Nossa frágil e complexa vida!

“Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher...


Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.” Eclesiastes 11.5

Ontem pela tarde recebi a notícia de que uma irmã de minha igreja local perdeu sua linda e amada bebezinha já na reta final de sua gestação. Não tenho muita intimidade com essa moça, mas desde ontem não consigo parar de pensar nela e na dor que deve estar sentido. Orei para que ela conseguisse sentir o amor de Deus nesse processo tão difícil que é o luto ainda mais assim de supetão e que a morte de sua filhinha pudesse ser uma dor que aproxime mais ainda ela e seu esposo de Deus e não os afaste. A noite então recebi uma mensagem de minha pastora dizendo: “Carla, permaneça em oração comigo, estou de joelhos clamando por um milagre. A cesárea ainda não foi feita, creio que essa bebê pode ser ressurreta por Deus assim como Lázaro foi “ (minha pastora, além de ser minha amiga e discipuladora é minha parceira em oração e um exemplo de fé). Recomecei a orar com outro foco agora e mais dor ainda no coração. Uma oração sofrida, que me fez deparar com minhas palavras dizendo: Pai, por favor ressuscite essa criança, eu sei que o Senhor é capaz disso se for sua vontade… palavras trêmulas que me confrontavam com minha fé, pedindo para uma criança voltar a vida. Comecei a citar adjetivos sobre Deus não para que ele ficasse feliz, mas que me lembrassem de sua soberania, amor e poder de cura e vencer a morte, porque não? Mas já no início da oração tive uma visão de Jesus sorrindo de mãos dadas com uma linda menininha e sua voz me dizendo: Eu já estou com ela!



Já tive experiências parecidas como essa de estar em oração por pessoas doentes e Jesus mostrar que estaria com elas em breve e isso me trazer alegria devido ao sofrimento que suas doenças lhe causavam, mas dessa vez foi diferente. Eu não conseguia e ainda não consigo entender essa morte como alívio de algo ruim se aparentemente estava tudo bem e essa princesinha tão desejada por seus pais e amigos já estava para chegar.

Sempre lidei muito bem com a morte como algo certo, que não poupa ninguém e que se tivermos ‘sorte’ talvez ela nos ocorra de forma serena. Creio que meu único receio quanto morrer seja talvez sofrer alguma violência física grave ou tortura, que Deus possa me poupar do homem mau e que eu não viva um dia a mais ou menos do que Ele tem para mim.

Já perdi familiares, amigos, parentes de amigos, animais de estimação e acho que quanto mais velha fico mais sensível e solidária tenho ficado à essas situações e as pessoas que ficam aqui em luto e a criação que tão amorosamente foi criada por Deus e geme com maus tratos humanos ou como dizem desumanos.



Morte é aquilo que nos iguala como seres humanos, que nos traz grande dor e questionamentos sobre nossa existência, fé e Deus. Procuramos entendê-la das formas mais estranhas e inexplicáveis possíveis, qualquer resposta que acalente nosso coração que sangra, pulsa, suspira e dói.

Hoje parece ser pecado sofrer luto ou falar sobre o processo da morte terrena sem ouvir: Mas você não tem fé? Não acredita na vida eterna? Deus tem um propósito para isso, sua dor se tornará testemunho etc ou o famoso: poderia ser muito pior futuramente.

Eu já usei esse discurso e já o ouvi também diversas vezes e gosto de pensar que são palavras enraizadas em nós para não entrarmos em parafuso e não abalarmos nossa já tão fragilizada fé ocidental e pós-moderna.

Eu acredito em um Deus soberano, que antes de ser Deus é Pai e que sim tem propósitos para a humanidade, porém não gosto dessa sensação gélida como se ele tivesse prazer na morte terrena. O famoso “Deus quis assim” para a morte dessa bebezinha é a mesma coisa que dizer que Deus estava feliz com a morte de seu filho Jesus na cruz. Jesus morreu por nossos pecados para que nós tivéssemos vida e vida em abundância e não porque Deus é chefe do universo e não tem sentimentos e ficou feliz ao ver seu filho caminhando de forma sobre humana para aquele calvário. Jesus não queria morrer, então porque gostamos de justificar a morte como um desejo de Deus?

Não tenho dúvidas que Deus sentiu de forma pesarosa cada flagelo sofrido por Jesus em sua morte e que ainda hoje com o Espírito Santo em nós ele sente tudo sobre nós e vive o luto e chora conosco – na dimensão dele que com certeza é mais intensa que a nossa devido ao seu amor incondicional por nós.

Na natureza de Deus não há morte, nem pranto, nem dor, porém através de Jesus ele compreende nossos sentimentos, emoções, decisões, afinal ele conhece cada fio de cabelo nosso, criou cada filho seu com uma digital diferente e atende a todas as nossas necessidades, principalmente as que desconhecemos.

Sofrer a morte terrena não é falta de fé em Deus ou na vida eterna,mas sim sinal de que há amor entre as pessoas, que temos um coração de carne e a maior representação de como somos frágeis e dependemos de nosso amado criador e Pai. Chore com Deus, em Deus, pois ele que conhece cada pedacinho seu é o ÚNICO que pode aliviar e sarar nossos corações. Como sopro de vida nascemos e como vento nos esvaeceremos.

Obs: Enquanto mal eu conseguia orar hoje, o espírito santo me sussurrou esse salmo

Inclina os teus ouvidos, ó Senhor, e responde-me, pois sou pobre e necessitado.
Guarda a minha vida, pois sou fiel a ti. Tu és o meu Deus; salva o teu servo que em ti confia!
Misericórdia, Senhor, pois clamo a ti sem cessar.
Alegra o coração do teu servo, pois a ti, Senhor, elevo a minha alma.
Tu és bondoso e perdoador, Senhor, rico em graça para com todos os que te invocam.
Escuta a minha oração, Senhor; atenta para a minha súplica!
No dia da minha angústia clamarei a ti, pois tu me responderás.
Nenhum dos deuses é comparável a ti, Senhor, nenhum deles pode fazer o que tu fazes.
Todas as nações que tu formaste virão e te adorarão, Senhor, glorificarão o teu nome.
Pois tu és grande e realizas feitos maravilhosos; só tu és Deus!
Ensina-me o teu caminho, Senhor, para que eu ande na tua verdade; dá-me um coração inteiramente fiel, para que eu tema o teu nome.
De todo o meu coração te louvarei, Senhor, meu Deus; glorificarei o teu nome para sempre.
Salmos 86:1-12



Carla Stracke

Carla Stracke

Missionária, Intercessora, escritora, tradutora, professora e comerciante. Tudo para a glória de Deus e com intenso desejo de ajudar a transformar mentes e corações.


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