Intolerância bíblica

A maior confusão de alguns crentes mais liberais é que compreendem a Grande Comissão como sendo o Grande Mandamento e vice-versa.


Intolerância bíblica

O cantor gospel e pastor Kleber Lucas se envolveu em mais uma polêmica: foi filmado cantando música secular com pessoas que professam fé em outros deuses. Ele já tinha “causado” quando convidou o famoso padre Fábio de Melo para pregar em sua igreja, mas agora me parece que a tentativa honesta de lutar contra a intolerância religiosa desembocou numa participação cúltica bastante questionável.

Um posicionamento pessoal

Quero deixar claro meu posicionamento quanto a questão dos R$ 11 mil doados para o centro Cazo Kwe Ceja Gbe: achei legítima e digna do grande mandamento que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. É isso.

O “amor ao próximo” não pode ser reduzido a um mero sentimento, pois não foi assim que Cristo nos ensinou; ele nos ensinou a doarmos de nós mesmos e a fazer o bem sem esperar nada em troca. Isso é bastante coerente com o cristianismo.

O “x” da questão

No entanto, não podemos (por meio da necessidade de se enfrentar a intolerância religiosa) cair no que vou chamar de “intolerância bíblica”, onde o seu fruto se encontra no agrado ao homens em desagrado a Deus, simultaneamente, por simplesmente estarmos nos envolvendo com aquilo que Deus não quer que nos envolvamos.

Ele nos chamou para o amor ao próximo, mas tal amor só é cristão quando o amor de Deus em nós é o que nos move – e tal amor jamais nos conduzirá ao erro, como por exemplo prestar culto a outros deuses.

O grande equívoco

Deus é sim amado no outro. Sendo que Deus também e principalmente é amado em si mesmo. Não podemos honrá-lo fazendo coisas que podem produzir confusão, principalmente nos mais fracos na fé.

“De boas intenções o inferno está cheio”, disse a sabedoria popular. Temos de entender que “Deus é amor, mas o amor não é Deus” – como disse C. S. Lewis – e que ir aquém ou além do que ele ordenou para que fôssemos se constitui num pecado.

A maior confusão de alguns crentes mais liberais, que possuem um pensamento mais “fora da caixinha”, é que compreendem a Grande Comissão como sendo o Grande Mandamento e vice-versa. Pensam que amar ao próximo é conduzi-lo a Cristo, mas isso é antibíblico e um erro gravíssimo que pode comprometer inclusive o êxito do cumprimento da missão da Igreja.

Cristo não nos disse que devemos apenas amar as pessoas para que elas sejam convencidas dos seus pecados e creiam no seu poderoso nome. Podemos fazer todo tipo de caridade, praticar toda forma de inclusão social possível e até mesmo promover os encontros mais nobres com um viés humanitário, tolerante e conciliador que ainda falharemos no cumprimento da Grande Comissão.

Sobre a grande comissão

Sobre a Grande Comissão, está evidente na Bíblia que é somente pela pregação do evangelho que o ser humano pode chegar à fé; ou seja, é pela orelha que se pode crer no Cristo. Não é pelos olhos, menos ainda pelas emoções do coração, definitivamente. É um ato espiritual que perpassa pela consciência do homem e adentra sua subjetividade, para que possa crer “de todo o coração”, conforme Romanos 10.

Luz que não ilumina como deveria

O erro se encontra em querer iluminar com luz artificial, que dialoga bem com o homem fora da palavra do Evangelho e inabitado pelo Espírito Santo, mas não produz frutos dignos de arrependimento, pois este ainda está sendo tratado como “igual”, quando este só o é no sentido criacional. No sentido espiritual, o cristão foi iluminado pelo Evangelho e recebeu o espírito de adoção de filhos, que clama Abba Pai (Romanos 8.15 e Gálatas 3.26 e 4.4-6) e deve comunicar esta luz somente pela Escritura (Mateus 28-16-20), através da pregação que apresentará ao pecador a sua única esperança de salvação que é Cristo Jesus (Marcos 16.15).

Kleber Lucas é um sinal da falha incomensurável na evangelização e discipulado que abraça o Brasil há pelo menos 3 décadas. Fruto de uma teologia espúria que flerta com o liberalismo teológico, com o relativismo bíblico e com a aceitação do pluralismo religioso, o cantor gospel e pastor batista ganha aplausos dos homens que amam a ideologia subversiva que odeia a cruz e, ao mesmo tempo, angaria escândalos com irmãos menos esclarecidos e até mesmo com irmãos mais “cascudos”, que certamente falharão num juízo de valor preconceituoso mas que não será de todo equivocado, pois a brecha parte exatamente de quem deveria vigiar mais em suas atitudes, principalmente por ser famoso.

Um conselho final

Caro leitor, não devemos entender que o respeito ao diferente não faz parte da nossa ética cristã. Devemos ser os primeiros a lutar contra a intolerância religiosa e pelo direito de todo cidadão possuir e praticar a sua crença com toda a liberdade. Não devemos lutar com armas carnais para ver pessoas se convertendo a Cristo. Porém, não podemos “errar para acertar”.

Se eu estivesse no lugar do pastor naquele encontro eu cantaria e tocaria para Jesus, pois dele, por ele e para ele são todas as coisas (Romanos 11.36) e deixaria claro que Jesus Cristo é a única esperança dos homens, pois é o único Filho de Deus. Afirmaria o respeito à liberdade de crença, o direito das pessoas professarem a fé que lhes for mister, mas não confundiria ninguém acerca do Nome que rege minha vida.

Não vejo outra forma de se portar num ambiente religioso que não seja dando testemunho do meu Salvador. Que sirva de lição para que nenhum de nós sejamos uma pedra de tropeço a ninguém, mas sim testemunhas daquilo que vimos e ouvimos da parte do nosso Deus (1 João 1.1).



Maycson Rodrigues

Maycson Rodrigues

32 anos, é casado com Ana Talita, bacharelando em Teologia pela Unigranrio e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, trabalha no ministério de adolescentes da Igreja Batista Betânia e no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.


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