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Um rei diferente

O domingo antes da Pascoa é chamado de Domingo de Ramos em referencia a chegada de Jesus em Jerusalém. As multidões quebravam ramos de palmeiras e as lançavam, em reverencia e adoração, pelo caminho por onde Jesus passava. A questão é que a mesma multidão que recebeu Jesus, em Jerusalém, dizendo: “Hosana” o condenou ao dizer: […]


O domingo antes da Pascoa é chamado de Domingo de Ramos em referencia a chegada de Jesus em Jerusalém. As multidões quebravam ramos de palmeiras e as lançavam, em reverencia e adoração, pelo caminho por onde Jesus passava. A questão é que a mesma multidão que recebeu Jesus, em Jerusalém, dizendo: “Hosana” o condenou ao dizer: “Crucifica” dias depois.

Nos parece que essa prática não mudou muito até hoje, pois várias são as multidões de nosso tempo que recebem Jesus de forma triunfante, mas que logo o abandona ou zombam de seu nome. O que leva as pessoas uma hora se comportarem como adoradores e em outras como condenadores?

Devemos conhecer os motivos que levam as pessoas a agirem assim, se não queremos ser súditos infiéis ao rei Jesus Cristo. Mas que motivos foram esses? Na passagem de Mateus 21.1-11 encontramos três razões.

Jesus é o Rei dos reis

No capítulo 21, observamos Jesus se preparando para entrar em Jerusalém e nos três primeiros versos uma ordem um pouco inusitada. Jesus pede para os discípulos irem a um povoado, desamarrarem duas jumentas e as levarem até ele.

O curioso é que nessa ordem Jesus não diz para que eles peçam permissão ao proprietário dos animais. Por que então agiu assim? Ainda que Jesus tenha previamente combinado o empréstimo da jumenta essa não é uma atitude politicamente correta, certo?

Aparentemente não, mas Jesus ao dizer para os discípulos irem até o povoado em nome do “Senhor” (kurios) deixou claro que possui direito de propriedade absoluta sobre o seu povo e sobre todo o universo.

Jesus foi tratado como Senhor por mais de 30 vezes no Novo Testamento o que automaticamente revela a posição daqueles que o seguem. Ou seja, aqueles que confessam o senhorio de Cristo devem obedecê-lo em tudo como escravos.

Claro que devido aos estigmas ligados à escravidão os cristão não gostam de ser tratados com este título. Algumas traduções até utilizam a palavra “servo” ao invés de “escravo” a fim de minimizar a carga negativa deixada pelo sistema injusto e opressor da escravidão.

A questão é que isso cria um problema teológico. Um escravo, por exemplo, não possui a liberdade de escolher o seu patrão como também não pode deixá-lo quando bem entender. Já o servo trabalha de forma livre e quando não está satisfeito procura o novo senhor.

Esse foi o primeiro motivo pelo qual a multidão abandonou a Cristo, pois quando ele entrou em Jerusalém tinha muitos servos prontos para o servi-lo já que queriam ter as suas necessidades satisfeitas, mas assim que as coisas não os agradava mais o deixaram.

Essa confusão entre servo e escravo é claramente perceptível até hoje em nossas igrejas, pois enquanto os escravos de Cristo possuem a opção única de fazer a vontade de seu Senhor, os servos, por outro lado, assim que se sentem insatisfeitos abandonam tudo a fim de encontrar aquilo que os deixem satisfeitos. Não é a toa que uma infinidade de igrejas investem pesado em programações que visem atrair, por meio da transferência, pessoas insatisfeitas.

Você é um escravo ou servo? O que busca quando está reunido com a sua igreja, satisfazer o seu Senhor ou ser satisfeito?

Jesus é o rei da paz

Jesus foi um rei diferente. No seu nascimento ao invés de ter vindo ao mundo rodeados de servos em um palácio, nasceu em uma manjedoura cercado por animais. Em sua entrada em Jerusalém ao invés de utilizar um cavalo ou caruagens foi montado em um jumento. Por que ele inverteu os valores pre estabelecidos dessa forma?

A razão é bem simples ele deveria cumprir a profecia de Zacarias 9.9 que profetizava a entrada do um rei manso.

