O cristão e o “politicamente correto”

Isso tem criado um batalhão de pessoas infantis e hiperssensíveis a tudo.


O cristão e o "politicamente correto"

Na minha última Escola Bíblia Dominical, estudamos o texto de João 4, quando Jesus ensina uma mulher samaritana. Interessante é que neste texto, mostra-se como Jesus quebra todos os preconceitos da época, pois para os judeus, os samaritanos eram gente desprezível e impura, pois se relacionaram com os assírios, que haviam dominado esta região, com a invasão.

E para Jesus, isso não tinha nenhuma relevância, como também não tinha o fato de estar falando com uma mulher, algo que, à época, era considerado ultrajante, em público. Já estive em alguns países do Oriente Médio e você fica impressionado com a quantidade de homens nas ruas, comparado com as mulheres que ficam em casa, e a total falta de trocas de afeto entre homens e mulheres em público. É raro ver um mero andar de mãos dadas.

Hoje, infelizmente uma das maiores armas da agenda globalista para separar as pessoas, como no tempo de Jesus, é o discurso “politicamente correto”. Explico.

Tempos atrás, li um livro chamado The New Church Ladies”, do Jim Goad. O nome do livro decorre de uma analogia com a “Church Lady”, que era uma personagem de grande sucesso na TV americana do ator Dana Carvey.

No humorístico, a Church Lady era aquele tipo de senhora velhinha carola que criticava todo mundo, dizendo que todos eram pecadores e que iriam para o inferno. Talvez, você já deva ter encontrado algum crente legalista destes por aí. Hoje, o nosso mundo está cheio disso com os chamados “guerreiros da Justiça Social”. Já existe até uma expressão para se referir a eles em Inglês: SJW (Social Justice Warrior).

É gente que vê agressões em quase tudo, pelo em ovo, e querem usar de sua pretensa superioridade moral, para impor uma espécie de ditadura do politicamente correto. No que estamos falando, existe até um termo que foi criado para isso: MICROAGRESSÕES.

Este termo foi cunhado pelo professor de Harvard, Chester M. Pierce, em 1970. Mas, foi um professor da psicologia da Universidade de Columbia, chamado Derald Wing Sue, que jogou o termo na mídia, tendo o termo “microagressões” emplacado lá e depois difundido para países periféricos com essa ideologia.

Hoje, a coisa anda tão adoecida, por exemplo, que se eu citar, como já ocorreu na internet, que um cara é um judeu (sendo o cara, de fato, um judeu), já sugerem que você é um antissemita. Chega a ser infantil demais. É o mesmo que eu me sentir agredido se colocassem o “brasileiro Leandro”.

Isso tem criado um batalhão de pessoas infantis e hiperssensíveis a tudo, que acabam não sabendo se relacionar e se posicionar em um mundo que sinceramente muitas vezes é totalmente indiferente aos seus pleitos de atenção e necessidade de ser paparicada ou vista.

Senão bastasse isso, o interessante é também a hipocrisia reinante, algo tremendamente repudiado nos evangelhos. Se você for parte de um grupo majoritário (e.g.: branco, cristão, etc.), o povo pode te chamar de tudo (misógino, sexista, homofóbico, racista, retrógrado, fascista, e outros rótulos extremamente degradantes) e TUDO BEM. Interessante essa moralidade dupla, não?

Assim, o meu texto tem a intenção de que nós, cristãos, estejamos atentos para esse tipo de manipulação. Aqui, não é nenhum convite para que achemos normal desrespeitar outras pessoas, ou sair falando o que bem entendermos. Mas, estarmos conscientes para que não sejamos feitos de massa de manobra, como tem acontecido por aí. Gente que, às vezes, se acha muito liberto e esclarecido, simplesmente por não ter uma religião, uma fé, mas que estão mais enjaulados do que tudo.



Leandro Bueno

Leandro Bueno

Procurador da Fazenda/Professor. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil


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