Nova Aliança: As reformas das mentes religiosas

Mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2


As reformas das mentes religiosas

A Reforma Cristã, a revolução do reino

A reforma cristã, não foi uma reforma luterana, aconteceu muito antes disso, e foi anunciada pelos profetas, materializada por João Batista, concretizada por Cristo na Cruz, e continuada pelos apóstolos em Jerusalém, Judéia e Samaria, e até aos confins da terra! (Atos 1:8). Estes últimos, os apóstolos, não foram chamados para anunciar cidade santa, a Jerusalém de onde eram as suas origens. Era para revelar algo muito mais importante! A partir de agora eles deveriam partir para serem Testemunhas de Jesus. Era uma reforma no reino eterno, promovida pelo próprio Rei, chamado agora de O Rei das Nações. Um Novo Tempo. Uma Nova Aliança. Boa leitura amados!

Vimos no artigo anterior que  a Reforma Protestante, que teve seu apogeu com Lutero, no século XVI, foi um dos movimentos bíblicos mais preponderantes da história do cristianismo contemporâneo. Paulo nos ensinou a renovarmos a mente. A determinação é não se conformar com o século, e não parar no tempo, nem se distrair com os métodos, pois a humanidade é dinâmica, o reino de Deus também.

Porém, é lógico, devemos lembrar ao amigo leitor que (sem tentar justificar os erros e atrocidades do passado), que todo movimento e pessoa são frutos de sua época e contexto.

Os indivíduos são sempre filhos do seu tempo e de sua geografia. É assim que devemos olhar não somente as cruzadas, mas também a inquisição – e todo o restante da história cristã.

Que, a renovação da mente dos filhos de Deus sobre a fé em Jesus sempre foi uma premissa dedicada por Deus ao seu povo desde o tempo dos hebreus quando Davi, na Antiga Aliança, assumiu o reinado de Israel para restaurar (ou reformar) a adoração ao Rei Eterno a partir da corrupção sacerdotal de seu antecessor o Rei Saul.

E, que, dois outros nomes merecem destaque nos procedimentos de reformas religiosas na Antiga Aliança. São eles Ezequias (Rei de Judá entre 716-687) e Josias (Rei de Judá entre 640 a 608). Eles foram ousados na fé, e mandaram derrubar os post ídolos, confrontando falsos profetas, adivinhadores, feiticeiros e seus oráculos ou altares dedicados a Asera, Baal, Astarote e a Moloque, dentre outros.

Todos os méritos de homens de zelo, fé, coragem, obediência a Deus, seriam dedicados na Cruz do Calvário, num novo tempo que estava sendo profetizado para aquela nação que Deus resolveu criar, escolher e conduzir como povo Dele, mesmo depois do tempo da igreja.

Pois é, não podemos excluir Israel dos planos de Deus e de seu reino eterno. Foi de lá que veio a salvação para a igreja. Antes, porém, a igreja precisou reencontrar o Caminho. Seria necessário repensar na forma de cultuar e servir a Deus numa Nova Aliança com Israel, antes de Roma, e esta Nova Aliança, apesar da Nação Santa, não haver reconhecido (João 1:1-12), foi lançada aos gentios, aqueles que não eram judeus, e antes considerados impuros ou sem regras da Lei.

A Reforma na mente de João Batista, as mudanças.

João Batista, um ser um tanto “esquisito” para os religiosos judeus e romanos, pode ser considerado o primeiro homem, da Nova Aliança, movido pelo Espírito Santo, a reformar a mente dos religiosos de sua época. O narrador Lucas, no capitulo 3:2, escreve que, quando Herodes era tetrarca da Galiléia, e Pilatos governador da Judéia, veio a Palavra de Deus a João, filho de Zacarias, que vivia no deserto para que empregasse uma reforma religiosa em Israel, pregando o batismo de arrependimento e a remissão de pecados. E, isso havia sido profetizado por Isaías 40: “Uma voz que clamaria no deserto”.

“Segundo o que está escrito no livro das palavras do profeta Isaías, que diz: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; Endireitai as suas veredas.
Todo o vale se encherá, E se abaixará todo o monte e outeiro; E o que é tortuoso se endireitará, E os caminhos escabrosos se aplanarão;
E toda a carne verá a salvação de Deus.” Lucas 3:4-6

E, mais:

“Dizia, pois, João à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?
8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.
9 E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo.
10 E a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois?
11 E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira.
12 E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer?
13 E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado.
14 E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo.”

