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Mulheres podem sim exercer ministério de liderança na igreja

Um dos ministérios que mais admiro é o que a minha esposa Mara exerce. Além de produzir um excelente trabalho pastoral durante a minha ausência, devido os vários compromissos, ela tem a tarefa de discipular meus filhos  –  o que faz com maestria. Aliás, ninguém faz isso melhor do que as mulheres. Temos no mundo vários exemplos […]


Um dos ministérios que mais admiro é o que a minha esposa Mara exerce. Além de produzir um excelente trabalho pastoral durante a minha ausência, devido os vários compromissos, ela tem a tarefa de discipular meus filhos  –  o que faz com maestria. Aliás, ninguém faz isso melhor do que as mulheres. Temos no mundo vários exemplos de mulheres que foram chamadas para exercer um ministério de liderança, como Aimee Semple McPherson (foto), fundadora da Igreja Quadrangular do Reino de Deus.

Ao longo da história o homem sempre teve prominência sobre a mulher, principalmente em questões de liderança. As mulheres só passaram a conquistar espaço junto a sociedade em 1857, quando 129 mulheres foram queimadas vivas em uma fábrica na Inglaterra por reivindicarem melhores condições de trabalho.

Surgiram movimentos pela valorização da mulher. E as diferenças foram se dissipando. As mulheres passaram a fazer parte da mão de obra do mundo ocidental e hoje representam metade destes trabalhadores.

Ainda assim, o papel da mulher sempre pareceu ser secundário quando o assunto é liderança religiosa, principalmente liderança cristã. A cultura judaico-cristã continuou influenciando alguns aspectos sociais dentro das igrejas.

Nos tempos do Antigo Testamento, por exemplo, a mulher não tinha um valor expressivo na família. Ela não era vista quando havia visitantes, andava a pé enquanto os homens montavam, se traísse o marido, era condenada a morte, enquanto que o homem que traísse poderia fazer da outra parte da família, entre outros direitos, ele podia anular o casamento se a noiva não fosse virgem e deserdar a filha se ela não fosse “honesta”.

A igreja acabou herdando parte desta cultura machista e as mulheres continuam sendo desvalorizadas e colocadas em segundo plano. Apesar de elas terem rompido os grilhões do predicamento machista em muitas igrejas, ainda existe muitas denominações que não aceita o exercício de liderança feminina.

É parte de uma cultura alimentada durante anos por costumes e doutrinas criadas a partir de uma perspectiva masculina. Esta perspectiva chegou a ser introduzida em questões teológicas, como usos e costumes. Mulheres não podiam se maquiar, mulheres não podiam usar perfume ou roupas bonitas, mulheres não podiam pregar ou expressar sua opinião teológica e, o mais polêmico, as mulheres não podiam cortar o cabelo, nem apará-lo, pois, de acordo com os teólogos da época, o texto de 1 Coríntios 11.6 proibia o corte de cabelo para a mulher.

Ainda assim, pesquisas apontam que a igreja é de extrema maioria feminina. Hoje dos 75% dos voluntários missionários são mulheres, elas também representam maioria quando no aspecto da conversão, geralmente antes do cônjuge, após os filhos e por último o marido.

Neste sentido, o ministério feminino só não é reconhecido em muitas igrejas por uma cultura machista. Estas igrejas se consagram contrárias à verdadeira obra de igualdade apresentada por Cristo.

Aliás, foi Cristo o primeiro na história a iniciar um movimento de integração da mulher junto à sociedade. Pois, até então, nenhum homem seria visto em público debatendo com uma mulher como Jesus fez com a mulher samaritana. Jesus se expos também em defesa de uma mulher no capítulo 8 do evangelho de João. E após a sua ressurreição não deu aos discípulos a missão de testificarem o milagre, mas as mulheres.

É certo que a maioria das passagens bíblicas transferem ao homem responsabilidades de liderança clerical, mas não nega as mulheres que possam exercitar um ministério reconhecido.  O mando e a autoridade concedida ao homem através da Bíblia, de forma incontestável, não é por princípios espirituais ou metafísicos, mas uma simples questão de cultura.

Não existe um estudo imparcial que mostre e comprove que a Bíblia não autoriza o reconhecimento do ministério feminino. O que foi feito até hoje é criar através de argumentos falíveis estudos a partir de uma perspectiva cultural, ignorando que na época dos discípulos a mulher era desvalorizada e seu caráter violado.

Por ser a celebração do ministério feminino negada por conceito cultural e social é que existia na época bíblica, tanto no Novo, como no Antigo Testamento, mulheres que se sobressaíam a este aspecto. Débora foi juíza de Israel por preceito divino e Febe possivelmente pastora em Cencreia, região não muito distante de Corinto. Ambas conquistaram estas posições por preceito Divino, inspiração do Altíssimo, que caracteriza a possibilidade de Deus usar uma mulher para a liderança eclesiástica.

