconhecimento sobre a religião, uma vez que os preceitos estatuídos no alcorão – dentre os quais, o citado pelo sheik Tayeb – são irrevogáveis, e por isso, é mencionado na atualidade para “inocentar” uma perversa facção terrorista islâmica. Além disso, vale destacar que o Projeto Clarion, entidade que denuncia o islamismo radical e que tem como integrante a renomada ativista muçulmana Raheel Raza, apresentou a denúncia do Instituto do Cairo para Direitos Humanos, o qual apelou para a Universidade al-Azhar renunciar seus ensinamentos que contradizem a liberdade religiosa e também conclamou renúncia ao apoio do extremismo violento quando se refere a apostasia.

Apesar do sheik Tayeb ser apresentado ao Ocidente como “moderado” e “reformador”, na realidade, o líder religioso estimula o pensamento e pregações extremistas, não diferindo dos discursos usuais de grupos terroristas. Em programa na TV egípcia durante o Ramadan, Ttayeb pronunciou as seguintes palavras:

“A apostasia contemporânea apresenta-se sob a forma de crimes, assaltos e grande traição, por isso lidamos com isso agora como um crime que deve ser combatido e castigado … Os que aprenderam no Islã [al-fuqaha] e os imãs das quatro escolas de jurisprudência consideram a apostasia um crime e concordam que o apóstata deve renunciar a sua apostasia ou então ser morto[7].

É lógico que o “discurso de ódio” do líder muçulmano Tayeb – recebido com abraço fraterno do Papa Francisco em encontro no Vaticano[8] – não reverberou na mídia ocidental, que prefere noticiar apenas os “discursos mentirosos” proferidos por ele objetivando enganar o público leigo, e vale lembrar seu pronunciamento no parlamento alemão em março de 2016, afirmando que o alcorão garante a liberdade religiosa, que sua instituição nega veementemente quando os holofotes ocidentais se apagam.

Para aqueles que insistem em acreditar que o intérprete supremo da lei islâmica não representaria o pensamento da maioria dos muçulmanos, faz-se oportuno avocar uma publicação anual chamada Muslim 500, que o apontou em 2013, como o muçulmano mais influente do mundo. Daí, se entende racionalmente o aumento vertiginoso de extremismo islâmico no Ocidente. E apesar das evidências acerca do perfil insidioso de Tayeb[9], a mídia ocidental o rotula como moderado, sendo apresentado pela Universidade Georgetown como um “forte defensor do diálogo inter-religioso” e o jornal Wall Sreet o elogiou em 2015 por “combater o aumento da violência extremista”.

A imprensa que “protege” líderes muçulmanos comprometidos com “discursos de ódio” contra minorias e mascara os atentados terroristas contra os coptas, também silencia informações sobre a perseguição generalizada que as comunidades cristãs sofrem no Egito. Segundo o bispo Mona Roman, cujo rebanho está sempre sob ataque muçulmano, as autoridades governamentais locais, incluindo o aparelho de segurança estatal, não apenas ignoram os ataques de muçulmanos contra os coptas, como também, participam ativamente das ações[10]. Certamente, o brasileiro não sabe que no país muçulmano, rotulado como “moderado” a lei islâmica proíbe a construção ou reparo de igrejas, muitas delas destruídas pelas hordas de muçulmanos que não são qualificados como “extremistas” pelo Ocidente conivente.

Inobstante a severa perseguição promovida por “muçulmanos moderados” sob a “benção de al-Taheb”, subjaz a extensão do genocídio perpetrado pelo Estado Islâmico alcançando cristãos egípcios, sendo certo que diversos coptas foram covardemente assassinados e centenas fugiram de suas casas no Sinai[11].

Assim, o processo contínuo de erradicação de cristãos no Egito continua sem merecer qualquer destaque nos meios de comunicação porque a grande mídia no Ocidente já estabeleceu como prioridade salvaguardar a lenda do “Islã da paz”.

[1] http://g1.globo.com/mundo/noticia/explosao-em-igreja-crista-no-egito-deixa-mortos-e-feridos.ghtml
[2] http://oglobo.globo.com/mundo/duas-explosoes-em-igrejas-no-egito-causam-44-mortos-mais-de-cem-feridos-21184147?ModPagespeed=on
[3] https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2017/04/09/explosoes-matam-fieis-em-igrejas-no-egito-a-poucos-dias-de-visita-do-papa.htm
[4] http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/04/1874029-explosao-em-igreja-crista-deixa-dezenas-de-mortos-e-feridos-no-egito.shtml
[5] http://exame.abril.com.br/mundo/principal-instituicao-do-isla-sunita-condena-atentados-no-egito/
[6] http://www.meforum.org/blog/2015/12/alazhar-isis
[7] https://clarionproject.org/two-face-al-azhar/
[8] https://artigos.gospelprime.com.br/verdadeira-mensagem-do-encontro-entre-o-papa-e-o-sheik-muculmano/
[9] http://raymondibrahim.com/2016/08/23/dr-ahmed-al-tayeb-meet-the-worlds-most-influential-muslim/
[10] http://www.frontpagemag.com/fpm/256430/exposed-egypts-institutionalized-persecution-raymond-ibrahim
[11] http://raymondibrahim.com/2017/03/02/new-genocide-egypts-christians/



Andréa Fernandes

Andréa Fernandes

Advogada, Bacharel em Relações Internacionais e Diretora-Presidente da ONG Ecoando a Voz dos Mártires, que milita denunciando violações dos direitos humanos no mundo muçulmano e Coreia do Norte objetivando fomentar conscientização humanitária para socorrer as vítimas da intolerância religiosa.


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