José, o líder fujão

Quando vamos a cursos de liderança, principalmente que abordem liderança eclesiástica, cansamos de ouvir palavras como “vitória”, “não desista”, “enfrente”,...


Quando vamos a cursos de liderança, principalmente que abordem liderança eclesiástica, cansamos de ouvir palavras como “vitória”, “não desista”, “enfrente”, “você quer, você consegue”, etc.

É o pensamento positivo, o púlpito psicologizado e as técnicas empresariais de marketing e propaganda que forjam os nossos atuais líderes, que pensam ser “pequenos deuses” diante de uma plateia de pequenos idólatras modernos.

A Bíblia diz que eu e você devemos resistir a Satanás (Tg 4:7), porém, poucos assumem que a melhor maneira de resistir ao diabo é fugindo de suas armadilhas e nos submetendo ao Espírito Santo.

Sinceramente, gostaria de ministrar um curso sobre liderança em que eu pudesse virar de cabeça para baixo todo esse discurso triunfalista no qual mergulhou a maior parte da Igreja Evangélica Brasileira. A principal expressão não seria você pode, mas você falha.

Você indicaria um curso assim ao pastor da sua Igreja? Mas ele nem precisa ir muito longe, basta estudar a Palavra de Deus: “Fugi da prostituição” (1 Co 6.18); “fugi da idolatria” (1 Co 10.14); “saí do meio deles” (2 Co 6.17); “foge destas coisas” (1 Tm 6.11); “Foge também dos desejos da mocidade” (2 Tm 2.22); devemos escapar da corrupção, abandonando a concupiscência que há no mundo (II Pe 1:4); etc.

Neste sentido em que eu abordo este tema, quero dizer, então, que precisamos de líderes mais covardes; líderes que entendam que mais do que fugir do mal, a Bíblia nos orienta a fugir de toda a aparência do mal. Precisamos construir um ministério sobre a transparência e a honra necessárias a um servo que diz apascentar a Seara do Senhor.

Certo pastor ensinou-me que são 3 as barras que derrubam um líder: a barra de ouro, a barra da saia e “São João da Barra”, referindo-se à marca de uma aguardente.

Todas as barras citadas acima revelam a concupiscência da nossa natureza pecadora e, como bem frisou a Dani Marques em seu artigo “Trair e orar é só começar” (que eu indico aqui), são muitas as formas de adultério nas quais os cristãos têm caído.

O exemplo bíblico de um caráter forte na área sexual é o do jovem José na casa de Potifar, quando ele resiste ao convite da mulher de seu senhor (Gn 39). Quem estaria vendo? Quem contaria? Quantos privilégios receberia José se cedesse aos apelos da mulher de seu senhor?

Forjar um caráter como o de José em nossas lideranças, infelizmente, não é uma disciplina de nossos seminários. A lição bíblica é clara: a melhor estratégia, muitas vezes, é sair correndo. Muitas vezes, o ato mais corajoso que devemos ter é o de bater em retirada.

Precisamos de líderes menos super-crentes e muito mais ágeis em fugir. É preciso que o líder seja modelo também em suas próprias fraquezas, ensinando a Igreja e o povo a como lidar com elas.

Eu gostaria que os meus líderes pudessem ser apresentados como José. Gostaria que eles não tivessem vergonha de serem líderes fujões, ensinando-nos a escapar da corrupção sexual, moral e espiritual que tanto destrói a Igreja Brasileira.

Vamos orar a Deus para que Ele nos dê a graça de sermos líderes fujões? Ore comigo.

Ensino 4: O líder é aquele que, submetendo-se ao Espírito Santo, sabe que resistir ao diabo é fugir das suas armadilhas.

Leia também o quarto artigo desta série: “Abraão, um líder de fé“.



Fábio Ribas

Fábio Ribas

Pastor da IPB e missionário da APMT entre povos indígenas do Brasil. Graduado em Letras e em Teologia e pós-graduado em Filosofia e Existência. Atua como professor em cursos de formação transcultural. Casado e pai de duas filhas.


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