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Jesus veio quebrar as regras? (2° Parte)

Uma recente pesquisa revelou que 82% dos brasileiros acha fácil descumprir as leis. O resultado desse levantamento não é uma...


Uma recente pesquisa revelou que 82% dos brasileiros acha fácil descumprir as leis. O resultado desse levantamento não é uma surpresa, já que em nosso país é algo rotineiro encontrar pessoas que furam a fila para se chegar mais rápido, colam nas provas para se ter mais vantagem,  subornam para se livrar de uma penalidade ou distorcem a lei em benefício próprio.

Por conta dessa sociedade que acha normal burlar as leis, existe um fenômeno social que ganha cada vez mais espaço no Brasil. Vários cidadãos brasileiros, cansados de não verem as regras sendo obedecidas, passaram a criar as suas próprias leis. Fazer justiça com as próprias mãos é um bom exemplo disso.

Essa realidade não é algo novo, pois no tempo de Jesus já existiam esses dois tipos de pessoas, os legalistas que acrescentavam regras a Lei de Deus e os liberais que as distorciam. Jesus condenou ambos os grupos e já no início de seu ministério deixou claro que não veio ao mundo para cumprir toda a lei de duas formas. Vejamos em Mateus 5.18 e 19 de que maneira ele obedeceu a Lei de Deus.

Jesus veio obedecer a Lei de Deus sem subtrações

“Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido”.

Sabemos que quando Jesus foi tentado, Satanás utilizou a Palavra de Deus. Essa é uma velha tática utilizada por ele que visa dizer uma meia verdade com o objetivo de nos fazer pecar. Não foi isso que ele fez com Eva? A serpente disse: “Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus , serão conhecedores do bem e do mal”. Conheceram isso foi uma verdade, mas da pior maneira, pecando.

A verdade da Palavra de Deus quando incompleta passa a ser uma mentira de Satanás. Por isso que Jesus foi enfático ao dizer que não seria retirada a menor letra do alfabeto hebraico o “yod”, nem a pequena marca “til” que distingue certas letras hebraicas de outras. Toda a Escritura deveria ser obedecida em sua totalidade, sem subtrações.

Uma pequena letra, acento ou sinal quando retirada de uma frase pode modificar todo o significado de um texto. Se digo, por exemplo, que Cristo pediu que nos amássemos uns aos outros, entendemos que devemos amar o nosso semelhante. Mas se digo que Cristo pediu que nos amassemos uns aos outros, o sentido passa a ser o de que devemos amassar o nosso semelhante, como se amassa uma folha de papel sem serventia.

Cristo cumpriu toda Lei  ao obedecê-la de forma completa e verdadeira. Mas Satanás continua a espalhar falsas doutrinas com uma roupagem de verdade. 

Um discurso muito comum hoje em nossas igrejas é o que diz que devemos participar mais ativamente de “ações sociais” para realizarmos uma missão integral. Isso é uma verdade importante, mas que passa a ser meia verdade quando se exclui grandes doutrinas bíblicas, como a redenção.

Várias igrejas têm transformado seus templos em postos de distribuição de alimentos e roupas. Verdadeiros centros de assistência social que alimentam e agasalham os mais carentes fisicamente, enquanto os deixam perecer espiritualmente. Ainda que ajudemos os mais necessitados, devemos deixar claro a cada um deles por meio da pregação do evangelho que a nossa maior carência é a de Deus em nossas vidas. Somente assim o evangelho pode ser pregado de forma integral.

Como você tem vivido o evangelho de forma integral ou parcial?

Jesus veio obedecer a Lei sem adições

“Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus”.

Deus a fim de proteger o seu povo, criou regras conhecidas pelos israelitas como a Torá, ou seja, a Lei de Deus. A questão é que no século II a. C. os Fariseus criaram outras leis a fim de ajudar as pessoas a não violar a Lei.

Essa lei, conhecida como Talmude, determinava minuciosamente o que podia e não podia ser feito por meio de adições a Lei de Deus. O quarto mandamento, por exemplo, diz apenas que devemos guardar o sábado. Já a lei oral  discriminava quais atividades, algo em torno de 39 tipos, que não podiam ser feitos no sétimo dia da semana. Andar mais do que 1 quilômetro a partir da povoação em que se vivia, carregar um fardo, acender um lume ou mesmo até mesmo cuspir no chão entre outras, era considerado uma infração a lei.

O problema é que, ainda que pareça que estivessem fazendo isso com a melhor das intenções, esse zelo exagerado não visava agradar a Deus em gratidão, mas garantir por meio de méritos a graça de Deus. Chamamos isso de legalismo, ou seja, o ato de se cumprir a Lei de Deus a fim de garantir a salvação por meio das obras.

Jesus fez um alerta sobre as consequências que virão sobre a vida de quem acrescente qualquer coisa a Palavra de Deus: “Ai de vós, também, doutores da lei, que carregais os homens com cargas difíceis de transportar; e, vós mesmos, nem ainda com um dos vossos dedos tocais essas cargas.”[1]

Larry Crabb disse: “O problema central não é que somos zelosos demais sobre coisas erradas, mas, que não temos zelo o suficiente para as coisas boas.[2]

Hoje muitas seitas e até denominações criam divisões e elementos externos a Lei. Estes grupos criam regras que não podem ser observadas em sua totalidade e ainda assim afirmam ser esse o único, ou melhor, caminho até Jesus.

Você tem seguido a Lei dos homens ou a lei do Reino dos Céus?

Conclusão

Não sei qual era o seu grupo favorito, se o dos legalistas ou dos liberais, porém quero lhe dizer que existe um terceiro grupo, o dos bíblicos. Aqueles que obedecem a Lei de Deus em gratidão pela graça que nos foi concedida por meio do sacrifício de Cristo na cruz. Junte-se hoje mesmo a esse time e veja as maravilhas que Cristo operará por meio de sua vida.

Notas

[1] Lucas 11:46

[2] Larry Crabb. Jornal Leadership, Vol. 15, no. 2.



Alessandro Brito

Alessandro Brito

Alessandro Miranda Brito, casado, 33 anos de idade, bacharel em Teologia, plantador de igrejas da Co-Mission Church Planting Network.


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