Imagine o turbilhão que estava acontecendo no reino espiritual? Algo mais revolucionário viria ainda nesta reforma de João Batista. Seria João um estúpido e arrogante judeu? Não. JB era “convicto” de seu relacionamento, audição e intimidade com o Espírito de Deus. Sua vocação era anunciar as Boas Novas chegadas, com firmeza aos duros corações. Senão vejamos os versos 15 a 22 da narrativa de Lucas:

E, estando o povo em expectação, e pensando todos de João, em seus corações, se porventura seria o Cristo,
Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
Ele tem a pá na sua mão; e limpará a sua eira, e ajuntará o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga.
E assim, admoestando-os, muitas outras coisas também anunciava ao povo.
Sendo, porém, o tetrarca Herodes repreendido por ele por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe, e por todas as maldades que Herodes tinha feito,
Acrescentou a todas as outras ainda esta, a de encerrar João num cárcere.
E aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo batizado também Jesus, orando ele, o céu se abriu;
E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.
Lucas 3:15-22

O preço desta reforma na mente judaica e na mente pagã romana, uma mudança promovida pelo Espírito Santo, custou ao Mestre João Batista, a vida ainda jovem aqui na terra, mas a conquista de uma vida de Deus com Ele em glória. A pregação de JB era o prenúncio de que haveria uma “revolução” religiosa (ou espiritual na vida de Israel) e transformadora na vida de de outros povos, raças, crenças, tribos e nações. Era chegado um novo modelo de sacerdócio, e de serviço no reino de Deus!

A Reforma na mente de Cristo, o cumprimento das profecias.

Antes da chegada do Messias, profetizada por Isaias, o esquema de serviço e de adoração no templo e nas sinagogas era de uma forma centralizada, e, fechada. Não se misturavam os judeus com gentios por causa do peso da Lei.

E, quando Jesus estava pronto para se apresentar aos seus, ele anunciou que a partir dali os métodos de trabalho e de adoração seriam praticados de outra forma. Era um Novo Tempo chegando para a terra, através de Israel (Lucas 4:16). Isto havia sido profetizado por Isaias 61. A Revolução mais importante no Reino Eterno:

Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galiléia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor.
E ensinava nas sinagogas da cidade, e por todos era louvado.
E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.
E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito:

O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração,
A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor.
E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.”

E, continuou:

“Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.
E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca; e diziam: Não é este o filho de José?

E ele lhes disse: Sem dúvida me direis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; faze também aqui na tua pátria tudo que ouvimos ter sido feito em Cafarnaum.
E disse: Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua pátria.
Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome;
E a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva.
E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro.
(inserção de relevância – “um gentio, um impuro ou sem lei”).

E todos, na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira.
E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem.
Ele, porém, passando pelo meio deles, retirou-se 
Lucas 4:14-30

Era a reforma da mente religiosa sendo trocada pela Mente de Cristo. Estavam sendo desabilitados serviços e cerimoniais não perpétuos dentro e fora do templo. (Lucas 16:16):

A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele. Lucas 16:16

Tem horas que precisamos parar um pouco dos ativismos religiosos que estamos praticando para fazermos a seguinte pergunta: Estamos no tempo de Jesus ou fora do tempo Dele? Estamos posicionados ou distraídos? Naquele tempo, os 11 estavam posicionados, Judas estava fora de tempo, assim como quase todo o povo judeu, grego, romano, e todas as demais nações também encontravam-se distraídas com as suas crenças e práticas religiosas sem Cristo.

Qual a nossa posição em relação ao propósito de Cristo? Temporal: ritos, títulos, bandeiras, etc., ou propósito eterno: sermos vozes de Cristo e sua reforma?

A Reforma de Estevão, o confronto com a religião.

A comunidade cristã (ou Do Caminho) crescia, e havia várias necessidades sociais, como narradas por Lucas em Atos 6. E, a comunidade dos discípulos se levantou para escolher sete homens que servissem como diáconos à mesa para atender viúvas helenistas (judias cristãs que só falavam o grego, enquanto que as judias da Palestina, o aramaico). Dentre estes garçons ou mordomos (função simples mesmo, sem a soberba que a gente vê hoje por aí sobre títulos e honras, etc), estava Estevão (do grego, coroa), pronto para servir. Acontece que seria este homem o escolhido de Cristo para reformar as mentes do Sinédrio judaico.

