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Novas 95 teses para uma Reforma da igreja atual

A obra que Cristo realizou na Cruz já está cumprida. Nenhum homem deve cobrar para intermediá-la.


Novas 95 teses para uma Reforma da igreja atual

Em 1517, o monge Martinho Lutero mudou a história do mundo ao expor publicamente suas 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg. Todo o molde histórico e geográfico da Europa foi alterado e o cristianismo protestante nasceu com o intuito de se distanciar das heresias apoiadas e propaladas pela Igreja.

500 anos depois o cristianismo protestante subsiste, embora seja cada vez mais premente a necessidade de se desligar dos hereges, ladrões, mercenários e aproveitadores entranhados no meio dos cristãos verdadeiros. A sujeira começa a se tornar insuportável, de modo que a denúncia destes falsos profetas se demonstra inadiável.

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Escrevo estas 95 teses como uma humilde contribuição, buscando denunciar o igrejismo mercadológico, barganhoso e antibíblico. Repito simbolicamente o ato de Lutero por convicção, necessidade e, sobretudo, homenagem.

1º tese. Cristo nos conclamou ao arrependimento. Reconheçamos, portanto, que somos pecadores e deixemos de pregar que somos cheios de poder, reconhecendo que o Poder pertence somente a Ele;

2º tese. Nos reconhecendo pecadores, automaticamente, assumimos que precisamos de perdão e redenção, que só podem vir através de Jesus Cristo;

3º tese. Entendamos que o nosso arrependimento precisa gerar frutos visíveis, que nos identifiquem como servos do Deus altíssimo;

4ºtese. E que o pecado que habita em nós, inerente à nossa carne, nos afastaria por completo de Deus caso Ele não tivesse misericórdia de nós, sendo um contrassenso qualquer um de nós se considerar “cheio do poder”;

5ºtese. Um pastor só está de acordo com a vontade de Deus se se mantém, em tudo, baseado na Palavra Dele, sem priorizar seus próprios achismos e interesses;

6ºtese. A obra que Cristo realizou na Cruz já está cumprida. Nenhum homem deve cobrar para intermediá-la;

7ºtese. O perdão de Deus não está à venda e nem sob posse de liberação de quem quer que seja, senão Dele próprio;

8ºtese. A salvação, tal qual o perdão de Deus, são intransferíveis. Não podem ser comprados, vendidos ou herdados;

9ºtese. Os pastores, bispos, presbíteros e líderes estão sujeitos aos mesmos princípios bíblicos que aqueles a quem conduzem;

10ºtese. Ninguém tem poder para estipular juízos, julgamentos e sentenças que não encontrem embasamento bíblico, de acordo com as orientações e procedimentos dados à Igreja Primitiva através de Paulo e dos apóstolos;

11ºtese. Os falsos profetas e falsos ensinos proliferam quando os verdadeiros servos de Deus se calam;

12ºtese. Somente o Deus que por sua infinita Graça concede o perdão pode julgar a sinceridade do coração do pecador arrependido;

13ºtese. Enfermidades não são evidências de vida em pecado, sendo portanto um logro espiritual perturbar os enfermos com acusações de que sua doença provém de castigo e/ou consequência dos seus atos;

14º tese. É doloso exigir dos enfermos valor material como barganha para oferecimento de cura, mediante a imputação de “falta de fé” se o preço é pago e a cura não é alcançada;

15º tese. Só o Senhor determina a cura, bem como conhece as razões para a existência de uma enfermidade, estando tudo sujeito à Sua onisciência plena;

16º tese. O Inferno prometido aos que não reconhecerem o sacrifício de Cristo não pode ser tornado instrumento de chantagem emocional por pastores e líderes religiosos, de modo a atemorizar o povo para que cumpram suas vontades;

17ºtese. Peca gravemente contra o Senhor aquele que engana o povo e usa o medo do inferno como forma de locupletar-se;

18ºtese. Sendo o Senhor o doador da Redenção, cabe somente a Ele proferir quem é e quem não é digno de padecer no Inferno;

19ºtese. Os atos condenáveis pelo Senhor estão dispostos em sua Palavra. Aquele que acrescenta à Bíblia pecados que Deus não condenou é falso profeta;

