O pecado imperdoável

“Se o nosso coração nos acusar, certamente, Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas” (1 Jo 3.20)


O pecado imperdoável

Anos passados, durante os meus primeiros passos na vida cristã, fui assaltado por uma dúvida cruciante: “Será que pequei contra o Espírito Santo?!”. Esta interrogação aterrorizante foi consumindo minha alegria de viver, de servir a Deus, de me imaginar no Céu com a Igreja de Cristo. Cheguei a pensar que jamais poderia ser salvo e morar eternamente com Deus.

Creio que muitos crentes estão vivendo nessa masmorra satânica (Ap 12.10) da qual experimentei. Não tenho a mínima dúvida de que o Diabo está por trás dessa opressão. Porém, além das investidas do Inimigo, não posso me esquecer de que existe um sem-número de cristãos que, por variadas circunstâncias, não procuram compreender mais a fundo as Escrituras Sagradas.

Lembro-me dos dias em que chorei, angustiado por pensar que havia perdido a salvação. Foram dias longos e terríveis. Mas, apesar de estar entrelaçado por pensamentos apavorantes, o Senhor, por Sua infinita graça, permitiu-me entender o assunto e confortou o meu amedrontado coração.

Mas o que vem a ser o pecado imperdoável? Em Marcos 3.29, Jesus afirma: “aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno”. A palavra blasfêmia define-se pela deliberada decisão em afrontar Deus, bem como tudo o que Ele faz.

Para sabermos se cometemos o pecado imperdoável, precisamos atentar para a missão precípua do Espírito: “Quando ele [Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8, grifo nosso). Observamos neste versículo que o Espírito é responsável por convencer as pessoas acerca “do pecado, da justiça e do juízo”.

O Espírito é que nos convence de nossa natureza pecaminosa, convertendo-nos a Cristo. Todavia, se nós dermos as costas a Ele, quem poderá convencer-nos? Para aclarar ainda mais a nova compreensão, leiamos Hebreus 6.4-8:

É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia. Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada.

Os religiosos contemporâneos de Jesus sabiam que Ele operava milagres por meio do Espírito Santo (Lc 11.20), todavia, conscientemente, afirmavam que o Senhor expulsava demônios por “Belzebu”, isto é, por intermédio do Diabo (Lc 11.14, 15). Esta afirmação realça bem a blasfêmia contra o Espírito Santo.

Por essas palavras, entendemos que a blasfêmia contra o Espírito Santo não é apenas uma palavra dita contra Ele, mas a disposição de um coração que o rejeita deliberadamente. Em outras palavras, de uma mente que, mesmo sabendo quem é o Espírito, despreza-o com todas as suas forças.

Portanto, caso você pense que pecou contra o Espírito, só o fato de você estar preocupado (a) é uma prova consistente de que não cometeu o pecado imperdoável:

E nisto conhecemos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranquilizaremos o nosso coração; pois, se o nosso coração nos acusar, certamente, Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas. Amados, se o nosso coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus (1 João 3.19-21, grifo nosso).



João Paulo Souza

João Paulo Souza

32 anos, casado com Marcela Souza, assembleiano, pedagogo e pós-graduado em Coordenação Pedagógica.


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