Se o ministério feminino era uma matéria rejeitada na igreja primitiva não existe textos ou ensinamentos que tratem deste assunto no Novo Testamento. Mesmo os ensinos de Paulo e suas cartas que tratam da administração eclesiástica negam qualquer aspecto de critica a este ministério, pois, como já demonstrei, não existia qualquer cogitação de reconhecê-lo nesta época. As tratativas de Paulo referiam-se sempre a constituição familiar da época, que proibia a manifestação feminina, que não permitia sua opinião e por formação social e cultural caracterizaria uma infringência ao comportamento da mulher da época.

Há quem diga que a palavra que afirma que Febe era pastora em Cencréia está na forma masculina. Pode ser, mas não por significar que faltava homem pra assumir o trabalho, mas pelo fato da palavra “doulos”, traduzida na expressão “que está servindo” é o termo que Paulo geralmente emprega para referir-se a si mesmo. As credencias de Febe para a igreja da época era tão importante que Paulo compara sua posição a dele.

Se fosse negado às mulheres serem ordenadas aos ministérios convencionais também lhes seriam negados qualquer trabalho ou exercício ministerial na igreja. O fato é que tanto Jesus, como Paulo, não destacaram mulheres por ser a sociedade da época preconceituosa em relação ao trabalho feminino. Ainda assim, diversas mulheres destacaram-se na igreja primitiva: Febe, Priscila, Lídia, Marta e Maria, Maria mãe de Jesus, Maria Madalena e tantas outras que os escritores mencionam como colaboradoras de Cristo.

Em Cristo não são abolidas todos os preceitos sociais, étnicos e sexistas? Se em Cristo não existe diferenciação de cor, raça ou região geográfica existiria diferenças entre sexo? Creio que não. Não só creio como provo: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

É evidente que nos tempos de Jesus não havia lugar para a mulher em posição de autoridade. Não existia mulheres ocupando grandes cargos junto a sociedade da época, por isso não há argumentos que possam afirmar que por Cristo não ter selecionado nenhuma mulher para ter parte entre os discípulos significa que ele não aceitava o exercício do ministério feminino.

É preciso observar a questão contemporânea do mundo da época, que nitidamente e indiscutivelmente negava a mulher qualquer expressão de autoridade. Torna-se irrelevante apontar as ações de Cristo quando da formulação da missão inicial da igreja conclamada através dos doze e dos setenta homens.

De forma incontestável Cristo rompia os grilhões costumeiros do mundo da época ao iniciar uma fala com uma mulher (João 4.7), ao permitir que uma mulher considerada impura lhe tocasse (Mateus 9.20), ao permitir que uma mulher pecadora lhe regasse os pés com lágrimas, e lhe enxugasse com os cabelos (Lucas 7.38), ao criticar Judas que afligia uma mulher por ter lhe derramado um unguento de grande valor (Mateus 26.10) e ao aparecer primeiro a uma mulher após ter ressurgido da morte (João 20.17). Não seriam estas atitudes contrarias a cultura social da época de Cristo?

Não é a ordenação pastoral precedida pelo dom ministerial? É fato. Não só dom como vocação e se é dom deve-se reconhecê-lo sem características normativas sociais, mas espirituais. Ordenar é reconhecer o chamado Divino e negar esta ordenação é caracteristicamente ir contra Deus. Se o desempenho feminino aponta a qualidade de um dom e vocação, negar-se a conferir o reconhecimento deste dom implicaria em negar a existência de uma atuação espiritual no ministério feminino.

Além disso a ordenação pastoral é um exercício de um dom do Espírito Santo à igreja – ou ao menos deveria ser. Se negarmos isso, implica-nos afirmar que a ordenação pastoral é um exercício de puro ofício eclesiástico implantado pelos discípulos sem nenhuma base espiritual. Porém, se concordamos que é uma ação do Espírito de Deus através de um dom e vocação não podemos negar o dom ao ministério feminino.

Não são os dons espirituais concedidos sem distinção de gêneros? Ou o Espírito é concedido apenas a homens? De forma alguma. O derramar do Espírito Santo se deu sobre toda a carne e seus dons espirituais são expressivos tanto em homens como em mulheres. Então o que nega a concessão de um dom pastoral ou vocação pastoral as mulheres? Se o pastor é profeta para a igreja local a profetiza poderia atuar como pastora.

Está claro que ao negarmos a concessão da vocação ministerial as mulheres, desrespeitamos a atuação do Espírito que concede dons para a Igreja “como lhe apraz” (1 Coríntios 12.11). Ainda assim, há quem acredite que o Espírito faz acepção de classe, raça, língua, cor. Ao invocarmos esta exclusão empregamos ao Santo Espírito uma característica de preconceito e acepção.



Joel Engel é escritor, conferencista internacional, presidente do ministério Engel e ministra na área de avivamento há 30 anos no Brasil e Exterior.


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