O líder que o Brasil precisa

Havia três caciques naquela aldeia: um deles era o dono da aldeia por herança, o outro era quem organizava o...


Havia três caciques naquela aldeia: um deles era o dono da aldeia por herança, o outro era quem organizava o povo para a tomada de decisões e para os trabalhos coletivos, e o terceiro fazia a função de “relações internacionais”, pois era quem sentava à mesa com turistas, FUNAI, Universidades, etc.

Nem todas as culturas indígenas possuem a figura do cacique que manda, nem todas possuem um sistema de governo tríplice, nem todas as culturas o cacicado é hereditário. Também é certo que liderança alguma nas aldeias reflete o modelo romântico de equilíbrio, harmonia e paz do “bom selvagem”.

“Qualquer um pode ser cacique na sua aldeia?”, perguntei para indígenas de povos diferentes, mas cujo cacicado é escolhido pelo consenso da comunidade. E duas respostas, que foram comuns entre eles, chamaram-me a atenção: ele deve ser honesto e cuidar bem da própria família.

Aqueles critérios, usados para a escolha do líder em suas aldeias, são bíblicos e estão lá naquela lista da carta de Paulo a Timóteo como normas para a distinção entre aqueles que devem liderar as nossas igrejas (I Tm 3). Todavia, há muito que as igrejas já não levam em conta essa lista para a escolha de suas próprias lideranças.

São critérios que, como eu mesmo vi, alguns grupos indígenas consideram, ainda que essas etnias não sejam cristãs, porque são normas universais. Como colocaríamos na liderança da aldeia, da Igreja e do país pessoas que tivessem um mau testemunho dos de fora e que fossem maus governantes de suas próprias famílias?

Mas, infelizmente, é isso o que temos feito. Temos ignorado que há regras, inclusive regras de caráter, que nossas lideranças do país, cristãs ou não, deveriam ter para que, só então, as elegêssemos.

Por isso, para além daquela lista mínima da carta de Paulo a Timóteo, quero compartilhar outros sete ensinos simples e bíblicos que deveríamos ter como critérios para a escolha da liderança do nosso país.

Na verdade, são sete ensinos que nos ajudarão não apenas a escolher nossas lideranças, mas darão uma direção bíblica para ajudar a reconhecer os verdadeiros líderes no meio de tantos lobos vorazes disfarçados de cordeiros.

Esses critérios também nos ajudarão, desde agora, a preparar nossos filhos para que eles se tornem os líderes que tanto precisamos, seja na família, na Igreja e no Estado. Então, até o próximo domingo.



Fábio Ribas

Fábio Ribas

Pastor da IPB e missionário da APMT entre povos indígenas do Brasil. Graduado em Letras e em Teologia e pós-graduado em Filosofia e Existência. Atua como professor em cursos de formação transcultural. Casado e pai de duas filhas.


Deixe seu comentário!