20ºtese. Nenhum homem tem poder para condenar ou livrar alguém do inferno, tal qual não tem poder para salvar pela sua palavra quem quer que seja;

21ºtese. Portanto, estão em pecado aqueles que, tomados pela vaidade do cargo e nomenclatura religiosa, lançam pragas e decretam condenações;

22ºtese. São soberbos e mentirosos aqueles que alegam possuir uma “autoridade espiritual” especial vinda de Deus, e que com isso oprimem e enganam o povo;

23ºtese. Cada qual será galardoado pelo Senhor na Eternidade. Os que se auto-galardoam e se consideram autoridades irretocáveis, se afastando do povo e vivendo como nababos, não se apresentam como ministros de acordo com o padrão bíblico;

24ºtese. Os que se refestelam em seus títulos soberbos e orgulhosos, alterando sua nomenclatura ministerial para se elevarem pessoalmente, são os que se tornaram incapazes de esconder sua própria arrogância;

25ºtese. Não é vergonha ser pastor ou presbítero, de modo que não é necessário que tantos se promovam a apóstolos e a outros títulos que foram esvaziados do seu sentido bíblico;

26ºtese. Quem serve a Deus com humildade dá pouca importância à titulação. Mudar a nomenclatura do próprio cargo para algo que se considera de impacto superior é marketing humano, mas vergonha espiritual;

27ºtese. Os apóstolos bíblicos enfrentaram profundas perseguições no propósito de expandir a fé cristã por todo o mundo até então conhecido. Os apóstolos de hoje em dia estão dispostos a deixar suas igrejas portentosas para realizar tal tarefa?

28ºtese. A atuação dos falsos profetas é abundante e incontida porque grande parte dos que se pretendem cristãos não leem a Bíblia, de modo a serem facilmente ludibriados;

29ºtese. A pregação bíblica deve se esmerar em fornecer um parâmetro de vida calcado nos princípios presentes na Palavra de Deus;

30ºtese. Ao pregarem sobre futilidades e escorados em princípios de auto-ajuda, os pregadores impedem a consolidação de uma igreja sábia e forte;

31ºtese. A norma máxima objetivada por um pregador deve ser estar de acordo com a Palavra de Cristo e se fazer entender pelo maior número de pessoas;

32ºtese. É mais importante pregar a Bíblia como ela está disposta do que utilizar técnicas de marketing pessoal, que enfatizam o magnetismo do orador e não a verdade do seu discurso;

33ºtese. Não encontra base bíblica a chamada “pregação antropocêntrica”, que coloca o homem, e não Deus, no centro da ação;

34ºtese. O pregador nunca deve esquecer que um culto é o lugar onde os homens devem servir a Deus, não onde vão para que Ele os sirva;

35ºtese. O cuidado de Deus para conosco foi manifesto através do sacrifício redentor de Jesus Cristo, de modo que nada mais seria necessário que Ele nos fizesse, mesmo assim Ele nos supre com aquilo que precisamos;

36ºtese. O sermão proferido no culto deve servir ao propósito de cultuá-Lo, lembrando do que Ele já realizou por nós e não focando somente no que ainda devemos querer Dele;

37ºtese. Por tal, é lesiva e oportunista a pregação que se fixa somente na conquista de bens financeiros e materialidades, na medida em que apresenta Deus como um gênio da lâmpada despertado pelas vultuosas ofertas de seus súditos;

38ºtese. Pregadores que só falam de bençãos materiais criam igrejas frágeis, cuja membresia se desestimula se os resultados financeiros não são brevemente conquistados;

39ºtese. Tem sobre si responsabilidade aquele que perde uma vida sob seu pastorado, por pregar um evangelho incondizente;

40ºtese. O incentivo à barganha financeira impede que os crentes tenham verdadeiro prazer em contribuir com o sustento da obra, fazendo com que o prazer em contribuir seja advindo somente da crença de que receberão em troca o investimento multiplicado;

41ºtese. Além do fato de que os abusos praticados dão mal testemunho e afastam os descrentes do Caminho;

42ºtese. Por causa destes, o nome do Senhor acaba blasfemado entre os ímpios, e o peso de seus maus atos recaí sobre todos, inclusive os que procedem retamente;

43ºtese. Que amor cristão há nos que, ensandecidos e tomados pela cobiça, dão dízimos e ofertas em caráter de barganha, visando riqueza material?

