Judith Butler e a subversão cultural e da identidade

Toda sua teoria tem viés de subversão da moral, das regras vigentes, dos princípios e da religião.


Judith Butler e a subversão cultural e da identidade

Nos últimos dias estamos sendo atordoados com notícias relacionadas a desconstrução de valores da identidade humana, vilipendio a símbolos sagrados, discussão da aceitação social da pedofilia, zoofilia e tudo isso sendo inserido nas artes, como se fosse aceitável.

Parece que estamos vivendo em uma sociedade polifórmica perversa e neste meio crianças estão sendo abusadas psicologicamente por alguns professores que não respeitam a idade, os valores, as regras e as estruturas psíquicas desses menores. Essas ações orquestradas, com contornos subversivos, parecem chamar atenção para algo, neste caso, como foi a divulgação da vinda de Judith Butler ao Brasil, no início de novembro.

Quem é essa pessoa que tem subvertido todo o mundo acadêmico nos últimos anos e o que ela pretende? Rapidamente fiz um passeio pelos seus principais postulados para mostrar que esta feminista promove uma verdadeira esquizofrenia coletiva com seus conceitos subversivos e desconstrucionistas. E tem levando para a educação uma pedagogia que beira a loucura, no sentido literal da palavra.

Judith Butler nasceu em 24 de fevereiro de 1956, em Cleveland, Ohio (EUA) é uma filósofa pós-estruturalista estadunidense, uma das principais teóricas da questão contemporânea do feminismo e da Teoria Queer. Precursora da ideologia de gênero, Butler critica a estabilidade feminina, diz ser falsa a estabilidade da categoria mulher e propõe buscar um modo de interrogação da constituição do sujeito que não requeira uma identificação normativa com o ‘sexo’ binário.

Butler transita por diversas áreas (como a psicanálise, as teorias feministas, gays e lésbicas, e o pensamento pós-estruturalista) para problematizar a identidade, revelando-a provisória e em constante reconstrução.

Ela é um dos principais nomes da Teoria Queer. Quando pensamos em desconstrução da identidade nos remetemos a Judith Butler. Quando discutimos sobre ideologia de gênero e perversão da sexualidade humana, é de Judith Butler que lembramos.

O termo “queer” é uma apropriação radical de uma palavra normalmente usada para insultar e ofender e que, ao ser apropriada, torna-se resistente a definições fáceis. Podemos caracterizar queer como indistinguível e instável, sendo essas características, a fonte de seu poder crítico. Judith Butler argumenta que essa categoria levanta questões acerca do status de força e oposição, de estabilidade e de variabilidade dentro do campo do gênero, que, segundo seu entender, é performativo.

O Movimento Queer nasceu diante das crises dos movimentos identitários surgidos ao longo da década de 1970: o movimento da liberação gay, estudos lésbicos e feministas. Segundo Butler o queer construiu-se como a ferramenta para uma problematização construtivista de qualquer termo alegadamente universal.

O queer recusa a definição e a estabilidade, é transitivo, múltiplo e avesso à assimilação. Recusando-se a aceitar a existência dos sujeitos como pressuposto. A Teoria Queer pretende realizar a desconstrução, defendendo a instabilidade e a indeterminação de todas as identidades sexuadas e diversas.

Os conceitos de gênero e sexo de Butler consolidaram sua desconstrução do sujeito e apresentam as possibilidades de subversão para esta feminista gênero/sexual. É construída no discurso e pelo discurso. Butler postula um sujeito em contínuo processo, que se constrói no discurso pelos atos que executa e se desconstrói pelo discurso. Não há base biológica que construa ou determine o gênero do sujeito, e diz ainda que o gênero não é natural e que não há uma relação necessária entre o corpo de alguém e seu gênero.

