O escândalo da cruz

  A Bíblia é o livro mais lido do mundo, e talvez seja o menos compreendido. Lemos sobre Deus, mas...


O escândalo da cruz

 

A Bíblia é o livro mais lido do mundo, e talvez seja o menos compreendido. Lemos sobre Deus, mas a sociedade atual, ou melhor, a cultura ocidental atual acredita que o Deus das Sagradas Letras é um ser passivo, fraco; um legítimo mendigo existencial. Pensam que sofre de carência e que não sabe lidar com o caos, a dor e as catástrofes na natureza. Há quem pense que Deus é até soberano, porém o é sem obter o controle absoluto sobre a história, os acontecimentos da vida, o tempo e o espaço. Esta cultura idealizou um deus humanizado demais, sensível demais e carente demais, o que se reflete na maneira de muitos viverem – como se o Eterno Criador fosse um amiguinho complacente com os seus ofensivos pecados. Este mundo crê num falso deus, que é complacente com o pecado e displicente em fazer justiça.

Tal deus formatado pela mente do homem caído é tão esvaziado de poder e de glória que muitos cometem o gravíssimo equívoco de achar que é necessário que “as pessoas o convidem a entrar em seu coração”, e que ele “bate à porta dos coraçõezinhos sujos para entrar” ou que “é educado; logo, caso você não queira, tudo bem, porque ele pode ficar do lado de fora vendo você caminhando a passos largos para o inferno”. O que mais chama a atenção é que as pessoas defendem a ideia deste “deus reduzido” justamente por causa delas mesmas. Fazem isso porque não podem aceitar um Deus que não as aceite como são.


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Eu quero falar contigo sobre o Deus das Escrituras, e quero começar dizendo que o Grande Eu Sou não lhe deve absolutamente nada, quanto menos uma satisfação do porquê de seus atributos muitas vezes se revelarem tão ofensivos ao coração egocêntrico do ser humano. Há algo claro na Sua Palavra: Deus é bom, ao contrário de mim e de você.

Afirmo sem titubear que Deus é sempre santo, todo santo – perfeitamente santo. Não há pecado em Deus, nem sombra do mal. Deus não criou o mal, pois nada que não seja o bem pode nele ser gerado, ou dele manifesto. Até mesmo os primeiros seres humanos, que dele vieram, foram feitos neste contexto de perfeita harmonia de pureza e santidade. Adão e Eva não possuíam pecado algum e desconheciam o mal quando desobedeceram a Deus. E o Deus das Escrituras, por ser tão perfeito, simplesmente odeia o mal, seja ele existente dentro ou fora do homem. Se o homem comete o mal, Deus odeia – o pecado e o homem que peca. Leia os Salmos e comprove por si mesmo. Se a ofensa a Ele está numa estrutura política, artística ou intelectual, se há prevaricação numa motivação ou se há algo existente na criação para intentar num roubo de sua glória (ídolos feitos por mãos humanas, por exemplo), são alvos da santa ira divina. Ele odeia, e não peca em ser e agir assim.

“Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniquidade, nem contigo habitará o mal. Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade. Destruirás aqueles que falam a mentira; o Senhor aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento.” (Salmos 5.4-6)

Afirmar que Deus odeia pecado e pecadores, nesta pós-modernidade, é arrumar sarna para se coçar. Mas aqui estou eu, sem condição alguma de negociar a verdade com esta geração, para mostrar ao leitor o que a Escritura de uma maneira clara e plena nos revela sobre o caráter de Deus. Porém, se o discurso terminar aqui, incorrerei no mesmo equívoco desta contemporaneidade (só que ao inverso), ao afirmar que Deus odeia o pecado e o pecador como se isso significasse que Ele esteja ávido por matar seres humanos e exterminar a espécie por completo, assim como Hitler tentou fazer com os judeus.

DEUS ODEIA E AMA O PECADOR! REPITO: DEUS ODEIA E AMA O PECADOR!