Era uma revolução chegando aos ouvidos deles, como fora profetizado por Jesus. Estevão passou a pregar-lhes o Evangelho, algo novo! E, como o novo assusta, o jeito foi manobrar uma trapaça para eliminá-lo de imediato.  Lucas registrou isso no Capítulo 6 de Atos.

“Então subornaram uns homens, para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.
E excitaram o povo, os anciãos e os escribas; e, investindo contra ele, o arrebataram e o levaram ao conselho.
E apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras blasfemas contra este santo lugar e a lei;
Porque nós lhe ouvimos dizer que esse Jesus Nazareno há de destruir este lugar e “mudar os costumes” que Moisés nos deu.
Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo.”
Atos 6:11-15

Os religiosos, logicamente,, se comportavam com covardia para não ouvir que a reforma religiosa (ou espiritual para a nação judaica) havia chegado. Nesses casos de desespero absoluto, o melhor a fazer é apedrejar.

Logo acima vimos João Batista avisando a mesma coisa, sendo que não sobre Moisés, mas sobre Abraão:  “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.(Lc. 3:8).

Como os religiosos costumam adorar mais o templo do que o Senhor do templo, Estevão, nessa reforma explicou naquele confronto:

“Davi achou graça diante de Deus, e pediu que pudesse achar tabernáculo para o Deus de Jacó.
47 E Salomão lhe edificou casa;
48 Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta:
49 O céu é o meu trono,e a terra o estrado dos meus pés.Que casa me edificareis? diz o Senhor,Ou qual é o lugar do meu repouso?
50 Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?
51 Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais.
52 A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas;
53 Vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes.
54 E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele.
55 Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus;
56 E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus.
57 Mas eles gritaram com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele.
58 E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas capas aos pés de um jovem chamado Saulo. (p.s: esse moço nem tinha noção da revolução que o Espírito Santo causaria na vida dele para a vida dos outros).
59 E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.
60 E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu.

Mais uma vítima da intolerância e da ignorância a qual o vício religioso escraviza a mente> E, qual foi a sentença desta vez? Pregação da Verdade que abriria as portas para a expansão da igreja em Jerusalém, no oriente médio, na Ásia, e entre as nações. Pregar o Evangelho não era ser antissemita, nem faccioso, nem arrogante. Os reformadores da Nova Aliança eram cheios do Espírito Santo, anunciando que as mudanças no reino havia chegado.

A igreja nasceria com mais convicção nas Escrituras anunciadas pelos profetas, e confirmada por João Batista e Jesus. Depois da morte de Estevão, Pedro apareceria neste cenário novo repleto de transformação espiritual e de metodologias renovadas.  E, pasmem, não foi Pedro o pai desta igreja, foi Jesus. Porém, a Pedro foi revelado algo muito mais inimaginável ainda pelo povo judeu: a profecia de Ezequiel e Isaias, bradada por João Batista era a de se misturar com os gentios em nome de Jesus! Eia avante! A igreja nasceu em Jerusalém para as nações abria-se “O Caminho”. Mas, havia um importante detalhe nesse acontecimento. A terra aonde nasceu o Filho do Homem, não era mais importante do que o Filho do Homem que nasceu lá. Os planos haviam mudado. O problema é amar mais a terra do que o Senhor da terra! Amar mais a denominação local do que o Rei Eterno ou amar mais o Templo do que o Senhor do Templo e de todos os Tempos. Jesus havia ensinado que devemos amar a DEUS sobre “todas as coisas” (e ao próximo). A cidade continua santa, mas com as transformações que estavam ocorrendo o Santo de Israel, não seria mais exclusivo de uma nação em particular, mas passaria a ser o “Rei das Nações.”