Judith Butler tenta propositadamente desconstruir o sujeito de nascimento, por não aceitar que pessoas como ela não se sintam como a maioria dos seres humanos. Ela apresenta esses conceitos subversivos e desconstrucionista nas obras: Gender Trouble: feminism and the subversion of Identity (1990, reeditado em 1999) e Bodies That Matter: on the discursive limits of “sex” (1993).

Diz ela: “Uma vez que o sexo e o gênero podem apresentar-se como naturais, a tarefa de desfazer esse engano torna-se mais importante”. Como se vê, ela procura desconstruir esse conceito, propositadamente, por meio do que chama de “genealogia da ontologia de gênero”.

Para essa feminista desconstrucionista subversiva, há uma vasta possibilidade de compreender o que é gênero e analisá-lo, não sendo possível falar de apenas um gênero e apenas do relacionamento entre um homem e uma mulher.

Para Butler o sujeito não é preexistente, ele existe a partir de um discurso, que o constrói e o destrói o tempo todo. O ser humano não tem lugar fixo no mundo. O sujeito teria o poder de se construir e se desconstruir de acordo com seus desejos, desde que o discurso do outro não o oprima.

Baseando-se em Foucault e Derrida, Butler acredita que a diferença e a divergência solapam qualquer tentativa de instaurar uma identidade em qualquer sujeito, pois se trata de alguém cuja a identidade é instável, portanto sem definição, construído e desconstruído na linguagem.

Gênero para Butler não é nada do que se é, mas é algo que se faz. Para ela cada um faz seu gênero, pois a identidade de gênero seria uma sequência de atos. A performance é que constrói o sujeito e a naturalidade diz que esse sujeito é apenas aparente. Seu maior questionamento é sobre a “heteronormatividade” que a acusa de ser compulsória na sociedade.

Ela dedicou e dedica seus estudos, obsessivamente, para destruir a heterossexualidade como norma vigente na sociedade, dizendo não existir uma orientação para sexualidade e sim uma opressão cultural que obriga a todos a se tornarem heterossexuais e terem gênero em concordância com seu sexo de nascimento. Para Butler, isso é um paradigma opressor que deve ser exterminado, pois todos somos obrigados, por meio da cultura, a sermos heterossexuais. Para ela, não existe um copo natural, pré-existente, e sim um corpo existente na cultura de cada povo, entendido então como um discurso.

Butler desconstrói o binarismo gênero/sexo segundo os quais afirmamos que o gênero é social, enquanto o sexo é natural. O sexo, tanto quanto o gênero, é discursivamente produzido e inscrito num conjunto de práticas, moralidades e significados. Sendo assim, ela convida seus seguidores a separar e a abandonar essa visão.

Toda sua teoria tem viés de subversão da moral, das regras vigentes, dos princípios e da religião. Seguindo a lógica foucaultiana, Butler aponta que não é possível viver fora da norma. Ela reconhece que o gênero é limitado pelas estruturas de poder e não há possibilidade de livre escolha. Para ela então, existe a possibilidade de subversão, ou seja, criação de espaços para o enfrentamento. Já que não pode romper as estruturas, ela convida seus adeptos a subverter, ainda que de forma restrita, burlar as expectativas de gênero.

Judith Butler influencia as mentes mais perversas da atualidade. Seus pensamentos também foram influenciados por ideólogos desconstrucionistas. Suas ideias ganham força nos movimentos LGBTTS e feministas e, coincidentemente, nos adeptos da revolução cultural socialista.

Seria possível viver em uma sociedade sem um mínimo de regras; numa diversidade inimaginável de gêneros? O ser humano psicótico é o ideal a ser alcançado? Pois qualquer sujeito sem norte, sem regras, entregue ao princípio do prazer psicotiza. Se entrega à promiscuidade e às drogas como meio de alcançar a tão sonhada liberdade, e que jamais, pela própria teoria, será alcançada.



Marisa Lobo

Marisa Lobo

Graduada em Psicologia com pós em Filosofia dos Direitos Humanos e Saúde Mental.


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