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O mais difícil dos mandamentos?

Que tenhamos a coragem e a atitude de amarmos a todos


O mais difícil dos mandamentos?

Lendo Mateus 5:43-48, vemos Jesus nos conclamando a não amarmos apenas os nossos amigos, mas, também aos nossos inimigos. Ou seja, ele deu uma nova significação a esta questão, se compararmos com o que tínhamos no Antigo Testamento.

Em Levítico 19:18, o mandamento amarás o teu próximo se referia apenas ao irmão israelita. As atitudes para como os estrangeiros e os israelitas que abandonaram a fé eram bem diferentes, como podemos ver, por exemplo, em Êxodo 34:12; Deuteronômio 7:2; 23:3-6 e Salmos 139:21-22. Ou seja, apesar de “odiarás o teu inimigo” não ser um mandamento no Antigo Testamento, pode ser deduzido com base nas passagens citadas.

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Porém, Jesus quebra totalmente esta mentalidade, ordenando que amemos os inimigos. E a palavra traduzida por amor, neste contexto, foi ÁGAPE, que traz a ideia de um comprometimento de boa vontade em relação à pessoa, independentemente de ela o merecer ou não.

Assim, lendo estes textos, nas duas últimas semanas, venho sendo incomodado por Deus neste ponto. Por ser uma pessoa que não é dada a rancores ou a viver brigando, a ponto de eu não conseguir nomear um inimigo meu, apesar de saber que há gente que não gosta de mim, o meu problema maior a ser enfrentado nesta área, e creio que de muitos irmãos, é a INDIFERENÇA.

Ou seja, devido a não simpatizarmos com a ideologia, o modo de vida daquela pessoa em específico, ou até mesmo ela tendo feito algo ruim para nós, há uma tendência forte em muitos de nós de tratar a pessoa com indiferença, como se ela não existisse. E isso não é Cristianismo.

Por exemplo, eu já sendo formado há mais de 20 (vinte) anos, resolvi este semestre voltar a estudar em uma universidade pública e o que vi ali são pessoas totalmente diferentes do meu mundo. Muitas, usando drogas abertamente, com um grande ceticismo, com visuais esquisitíssimos, e muitos até sujos mesmo. E em um primeiro momento, a minha tendência foi achar-me um total ET ali naquele ambiente.

Porém, definitivamente essa não é a postura de um cristão. Eu posso não ver ninguém ali como meu “inimigo”, mas, posso, se não buscar diariamente dar uma nova ressignificação para minhas relações, me colocar em uma bolha, desprezando pessoas, tratando com desdém. Foi exatamente contra esse tipo de comportamento, que Jesus andou com muitos dos excluídos de sua época.

Isso pode também ocorrer no ambiente das próprias igrejas. Ontem mesmo, conversava com um irmão que contava que apesar de não estar “desigrejado”, ele sente tristeza com o estado de sua congregação. Isto porque, segundo ele, muitos ali só confraternizam, riem juntos, etc., quando a coisa vai bem. Ou seja, no momento do famoso “oba-oba”.

Porém, segundo este amigo me contava, naqueles momentos de sofrimento, de ter postura de cristão, honrando seus compromissos, ele me disse que viu muitos dos irmãos sendo totalmente omissos nisso. Ou seja, a INDIFERENÇA tomou conta. É como se fora do ambiente acolhedor da igreja, essas mesmas pessoas se tornassem indiferentes ao irmão que brindam quando estão dentro da igreja.

O que peço a Deus é que dê a todos nós misericórdias, e, como cristãos, tenhamos a coragem e a atitude de amarmos a todos, independentemente de quem seja, pois um dos piores comportamentos humanos é aquele em que a pessoa só busca a outra, quando pode tirar algum proveito dela. Quando não, a descarta.



Procurador da Fazenda/Professor. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil

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