A Reforma na visão de Pedro, a purificação dos gentios

Após a perseguição da igreja em Jerusalém, Lucas narra em Atos 8, que os discípulos se espalharam pelas regiões da judéia e de Samaria. Alguns anônimos foram abrindo frente com as Boas Novas, que não parava de se multiplicar, nem diante das perseguições de seus algozes romanos e judeus. Já não era mais os sacerdotes do templo que comandavam a espiritualidade de Israel, Era a vez do comando particular do Espírito Santo revolucionando. Obviamente, que ainda vemos nas igrejas do mundo gospel, aqui no Brasil, que desejam colocar no homem o poder de controlar o reino de Deus, como no antigo farisaísmo, mas ninguém é mais poderoso para comandar a igreja do que o Espirito Santo de Deus! (Ler artigo Filipe e o Eunuco).

E, foi através desse espírito de reforma na mente dos judeus e também dos romanos, que  Pedro foi avisado por Deus em Atos 10, que era chegado o tempo de se misturar com outra raça. Uma grande revolução na cultura judaica, visto que era proibido a um judeu aproximar-se de outra raça). Mas, foi aí nessa visão que Deus mostrou à igreja que era possível considerar puro aquilo que Deus purificou. (Atos 10:15).

O centurião Cornélio seria esse gentio (ou impuro) que receberia o batismo nas águas, abrindo o Caminho para as atividades “missionárias” em direção aos gentios. (Atos 10:23).

Lucas registra no verso 39, que os discípulos de Jesus eram “testemunhas” de tudo o que Jesus havia feito aos filhos de Israel. Vejamos que Pedro havia sido treinado a falar de Jesus, e não falar de si mesmo, contando sobre a sua vida podre do passado. E, sim sobre a Vida Nova que Jesus havia de dar a todos que nele cressem. Ele tinha o poder de remir os pecados da humanidade. Era um Novo Tempo. A purificação agora, seria somente através do Único Sacrifício. E, ali, mesmo, o derramamento do Espírito Santo revolucionou, pela primeira vez, a vida de uma raça considerada anteriormente impura. Era a Reforma da Aliança do Sangue do Cordeiro Sangue sobre todos os povos, o Pentecostes lá fora da igreja. Adeus burocracias! O Espírito Santo é liberdade! Lucas narra cirurgicamente os fatos, de modo que fica “bem claro” no capítulo 11:19 de Atos que alguns discípulos, que haviam sido dispersos de Jerusalém, fora para Fenícia, Chipre e Antioquia, aos gregos eles chegavam com as Boas Novas, sem burocracias. Vejamos que dentre estes discípulos nem nomes foram citados. Não havia “estrelismo” entre eles. Haviam sido bem treinados pelo Mestre. No mundo gospel de hoje, temos visto algumas figuras desviadas, buscando o estrelato nos palcos, sem ao menos haver treinado para o Evangelho? Apesar de que Pedro teve uma importante revelação e tarefa no cenário desta reforma. Não foi dado a ele nenhuma chave ou bastão em “particular”. Nada era mais exclusivo. Pedro já havia sido treinado para descer do salto, arregaçar as mangas, se misturar com a igreja, e sair em busca de uma pescaria sem mais burocracias. Deus não está numa caixinha controlada por nenhum ser humano ou ritual religioso.

A Reforma na visão de Paulo, a circuncisão mente

E, por falar em salto lá viria uma nova revolução do reino pela frente. Saulo (ou Saul) seria uma grande surpresa para judeus, romanos e gregos (Atos 9). Como agora era o Jesus que estava comandando tudo, com a ajuda do Espírito Santo, então, Saulo, Judas e  Ananias, através de uma alinhamento espiritual, céu e terra (pois estavam em oração), se encontrariam para que Paulo recebesse o batismo e também o Espírito Santo.

Jesus estava no comando, e avisou a Ananias que Paulo seria um instrumento que seria usado por Deus para levar o Nome Dele perante os gentios e reis, perante os filhos de Israel. Veja bem que o Evangelho não é para pregar outra coisa senão o nome de Jesus. Deixo aqui uma pergunta: o que você está pregando aos povos? Uma bandeira, uma cidade santa? Um legalismo religioso? Um método gospel? Divulgando o nome de seu líder, seu pastor, seu apóstolo, sua igreja? Repense. É chegada a hora de uma reforma na mente.

Paulo saiu a pregar o Nome de Jesus, depois de um tempo de reprocessamento em oração e particularidade com Deus. Gálatas 1:19, afirma que esse tempo de preparação espiritual foi no deserto da Arábia. Era necessário saber o quanto importava sofrer pelo Nome de Jesus.