Percebem a diferença entre dizer que “Deus odeia o pecado e ama o pecador” e dizer que “Deus odeia o pecado, e também odeia e ama o pecador”? E a pergunta lógica surge: como Deus pode odiar e amar o pecador?

Esta pergunta, a cruz de Jesus Cristo responde.

Na cruz de Cristo, Deus mostrou o quanto odeia o pecador, pois ali derramou toda a sua santa ira, que obviamente não era contra Cristo e sim contra o pecado do homem. Ali, Deus puniu o nosso pecado. Ali, Deus mostrou o quanto nos odeia e pôde satisfazer completamente a sua justiça. Na cruz de Cristo, Deus tratou com o nosso pecado de forma justa. Sendo que algo misterioso, glorioso e assustador aconteceu naquele dia: Deus castigou OUTRO ao invés de NOS CASTIGAR. Isso comprova a grandiosidade do amor de Deus para conosco! Cristo assumiu a culpa pelos nossos pecados, a ainda lançou sobre nós a sua obediência!

Deus em Cristo, no Calvário, manifestou a plenitude do seu amor por nós.

Não peça para que Ele prove que te ama. Ele não vai te mandar um bilhete para você achá-lo numa cabana para se apresentar a você numa configuração que possa agradar a sua mente antropocêntrica e carnal que anseia por satisfação própria e reconhecimento de que o mundo gira à sua volta. Ele não vai manifestar outro tipo de amor por você que não este revelado na Escritura. A Escritura nos mostra que Deus Pai castigou o Deus Filho no lugar muitos pecadores, onde o principal e maior deles vos escreve. Deus te ama tanto, que deu o seu único Filho para que, pela fé no Filho, você recebesse a graça escandalosa que te perdoa, te acolhe, te dignifica, redime e te torna aceito por Ele para sempre – somente através do Amado Nazareno.

Deus te ama tanto que morreu no seu lugar, na sua condição (pecado) e ainda lhe deu a condição que somente Ele possui (justiça). Aquele que é a JUSTIÇA se fez pecado para que o que era PECADO, fosse feito de novo… ou seja, fosse feito, NELE, JUSTIÇA. (2Coríntios 5.21)

Ainda diz a Escritura: “Todavia, ao Senhor AGRADOU MOÊ-LO, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e O BOM PRAZER DO SENHOR PROSPERARÁ NA SUA MÃO. (Isaías 53.10)

Consegue entender que foi a vontade soberana de Deus que cumpriu na história o que havia decretado em nosso favor antes da fundação do mundo? Ele, o Senhor, fez o seu único Filho enfermar. Jesus, portanto, é o “Isaque” de Deus – sendo que este “Isaque” não foi poupado no Calvário.

Encerro dizendo que Deus odeia o pecado, odeia o pecador e o ama com o maior perfeito e mais profundo do universo. Ele não nos perdoou porque somos “legais”, simpáticos e bonitinhos. Ele nos perdoou porque Ele é verdadeiramente bom, e absurdamente nos ama. Jesus não é um “cara bacana que você escolhe ou não se quer andar com ele”. Jesus é O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA. Se ele é o caminho, sem ele não há destino. Se ele é a verdade, sem ele tudo é confuso, medíocre e falso. Se ele é a vida, sem ele todos estão mortos em seus pecados. A cruz do Senhor revela o maior escândalo que este mundo conheceu: o supremo Juiz do Universo decidiu punir o pecado de criminosos nele mesmo, e advogar a sua causa diante dele, para assim os declarar, PARA SEMPRE, TOTALMENTE JUSTOS, SEM PECADO E ACEITOS NA SUA FAMÍLIA ETERNA.



Maycson Rodrigues

Maycson Rodrigues

30 anos, é casado com Ana Talita, estudante de Teologia Reformada e estuda Filosofia na UFRJ. É compositor, escritor e músico e trabalha no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.


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