O ministério da rebeldia

Líderes que não aceitam liderança terão problemas em liderar


O ministério da rebeldia

Mas este povo tem coração obstinado e rebelde; eles se afastaram e foram embora. (Jeremias 5:23) A rebeldia é amplamente condenada nas escrituras, por vezes sua consequência é a morte. A rebeldia ocorre, principalmente, com o questionamento ou a insatisfação contra a autoridade constituída, seja ela eclesiástica ou governamental.

Uma das principais consequências de um coração rebelde é a desobediência, mas poucas vezes o rebelde se dá por satisfeito, com isso e começa a inflamar os demais contra a liderança. Um rebelde tem grande poder de persuasão, o caso de Lúcifer que conseguiu arregimentar um terço dos seres celestiais é o melhor exemplo disso.

O rebelde não se detém em seu próprio descontentamento, ele quer causar o maior prejuízo possível, que causar ruptura, divisão, colocar uns contra os outros, depois disso ele se vai, levando consigo um grupo de seguidores, deixando um enorme legado de danos atrás de si.


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Rebeldes sem causa

Cada nova denominação evangélica que surge é resultado de uma visão ou revelação diretamente do Espírito Santo para com determinado “ungido” escolhido desde o ventre. O que na verdade ocorre é que, na maioria das vezes, novas denominações são fruto da rebeldia e outras ambições. Líderes que não se permitem ser liderados, obreiros que se acham altamente capacitados e que estão tendo seu ministério travado por um pastor sem visão.

Desentendimentos, brigas, calúnias e toda sorte de difamação, esta é a tônica do surgimento de tantas e muitas denominações evangélicas que se proliferam a cada dia no Brasil.

Será que a obra de Deus precisa do surgimento de uma nova igreja a cada dia? Qual é a grande revelação que Deus tem para alguns que não cabe dentro de uma comunidade já estabelecida? Por quê o Espírito Santo parece incentivar a divisão do Corpo de Cristo em vez da comunhão? Pois as rupturas causadas pela rebeldia colocam irmão contra irmão, gera inimizade, porfia e dissenção.

A rebeldia é fruto de um coração endurecido ou resultado de uma obstinada ambição. Mesmo que seja por um motivo justificável, como a corrupção ou o pecado da liderança, ao agir com rebeldia, estamos indo contra a causa do Evangelho, ao mutilarmos o Corpo de Cristo. Não existe causa nobre ou válida sendo resultado de ódio, contenda ou divisão, pois tudo isso é rebeldia.

Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca. (Salmos 68:6)

Rebeldia disfarçada em submissão

É um erro acreditar que o rebelde é apenas aquele que se levanta, que divide, que gera contendas. Existem muitos rebeldes na Igreja, que se comprometem com o Pastor e a liderança, mas, falam pelas costas e agem como sabotadores. São adeptos da mentira e tem na fofoca sua arma mais poderosa. Tem o coração duro, são inflexíveis quanto ao aprendizado, pois se acham mais sábios que aqueles que o ensinam.

Uma das características dessa classe de rebeldia é a bajulação, que é usada para disfarçar uma vida pecaminosa e não aflorar a eminente rebelião. O bajulador se mostra sempre disponível, mas porque é dissimulado e usa desse artifício para alcançar seu objetivos, ou seja cargos e posição de destaque no ministério.

Esse rebelde consegue enganar por muito tempo, pois não revela sua verdadeira face, está oculto sob uma máscara de piedade e humildade dissimulada. Age pelo espírito de engano. Quando é detectado, certamente já causou um grande prejuízo à obra de Deus.

Todos eles são os mais rebeldes, andam murmurando; são duros como bronze e ferro; todos eles são corruptores. (Jeremias 6:28)

Discernindo a rebeldia

A rebeldia é uma revolta com motivos injustificáveis, atos de pessoas obstinadas, dispostas a causar o máximo de prejuízo ao ministério, é alguém que deseja posição que não lhe é de direito ou não está ainda apto a ocupá-la.

Nem toda revolta se trata de rebeldia, precisamos distinguir o que é um ato de rebeldia e o que não é, existem situações onde a liderança age com imprudência, o que causa indignação. Mas a indignação não é razão para a rebeldia, devemos agir como Cristo agiria e a Bíblia recomenda ao lidar com o erro e o pecado.

Meus irmãos, se algum entre vós se  desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados (Tiago 5:19-20)

Mas, em situações extremas, a Palavra de Deus é categórica: Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes; Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado. Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão. (2 Tessalonicenses 3:6,14-15)

Quando a rebeldia atinge seu ápice e já não há mais caminho para a exortação, devemos primar pelos princípios que regem a nossa fé, ainda que seja doloroso, não devemos compactuar ou acobertar a rebeldia: Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos. (Romanos 16:17-18)

Aos vocacionados para o ministério

Cabe àqueles a quem Deus chamou e escolheu entender a máxima bíblica de que há um tempo determinado para todas as coisas. Ter  sido chamado não significa estar preparado, ter uma vocação não exclui a necessidade de capacitação. Moisés foi educado nos costumes egípcios para que décadas depois usasse este conhecimento para confrontar a Faraó e libertar o povo. José foi forjado em meio a traições e prisões para salvar o povo da catástrofe e da fome. Davi lutou muitas batalhas, mesmo tendo já recebido a unção como rei, para muito depois assumir o trono.

Umas das causas da rebeldia é a obstinação, que leva à precipitação. Aquele que não sabe esperar, talvez jamais tenha maturidade para exercer com sabedoria o dom que recebeu. Pois o dom em si é maravilhoso, mas se mal conduzido pode causar mal em vez de benção.

Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. (Atos 6:3)

Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? ); Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo. Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância; Guardando o mistério da fé numa consciência puraE também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis. (1 Timóteo 3:2-10)

Conclusão

A rebeldia é real e intrínseca no meio evangélico, mas mesmo um ministério que seja fruto de uma atitude de rebeldia pode frutificar ante ao arrependimento e o reconhecimento do ato. Aquele que reconhece seu erro e se arrepende, receberá o perdão de Deus e dos servos de Deus.

Devemos nos lembrar que um reino dividido não prospera e que a Igreja é o Corpo de Cristo, um corpo mutilado não tem proveito algum. O corpo só funciona plenamente com todas as faculdades de seus membros em plena harmonia. Não consigo ver o corpo de Cristo deficiente, manco, coxo ou cego, pois, de fato o Corpo de Cristo é perfeito. Se somos motivo de divisão, rebeldia, dissenções ou porfias, estamos desligados do corpo, não fazemos parte dele.

Que a preciosa Graça nos alcance em abundante misericórdia!



Adenilton Turquete

Adenilton Turquete

Um cristão por paixão, fé e vocação.


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