Outra boa reflexão neste momento: Você está sofrendo em nome de “quem?” ou em nome de “quê?”.

Paulo estava preparado, foi uma revolução significativa e sem igual em sua vida! Hora de partir. Evangelho é isso! Não é apenas um gabinete. É uma partida.

O objetivo de Paulo estava focado na vida, morte e ressurreição de Jesus. Dentro das reformas que Jesus e os apóstolos empregaram, Paulo seria um construtor do ensino do Mestre por várias cidades, e as suas pregações causariam entre judeus, gregos e romanos um verdadeiro paradigma.

Algumas de suas pregações provocavam mudanças significativas nas tradições da Lei Mosaica:

  1. A justiça não mais seria recebida através das obras da Lei, e sim da fé (Rm. 1:16-17);
  2. Gentios e Judeus precisam de arrependimento de suas culpas (Rm. 2:12-13);
  3. O apóstolo alerta sobre o pensamento de pseudoimunidade que pensavam ter os judeus sobre o Juízo de Deus, pois não ouviram seus profetas (Rm. 2:17:19)
  4. A invalidade da circuncisão por causa do pecado (Rm. 2:25 a 29). A circuncisão agora seria através de uma mente limpa, renovada e obediente. A Antiga Aliança, estava sendo renovada para a Nova Aliança. Jesus se fez incircunciso por todos, judeus e judeus ao enfrentar o madeiro. (Is. 53);
  5. O Apóstolo desabilita a exclusividade judaica de adoração a Deus (Rm. 3:1 a 3);
  6. Paulo repreende aos judeus em Roma por causa do orgulho religioso (2:17);
  7. Ele anuncia a herança aos que pela fé são guiados pelo espírito de Deus (Rm. 8:14) Esses que creram em Jesus tornaram-se também espiritualmente filhos de Deus, com direito a herança. Essa reforma na mente causou muito ciúmes para quem achava ter “exclusividade” como assim pensavam os judeus. Mas, o tempo já era outro. Não tinha volta.
  8. O apóstolo expressa o seu luto pela incredulidade de seus irmãos Israelitas, pois a verdade, é que desses nossos amados é pertencente os patriarcas, o Cristo, segundo a carne, e também a adoção de filhos, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas. O luto de Paulo se dava porque, apesar de todo esse privilégio de seu povo, ele era obrigado a anunciar que, a “rejeição” do povo judeu a Cristo tornou-se ainda mais trágica (Rm 9). Era uma reforma revolucionária no reino, porque Paulo estava anunciando aquilo que eles não desejavam ouvir. O privilégio não seria mais exclusivamente de Israel. Nessa Nova Aliança, os Filhos de Abraão não seriam mais aqueles que nasceram em carne, mas pela mesma “fé” de Abraão, ou seja, os Filhos da Promessa. (Rm. 9:8). Isso era extremante doloroso para Paulo, que era judeu.
  9. Outra mudança, seria sober a misericórdia de Deus, também não seria mais exclusiva de Israel, e, sim, de quem Deus aprouve ter compaixão, como disse Moisés (Rm. 9:15). Ainda assim, Deus não seria injusto com a sua nação escolhida.
  10. São muitas as reformas espirituais no reino de Deus, anunciadas por Paulo, ele cita o que o profeta Oséias já havia dito: “Chamarei povo meu ao que não era meu povo; e amada, à quem não era amada” (Os. 2:23). E, continua citando Isaías: “Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo.” Era anunciado um Novo Tempo. A exclusividade espiritual de um povo, seria abalada por uma Nova Aliança para abraçar as nações, povos que, antes eram chamados por vasos de ira, também seriam chamados filho do Deus vivo (Rm 9:26);