Ser pobre, humilde ou pacificador não quer dizer que Jesus fosse uma pessoa com um temperamento que designava a passividade como que domesticado, pelo contrário, em Zacarias 9.10, o rei destruiria as armas de guerra. Jesus veio trazer a paz a esse mundo lutando contra os padrões desse mundo. Ele não se submeteu às ordens que contrariam a Deus.

Cristo veio a esse mundo para nos ajudar a lutar contra o pecado do lado de Deus. A ideia bíblica de paz então é a reconciliação e não falta de guerra.

Essa foi o segundo motivo pelo qual a multidão abandonou a Cristo, pois quando Jesus expulsou do templo os comerciante tirou deles a paz que sentia nesse mundo.

Certa vez um rei encomendou a dois famosos pintores um quadro cuja temática fosse a paz. No tempo marcado, eles trouxeram suas pinturas. O primeiro retratava um lago sereno, um céu azul e com nuvens brancas como algodão. Todos os que viram este quadro acharam que ele era um perfeito retrato da paz. O outro quadro tinha montanhas, um céu que derramava chuva e relâmpagos e da encosta da montanha caía uma cachoeira espumante.

O rei, experimentado nas artes, olhou com vagar e viu ao lado da cachoeira um pequeno ninho numa fenda da rocha. Mamãe pássaro e seu filhote repousando em segurança. O rei escolheu a segunda. Sabe por que? Porque paz não significa estar num lugar onde não há problemas, mas um estado de espírito.

O crente vive tranquilo, pois mesmo no vale da sobra da morte tem a certeza de que Deus está com ele. Que tipo de paz você tem buscado, uma moldada ao padrões desse mundo ou a de Deus?

Jesus é o rei salvador

Em Mateus capítulo 20, verso 17-19 o autor destaca o quarto anuncio de Cristo sobre o futuro sofrimento e morte que enfrentaria em Jerusalém pelos líderes judeus, mestres da lei e os chefes dos sacerdotes. Mas ainda assim a multidão esperava que Jesus em breve se revelasse ser o tão esperado messias político, poderoso e conquistador. Por pensarem assim que todos gritavam: “Hosana ao Filho de Davi!”.

Esse título era utilizado pelos judeus para falar sobre o Messias, um rei terreno que reinaria como fizera antes Davi. A multidão clamava por uma libertação do domínio romano e não a salvação que Jesus estava se preparando para oferecer. Além disso observamos no verso 11 que muitos ali nem sabiam que Jesus era o salvador.

Quando Jesus foi preso a multidão perdeu a esperança nesse “messias político” por acharem que ele era um falso messias. Esse foi o terceiro motivo pelo qual a multidão abandonou a Cristo.

Isso me lembra a história de um mineiro de carvão que se converteu, mas seus não acreditaram na conversão dele e por isso foram testá-lo: “Ò Carlos, você acredita que Jesus virou água em vinho naquela festa?” perguntaram. Carlos respondeu: “Não sei se Jesus realmente virou água em vinho naquela casa. Mas, eu vi ele tornar um homem violento, revoltado, e vingativo em um outro homem”.

Há pessoas violentas, corruptas, entregues a todo tipo de paixão e vício. Jesus as mudou. Elas acreditam em milagres? Elas acreditam em transformação? Acreditam sim! Porque elas viram milagres nas suas próprias vidas.

Você acredita em milagres? Muitos ao invés de esperarem em Jesus uma libertação espiritual, buscam a libertação dos problemas materiais, mas quando não conseguem o que desejam perdem a fé em Cristo. Em que você tem fé?

Conclusão

Muitos ainda não entenderam que Jesus Cristo é um rei, porém um rei diferente dos padrões deste mundo. No verso 10 as pessoas perguntavam: “Quem é este?”. Como você tem respondido à essa pergunta? Tem respondido de forma egoísta? De forma confusa como fez a multidão? Ou como Pedro que disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”? Espero que você reflita bem antes de responder a essa pergunta, pois dessa resposta depende a sua eternidade.



Alessandro Miranda Brito, casado, 33 anos de idade, bacharel em Teologia, plantador de igrejas da Co-Mission Church Planting Network.


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