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Jerusalém, a capital de Israel

E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-ão contra ela todo o povo da terra. Zacarias 12:3


Jerusalém
Jerusalém, a capital de Israel

A decisão do presidente dos Estados Unidos de assinar o reconhecimento oficial da cidade de Jerusalém como a capital de Israel, além de ser o cumprimento de uma promessa de campanha, foi também uma atitude que lavou a moral do povo americano na falta de seus presidentes desde 1995, quando foi proposto esse reconhecimento através da lei: “Jerusalem Embassy Act” de 1995, aprovada por 93 votos a 5 no Senado, e por 374 votos a 37 na Câmara de Representantes.

Segue um trecho dessa lei: “Desde 1950, a cidade de Jerusalém tem sido a capital do Estado de Israel (…). De 1948 a 1967, Jerusalém foi uma cidade dividida e cidadãos israelenses de todas as crenças, bem como cidadãos judeus de todos os Estados, tiveram negado seu acesso a locais sagrados controlados pela Jordânia. Em 1967, a cidade de Jerusalém foi reunificada durante a Guerra dos 6 Dias. Desde então, Jerusalém tem sido uma cidade administrada por Israel, e pessoas de todas as crenças religiosas tem tido assegurado acesso total a todos os locais sagrados dentro da cidade. Esse ano marca o 28º ano consecutivo em que Jerusalém tem sido administrada como uma cidade unificada, em que os direitos de todas as crenças tem sido respeitados e protegidos”.

Portanto, a lei americana de 1995, que foi cabalmente cumprida nesse dia 06 de dezembro,  já reconhecia Jerusalém como capital de Israel e autorizava a transferência da embaixada dos EUA em Israel para Jerusalém. No entanto ela foi preterida sistematicamente por Clinton, Bush e Obama, levando 22 anos para ser cumprida.

As declarações de Donald Trump em seu discurso destacou a posição de Israel entre as nações: “Israel é uma nação soberana e tem o direito”, não deixou de fora a importância da Cidade Santa para os judeus, cristãos e muçulmanos e enfatizou Israel como um exemplo de democracia (diga-se de passagem a única do tipo no Oriente Médio): “Jerusalém não é somente o coração de três grandes religiões, mas é também o coração de uma das mais bem-sucedidas democracias do mundo”. Ainda preciso destacar o que o presidente norte-americano chamou de óbvio: “Finalmente reconhecemos o óbvio: Jerusalém é a capital de Israel. É um reconhecimento da realidade. É o certo a se fazer e precisa ser feito.” E por último o presidente reafirmou que sua decisão não pretende acabar com o compromisso de um acordo de paz envolvendo ambos os povos em conflito na Terra Santa: “Queremos um acordo que seja ótimo para israelenses e palestinos”.

Após as declarações do Presidente Trump sobre reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, o Primeiro Ministro de Israel Benjamin Netanyahu declarou em seu pronunciamento de gratidão que: “não haverá nenhuma mudança no estatus quo dos locais sagrados. Israel sempre garantirá liberdade de culto pra judeus, cristãos e muçulmanos.”

Então, por quê todo esse frenesi internacional com a decisão do Presidente Trump em reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e da transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a capital Jerusalém? Pretendo responder essa pergunta Politicamente (o presente de Israel), Biblicamente (o passado de Israel) e Profeticamente (o futuro de Israel).

Politicamente, porque em 1947, quando a Assembleia Geral da ONU decidiu pelo plano de partilha da Palestina entre um Estado árabe e outro judeu, Jerusalém foi designada como “corpus separatum” (corpo separado), sob controle internacional. No dia 14 de maio de 1948 houve a declaração da Independência do Estado de Israel. O plano, porém, não chegou a ser implementado, pois os árabes rejeitaram a decisão soberana da ONU e no dia seguinte (15/05/1948), iniciou-se a guerra da Independência, onde cinco nações árabes (Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque) atacaram o recém formado Estado Judeu com o claro objetivo de “afogar os judeus no mar”. Ao final do conflito, Jerusalém foi dividida, com a parte ocidental sob controle de Israel e a parte oriental controlada pela Jordânia.