  11. Nessa reforma anunciada de forma “bem clara” aos judeus, contemplava mudanças que ofendia os ouvidos orgulhosos e confiados apenas nas experiências que vinham das obras da Velha Aliança, mas o povo de Israel havia tropeçado por falta de fé. Como já havia anunciado Isaías 28:16. O orgulho judaico, fazia de uma “pedra de tropeço” e “rocha de escândalo”. Mas, a reforma da fé estava sendo anunciada.
  12. O apóstolo estava reformulando a vida espiritual de seus irmãos, que confiavam apenas na justificação pela Lei, mas que ao estabelecerem as suas próprias leis, não se sujeitaram à justiça que vem de Deus, uma rejeição a ser confrontada pelo apóstolo! E, no capítulo 10:4 de Romanos. Paulo solta uma “bomba”: O FIM DA LEI É CRISTO, para justiça de todo aquele que crê.
  13. A partir de agora, era necessário “confessar” com a boca a Jesus como SENHOR, e crer no coração, que Ele havia ressuscitado dos mortos para ser salvo (RM 10:9). Isaías 28:16, já havia profetizado que quem crer em Jesus não será confundido. Não haveria mais distinção entre judeu e grego, pois o Senhor é de todos, e rico para com todos os que o invocam.  Joel 2:32 já havia profetizado que todo aquele que invocar o nome do Senhor seria salvo. Mudanças e reformas que estavam revolucionando as velhas práticas e serviços no reino de Deus.
  14. Paulo anunciava que agora seria necessário anunciar a Jesus para as nações, mas, antes, seria necessário não rejeitá-lo para poder ter autoridade para cumprir a missão. Essa autoridade de fé foi dada à igreja de Cristo. (Rm 10:14-15). Israel havia rejeitado essas profecias, assim como a justiça de Deus, e não podia alegar a falta de oportunidade (Rm 10:1 a 21). Nesta mudança, a fé só vem pela pregação, e a pregação daquilo que Cristo falou. Como Moisés já havia avisado,  essa reforma no reino, chegada com a Nova Aliança, causaria ciúmes por parte do povo de Israel (Rm. 10:1 a 21). E, Isaías havia profetizado também que Jesus haveria de ser achado por quem não os procuravam, e se revelaria aos que não perguntavam por Ele, mas quanto a Israel, todos os dias Ele estendia as mãos a um povo rebelde e contradizente. (nem os profetas, nem os apóstolos eram antissemitas por pregarem a verdade, eles eram cheios do Espírito. Nenhuma tradição está acima da Palavra Profética. Ainda assim Deus fez promessas à Israel para o futuro, mas a rejeição de Israel a Jesus, viria trazer salvação ao mundo (Rm. 11:15). Mas, isso não seria motivo de orgulho para os gentios, que agora estavam sendo “enxertados” na videira. Paulo não desistia de anunciar as Boas Novas aos seus irmãos judeus. Isaías 59:20 profetizou que no futuro, todo o Israel será salvo, por causa da aliança de Deus para com eles, após o arrependimento nacional, que presume-se ser após o arrebatamento da igreja, antes da batalha final de Gogue e Magogue, provavelmente no meio da Grande Tribulação.
  15. O ápice do anúncio das reformas que Paulo foi escolhido por Cristo para declarar ao seu povo em Israel, o apóstolo passa a declarar que era necessário haver uma Nova Vida, a partir da transformação e renovação mental. Os rituais dentro de sinagogas, estavam sendo trocados por comunidades de serviços ao povo, acolhimento aos gentios, inclusão de outros povos na adoração a Deus, comunhão, partir do pão e orações em qualquer lugar, sem necessidade de prédios. E, isso tudo, a partir desta reforma, seria comandada pelo Espírito Santo (Rm. 15:14-33)

