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O cristão como agente de transformação do Brasil

A transformação do Brasil ocorrerá e alcançará a proporção necessária e por nós almejada quando cada um de nós entender e exercer seu trabalho


O cristão como agente de transformação do Brasil

Todo processo de transformação envolve mudar, adequar, modelar algo para uma forma mais apropriada, mais produtiva, mais qualificada, melhor. Nesse processo, os agentes somos sempre nós e o instrumento transformador é o nosso trabalho, que expressa nossas habilidades, conhecimentos e experiência.

A transformação do Brasil em todas as áreas da sociedade passa, portanto, pela adoção de uma perspectiva de Deus sobre as profissões e o trabalho. Assim como Deus se revelou por meio da Sua criação, trabalho de suas mãos, nós O revelamos a partir de nosso trabalho, das atividades diárias que desempenhamos profissionalmente.

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Deus nos criou para executar uma parte específica e fundamental de Seu plano: fomos criados para cuidar do Seu mundo material e para formar nações com base nas Suas leis e promessas (Gn. 1:28). Fomos criados para revelá-LO pelos talentos, dons, capacidades e conhecimentos que Ele nos dá (Mt. 5: 13-16). A alguns de nós, Deus capacitou na área econômica, dos negócios, para revelá-LO enquanto Jeová Jiré: Deus Provedor. Outros, Ele chamou para a área de artes para revelá-LO enquanto Deus da Beleza. Outros ainda foram capacitados para lutar por Justiça na área do direito, da política, ou ainda para disseminar o Deus da Verdade, por meio das comunicações e da educação. Todos fomos chamados para revelá-LO de uma forma particular pelo trabalho de nossas mãos, seja dentro seja fora da instituição Igreja.

Cristóvão Colombo, Katharina von Bora, Johannes Kepler, Isaac Newton, Galileu, John Wesley, Adam Smith, Max Weber, entre tantos outros homens e mulheres cristãos mundialmente conhecidos, exerceram suas profissões – e se notabilizaram por isso –, focados em revelar a Deus. Em seu diário, Colombo afirmou ter sido Deus a colocar em sua mente a missão de navegar para as Índias. Kepler escreveu em 1598 que os astrônomos seriam os sacerdotes de Deus quanto ao “livro da natureza” e que deveriam buscar não a glória do seu intelecto, mas acima de tudo a de Deus. Semelhantemente, Isaac Newton considerava a ciência um “jardim” que lhe fora dado para cultivar e acreditava que cada descoberta era comunicada pelo próprio Deus. Adam Smith, por sua vez, construiu uma teoria econômica com base nos princípios bíblicos: o governo deveria limitar suas atividades para administrar a justiça, fazer valer os direitos de propriedade privada e defender a nação contra a agressão.

Mais recentemente, William Wilberforce, Martin Luther King e Clive Staple Lewis (C. S. Lewis) revelaram Deus por meio de seu trabalho. Wilberforce, um político britânico, liderou o movimento abolicionista do tráfico negreiro, que se disseminou por todo o mundo a partir do século XIX.  Martin Luther King lutou contra a discriminação racial e foi um dos mais importantes líderes de movimentos pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos em meados do último século. Por fim, C. S. Lewis, professor universitário e escritor, utilizou seu talento e seus conhecimentos literários para traduzir e disseminar a mensagem do Evangelho em ficções científico-religiosas, conhecidas em todo o mundo.

Assim como eles, nós também podemos e somos chamados a ser os agentes de Deus para transformar nossa Nação. Há um tempo, porém, parte expressiva da Igreja cristã perdeu essa perspectiva sobre o trabalho fora da instituição Igreja (“Teologia do laicato”). Como resultado, a maioria do povo de Deus tem trabalhado 5 ou 6 dias por semana para “ganhar dinheiro” e não para revelar e honrar a Deus a partir de sua profissão. Temos sido uma Igreja sem influência, que vive num mundo doente, inseguro e injusto, e pouco o tem impactado e o transformado pela cultura do Reino de Deus.

A transformação do Brasil ocorrerá e alcançará a proporção necessária e por nós almejada quando cada um de nós entender e exercer seu trabalho para revelar Deus e implantar a cultura do Reino em nossa Nação. É sendo o Reino e vivendo o Reino que testemunharemos a transformação do Brasil em uma Nação conhecida pela alegria, paz e justiça. Já temos o Manual: a Palavra de Deus revelada a nós. Resta-nos conhecê-la e praticá-la em relação a todas as áreas da sociedade.



Viviane Petinelli é pós-doutora em Ciência Política. É especialista em políticas públicas e participação social.

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