De 1949 a 1967 (18 anos) Jerusalém oriental esteve sob domínio jordaniano e nunca foi declarada capital de qualquer que seja o povo, os lugares sagrados para os judeus foram proibidos de serem visitados. 
Até que em 1967, uma nova aliança entre Egito, Síria e Jordânia foi estabelecida e as emissoras de rádio, árabes, transmitiam  programas em hebraico que anunciavam à população israelense que seu fim estava próximo. Israel invocou direito de defesa e desencadeou um ataque preventivo. Ao fim de seis dias de combate, a Judéia, a Samaria, Gaza, a Península do Sinai e o planalto do Golan estavam sob o controle de Israel. A cidade de Jerusalém, que estivera dividida entre Israel e Jordânia desde de 1949, foi reunificada sob autoridade de Israel, na chamada Guerra dos 6 Dias. Em Jerusalém estão o parlamento israelense, as casas do primeiro ministro e presidente de Israel, além dos ministérios.

Após 1967 a ONU estabeleceu que o status de Jerusalém deveria ser definido em negociações entre israelenses e palestinos, o que responderia ao fato de as embaixadas ainda estarem em Tel Aviv. Além, do agravante em que a Autoridade Palestina deseja que a parte leste de Jerusalém seja a capital de seu almejado Estado. Colocando a cidade de Jerusalém em disputa, trazendo maiores desentendimento entre os dois povos. Biblicamente Jerusalém pertence a Israel desde a conquista do Rei Davi, por volta do ano mil a.C. (2 Samuel 5:4-9), e apesar do cativeiro babilônico (586 a.C.) e a destruição pelos romanos (70 d.C.), a cidade sempre permaneceu como centro da vida política, religiosa e cultural do povo judeu como inspirado e eternizado no Salmo 137:5-6 “Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza. Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a língua ao meu paladar; se não preferir Jerusalém à minha maior alegria” e jamais foi capital de qualquer reino dominante da região (Romano 63 a.C. – 313 d.C., Bizantino 313-636 d.C., Árabe 636-1099 d.C., Cruzados 1099-1291 d.C., Mameluco 1291-1516 d.C., Otomano 1517-1917 d.C., Britânico 1917-1948 d.C.).

Profeticamente, Jerusalém como apontou o profeta: “Eis que eu farei de Jerusalém um copo de tremor para todos os povos em redor” (Zacarias 12:2a). Antes mesmo de Washington aprovar a decisão de 1995 a mídia internacional já ecoava em tom apocalíptico as preocupações da comunidade internacional com a medida. Dando voz a líderes da União Europeia (UE), da Liga Árabe e de diversos países que temem danos ainda maiores à estabilidade na região.

Contudo, foram esses tais “líderes” que trouxeram um discurso inflamado de ódio, rejeição e de confrontação e não de diálogo em busca de um possível acordo de paz entre as partes. O líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, advertiu em conversa telefônica com o presidente americano sobre as “consequências perigosas” de tal decisão para os esforços de paz no Oriente Médio, bem como para a segurança e estabilidade da região. Enquanto o grupo terrorista Hamas ameaçou iniciar uma nova intifada – rebelião popular ou levante – contra Israel. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou em discurso televisionado que “Jerusalém é uma linha vermelha para os muçulmanos”. Já no dia seis de dezembro foguetes foram disparados de Gaza contra Israel e manifestações contra a decisão americana foram realizadas em Jerusalém, por palestinos.

Quanto as  acusações de que Donald Trump estaria causando instabilidade na região ou no mundo, pode-se dizer que o mundo nunca realmente foi um lugar seguro. Somente no século passado tivemos duas guerras mundiais com mais de 1000 milhões  de vítimas entre mortos e feridos e do início do século pra cá já temos contemplado várias guerras regionais e civis. E não parece que os muçulmanos radicais precisam realmente de um motivo para realizarem atentados terroristas contra os infiéis, judeus e cristãos. Vemos assim o cumprimento das palavras do Senhor  Jesus: “E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino” (Mateus 24:6-7a). Portanto, nossa real preocupação deve ser com a proposta de uma paz mundial “Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão” (1 Tessalonicenses 5:3). O cenário está sendo preparado. Maranata!



Pastor Batista, Diretor dos Amigos de Sião, Mestre em Letras - Estudos Judaicos (USP).

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