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O cristão e os finais dos tempos

Preocupe-se mais em anunciar as boas novas e esteja preparado para aquele dia.


O cristão e os finais dos tempos

Eu tinha um amigo da igreja que possuía uma verdadeira obsessão nos assuntos escatológicos (que dizem respeito aos finais dos tempos), sendo que sempre falava do número da Besta, das 7 trombetas, do Arrebatamento, da Batalha do Armagedom, dos 4 Cavaleiros do Apocalipse, etc.

Eu me recordei dele essa semana, pois alguns irmãos me perguntaram sobre a passagem bíblica que está em Isaías 17 e que fala da destruição da Síria. Eles queriam saber se eu achava que o mencionado capítulo possui relação com as atrocidades que estamos vendo no bombardeio à Ghouta, subúrbio de Damasco e praticamente o último bastião do poder insurgente naquele país.

Eu penso que NÃO. E explico: Isaías 17 se refere a um oráculo de julgamento a respeito de Damasco e pode ser datado durante a crise siro-efraimita de 734-732 a.C. Além de ser capital da Síria, Damasco também era o eixo comercial ao longo das rotas comerciais entre a Mesopotâmia, o Egito e a Arábia, sendo que foi capturada por Tiglate-Pileser III, em 732 a.C.

Neste sentido, é que eu penso, salvo melhor juízo, que há cristãos que ficam, às vezes, muito mais preocupados com as questões finais deste mundo, fazendo divagações e dando palpites, sem fundamentos teológicos consistentes nenhum, do que aproveitando essa vida que Deus nos deu, para trazer as boas-novas ao povo.

Vejo também pastores americanos que dão milhões de dólares para judeus voltarem para Israel, pois isso supostamente apressaria a volta de Jesus e até manipulações, a meu ver, geopolíticas, quando muitas vezes, vejo notícias que apontam os “anticristos” como sendo apenas aqueles países que não se alinham com os Estados Unidos ou com Israel.

E por que acho que essas divagações são um tanto sem sentido? Porque quem está em Cristo, o mundo pode acabar hoje ou amanhã, e essa pessoa não tem nada a temer, pois está nos braços do Pai. Ademais, o próprio Jesus no diz em Mateus 24:36, que a respeito daquele dia (dia final) e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão exclusivamente o Pai.

Mas mesmo diante desta clara orientação de Jesus, basta olharmos na história do Cristianismo e veremos vários casos de líderes religiosos e de cristãos que foram ridicularizados em público, e viraram verdadeiros motivos de piada, por darem como “certa” a vinda de Cristo no dia que imaginavam.

Aí, a volta não se deu não se deu na data fixada. E houve um caso que li, que um líder de uma grande igreja nos Estados Unidos chegou a designar uma outra data, depois daquela que indicara erroneamente, e o fim também não veio.

Assim, eu creio que devemos ter sabedoria e discernimento para sairmos afirmando algo assim. Penso que muito disso, está em uma certa “meninice espiritual” que se junta a legítima vontade que todo cristão possui de ver o mais breve possível a volta de Cristo. E também na dificuldade de muitos em suportar a vida como ela é, de fato, sem firulas, com todos os tipos de pressões que vivemos hoje.

Se é certo que estamos atualmente vivendo em um mundo com diversas características semelhantes aquela que Jesus diz que iriam preceder o fim, não há como afirmarmos concretamente nada em termos temporais. Daí, eu pensar que o foco da vida do cristão, não poder ser sua visão escatológica, mas, viver o evangelho de Jesus no agora.

Que sejamos cristãos atuantes no hoje neste mundo, sabendo que este pode ser o nosso último dia aqui ou do nosso planeta, mas, seguros que estamos cumprido o mandamento do “ide” na esperança do nosso amado Mestre.



Procurador da Fazenda/Professor. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil

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