44º tese. Os que ofertam como forma de chantagem a Deus porque querem ser recompensados financeiramente são servos do dinheiro, não Dele;

45º tese. Os proponentes do evangelho materialista da Teologia da Prosperidade diminuem o sacrifício de Cristo;

46º tese. Em lugar da pregação do que Cristo já operou na cruz, focam seus esforços em promessas de riquezas terrenas;

47ºtese. São lobos aqueles que falseiam a Palavra para obtenção de lucro, usando o nome de Deus como fachada para seus negócios escusos;

48ºtese. Os que não se empenham em pregar o Evangelho, mas em conseguir novos pretextos para falsear Malaquias 3.10;

49ºtese. Não entendem o conceito de soberania os que, por inocência ou interesse, alegam que o devorador é um demônio limitante ao poder de Deus, não podendo ser por Ele repreendido;

50ºtese. Comete-se injustiça contra Deus aquele que gasta tanto ou mais tempo falando de dinheiro e prosperidade do que pregando o verdadeiro evangelho;

51ºtese. Atentam contra a fé os que acreditam que a conquista de bens materiais é evidência de aprovação divina;

52ºtese.  Os que dizem querer engrandecer a Deus através dos bens são mentirosos, pois o que querem são os tesouros terrenos;

53ºtese. Se quisessem engradecer a Deus o fariam com seus corações, que já possuem, e não com riquezas que anseiam conquistar;

54ºtese. Verdadeira é a igreja que não se escora em “movimentos” e modismos falsamente chamados de “avivamentos”, mas se mantém fiel à Palavra;

55ºtese. Heresias nascem diariamente sob a condição de “movimentos” e “novidades”, sendo essencial seguir o Evangelho Puro e Simples;

56ºtese. Pois para que haja hereges, é preciso haver quem os siga;

57ºtese. Novidades teológicas são perigosas, pois o Texto Sagrado permanece o mesmo;

58ºtese. As obras não salvam, mas são as credenciais demonstradas publicamente por aquele que é salvo;

59ºtese. Pois só dá testemunho do amor de Cristo aquele que transborda publicamente do que está cheio;

60ºtese. O “cristão” que mira somente tesouros terrenos transbordará ao mundo apenas sua ganância incontida;

61ºtese. O verdadeiro tesouro da igreja de Cristo é o Evangelho da Graça e da Glória de Deus;

62ºtese. Como este tesouro exalta os humildes e humilha os soberbos, é repelido por muitos dos pastores midiáticos;

63ºtese. Pois a pregação da humildade não combina com a pregação da honra e luxo prometida aos que contribuírem de modo incessante;

64ºtese. Tais falsos profetas, se realmente tivessem fé no que pregam, deveriam eles próprios contribuir consigo mesmos, para que multiplicassem suas próprias contribuições e prosperassem toda a igreja!

65ºtese. Servos de Deus não adivinham documentos de identidades ou manipulam serpentes de forma exibicionista, mas dão testemunho de Cristo em sua vida diária.

66ºtese. Não cultuam a Deus somente no templo no domingo, mas cultuam todos os dias, em todos os lugares, porque eles são a Igreja;

67ºtese. No templo adoram a Deus em comunhão com seus irmãos, como Cristo assim ordenou, mas são cristãos o tempo todo, em todos os lugares;

68ºtese. Gírias e roupas de crente não elevam o grau de santidade de ninguém. Os servos de Cristo são reconhecidos pelos seus frutos, não pelo figurino;

69ºtese. A Palavra de Deus é a Verdade da fé cristã, imutável e irrelativizável, exigindo, portanto, que os servos deste Reino não se contaminem com verdades relativas;

70ºtese. É mais justo o cristão que se eleva contra os ensinos de um falso profeta do que o que se cala temendo uma pretensa autoridade espiritual;