 

Conclusão

Os apóstolos foram mortais, e não merecessem a adoração. Jerusalém é uma cidade, e  também não deve ser adorada, nem a “Nova Jerusalém”, que virá no futuro celestial também não devem ser adoradas.  A sua igreja não deve adorada, nem o seu líder. O templo é um lugar de adoração, e não o dono dela. Os símbolos, baluartes e bandeiras foram trocados pela CRUZ, o Símbolo dos símbolos. Somente ao Senhor teu Deus adorarás.

Acontece que muitos judeus não aceitaram as mudanças que o Pai mandou o Seu Filho trazer para eles, e, indiferentes, continuam praticando os seus ritos desabilitados e fora do tempo. Muitos dos ocidentais que desejaram substituir essa nação, repetindo a sua rebelião e rejeição ao Cristo profetizado e revelado, também continuam fazendo coisas bonitas e emocionantes, porém fora do tempo do Pai para a igreja.

Libertar a mente do orgulho religioso não é nada fácil, mas mereceu os esforços de muitos profetas do Velho Testamento, que há séculos anunciavam essas reformas ao povo de Israel e de todos os reformadores do Novo Testamento.

Nessas mudanças, João Batista, Jesus e todos os apóstolos e discípulos de Jesus confrontaram a cultura religiosa de seu povo em Israel, através do Evangelho. Então, se pregar o Evangelho é ser considerado antissemita. Estes homens santos dos evangelhos foram os primeiros.

A história não poderia retirar dos fatos a essência do reino e argumentos sólidos como a salvação através da fé em Jesus, do arrependimento de pecados, e do novo nascimento. Não há exclusividade para o reino, nem imunidade de juízo por haver nascido em Israel. Mesmo que não houvesse todos os livros da Bíblia tanto no oriente quanto no ocidente, e ainda que os gentios não falassem em línguas, o apóstolo (Rav Saul ou Paulo)  explica claramente em Romanos 1:20, que “não há desculpas” para os homens rejeitaram a divindade de Deus, nem o seu Filho Único. Todos pecaram e necessitam da glória de Deus (Rm. 3:23).

O apóstolo João o ratifica essa palavra de forma absolutamente clara: Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. 2 João 1:9,10

A Igreja de Atos não parou no tempo dos fariseus nem dos saduceus, e não aceitou viver em saudosismos ou nostalgias espirituais. Eles não foram mais viver a antiga vida de suas infâncias. E, isso explica Pedro de forma bem clara e contundente quando Jesus subiu aos céus, quando muitos dos judeus que assistiam questionaram, e agora, o que faremos?

Pedro responde: “Arrependei-vos, e cada um de vocês sejam batizados em nome de Jesus Cristo, para perdão de pecados, e receberão o dom do Espírito Santo (Atos 2:38).

Essa foi a premissa. Não havia um comando para voltar às velhas práticas religiosas de Israel, e, sim às novas práticas da fé baseada numa Nova Aliança em Cristo Jesus. A era missionária havia chegado à Israel. As origens destes missionários pouco importa para a missão que eles deveriam cumprir. E cumpriram!

Por isso, que deixo uma última pergunta deste artigo: A sua igreja tem um culto anual de missões, ou ela deve ter nascido como missionária??

Sobre o paganismo, é importante salientar também, que, na história da igreja, depois que os apóstolos morreram, muitos ritos pagãos foram inseridos para enlevado domínio de Roma sobre alguns povos e suas crenças, inclusive entre os judeus e novos cristãos do século I ocidental.

Libertar a mente do paganismo não é coisa muito fácil, tanto é que a gente ainda vê muitas igrejas evangélicas praticando “inconscientemente” ritos e coisas pagãs. A Idolatria a uma cidade santa, a uma denominação local,  ao rito religioso, idolatria ao culto, e ao líder são exemplos dos mais sutis.

Inverter o quadro para defender um orgulho religioso em detrimento da verdade, é heresia. Essa é uma excelente habilidade daqueles que praticam a trapaça, somente para benefício de seus próprios interesses. Mas, esse é um assunto para a próxima vez, pois aconteceu na história mais uma reforma, a igreja cristã sairia de Roma, confrontando os seus métodos abusivos sobre a fé. Nessa ruptura, houve muitos acertos, e, também muitos erros…

Em contrapartida, a igreja dos apóstolos Essa igreja que nasceu em Israel, mudou o destino de muitas famílias ao seu redor porque ela assumiu a sua posição no reino de Deus pela fé!
O governo de Deus é Eterno, e ainda que Israel tenha havido o privilégio do reino por um tempo, nenhum reino, símbolo, ritual, cultura ou nação está acima da fé no Rei da Nações, que veio do céu para habitar a terra e alcançar a todos os povos, sejam judeus, gregos, romanos e todos os demais.

Intolerância racial gera intolerantes raciais. Humildade gera humanidade!
Parabéns a todos os missionários e corações voluntários de todos os continentes! Jesus não tem  fronteiras.

Sejam bem aventurados!



Claudio Santos

Claudio Santos

Pastor fundador das Missões Adore e da Escola do Reino no Brasil, que é um braço direito da missão. Com mais de 30 anos de vida cristã, Claudinho, além de missionário, é escritor, professor voluntário, músico e conferencista. Tem formação em teologia, missiologia, ministério pastoral e capelania priosional. Membro do Conselho de Pastores de SP. Atualmente é aluno mestrando em missiologia e pastoreia na Missão EDR, em Recife
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