71ºtese. A autoridade espiritual suprema é a Palavra de Deus. Os pastores e líderes devem ser respeitados somente quando sujeitos à autoridade Dela;

72ºtese. Os líderes que Deus levanta agem em amor, sabedoria e justiça, não com opressão ou chantagem emocional;

73ºtese. Não é papel da igreja proporcionar entretenimento às pessoas. A igreja se fragiliza toda vez que se descaracteriza do padrão bíblico sob a justificativa de estar buscando ganhar almas;

74ºtese. O modo de se evangelizar é pregando o Evangelho e demonstrando-o na vida prática. A igreja deve ser menos pirotécnica e mais fiel à essência bíblica;

75ºtese. Em nada se diferenciam dos cartomantes e adivinhos aqueles que se nomeiam profetas e fazem previsões descabidas a qualquer um que os consulte;

76ºtese. Supremo tolo entre os tolos é aquele que só procura a voz de Deus na boca dos falsos profetas e não em Sua Palavra;

77ºtese. Orações escandalosas demonstram falsa santidade. São tal qual galos que querem se impor no galinheiro pelo barulho que fazem;

78ºtese. Deve-se tomar muito cuidado com aqueles que querem ser mais misericordiosos do que Deus. Ao que Ele considerou pecado, não cabe ao homem fornecer atenuação;

79ºtese. O amor de Deus se manifesta através de nós quando alertamos o mundo de que o sacrifício de Cristo limpa nossos pecados, não quando, em nome do amor, ensinamos que o pecado é tolerável;

80ºtese. Igreja que falsifica o Evangelho sob a “desculpa” do amor é casa de mentiras. Não se pode servir a Cristo sem renúncia;

81ºtese. A única forma de demonstrar às pessoas que elas precisam de um Salvador, é ensinando-as que são pecadoras. Sem esse reconhecimento, não existe transformação;

82ºtese. De modo que é por isso que tantos males são causados pelas Igrejas materialistas, que usam como argumento de convencimento a ganância pela prometida prosperidade;

83ºtese. O Evangelho não deve ser modificado ou suavizado para que não ofenda as pessoas. Se isso tivesse de ser feito, o próprio Senhor teria suavizado Sua Palavra;

84ºtese. O cristão DEVE julgar os modismos e heresias que falseiam o meio cristão. Silenciar perante evidências de uma pregação falsa é colaborar com a permanência do engano;

85ºtese. Os que muito repetem “não julgueis para não serem julgados” tiram a orientação do contexto, para se protegerem dos questionamentos às suas heresias;

86ºtese. Afinal, eles próprios julgam e subjugam o povo, usando sua falsa autoridade espiritual como instrumento de opressão;

87ºtese. A Igreja deve, diuturnamente, procurar e promover o verdadeiro avivamento;

88ºtese. O avivamento, diferente do que muitos pregam, não é baseado na ocorrência de sinais e milagres, mas sim no reconhecimento da Soberania e da Obra de Cristo;

89ºtese. Se tal reconhecimento acontecer fundamentado na Palavra e não nos sinais físicos, este será genuinamente um avivamento, já que estará calcado em solo firme;

90ºtese. O culto público deve ser realizado de acordo com os parâmetros fornecidos pelo próprio cultuado, não segundo os desejos dos homens;

91ºtese. Não devemos, portanto, decidir de que forma adorá-Lo, mas sim respeitar o modo como Ele o exigiu em Sua Palavra, mediante ordem e decência.

92ºtese. Ordem e decência não combinam com “unções” e “moveres” escandalosos, repletos de teatralidade, carnalidade e desejo de destaque;

93ºtese. Busquemos a Deus em reconhecimento pela salvação gratuita a nós concedida, não em constante e incansável busca por novas experiência o tempo todo;

94ºtese. Afinal, há experiência ou prosperidade maior que a constatação de que o mesmo Senhor a quem meu pecado ofendeu, pagou a minha dívida e me fez salvo e livre?

95ºtese. Entendamos que a porta é estreita, e poucos são os que entram por ela. Ao Senhor toda honra, glória e majestade.



Renan Alves da Cruz é historiador, professor de Escola Bíblica Dominical e colunista de política e cultura do portal Voltemos à Direita.

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