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O que significa Urim e Tumim e como eram usados na Bíblia?

O que não podemos tolerar é a tentativa de judaização do cristianismo (prática comum em algumas igrejas evangélicas brasileiras), com resgate de elementos próprios do culto e da religião judaica.


O que significa Urim e Tumim e como eram usados na Bíblia?

Às roupas que Deus havia ordenado que se confeccionasse para o sumo sacerdote (Ex 28.30; Lv 8.8), estavam ligados os dois objetos chamados de Urim e Tumim (presume-se que eram duas pedras, embora alguns acreditem que fosse um único objeto). Há muita obscuridade sobre o que eram exatamente e como eram utilizados, e infelizmente – ou felizmente – a Bíblia não responde a todas as nossas curiosidades. Mas eis algumas informações que nos é possível saber:

Significado dos nomes

Uma opinião corrente é a de que Urim e Tumim signifiquem luzes e perfeições. No hebraico, ambas as palavras estão no plural, pois geralmente “im” é um sufixo em hebraico para formar plural (como em “Elohim”, plural de El – Deus).

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Quase sempre em todas as referências bíblicas, as palavras Urim e Tumim ocorrem juntas, mas em Nm 27.21 e em 1Sm 28.6, se menciona apenas o Urim, razão porque alguns deduzem tratar-se na verdade de um único objeto com dois nomes.

Propósito do Urim e Tumim

O Urim e o Tumim eram o meio de apelar, pela sorte, para a vontade ou conhecimento de Deus quando havia duas alternativas cuja decisão fosse difícil para o homem discernir naturalmente. Ninguém sabe com certeza como eram usados e de que modo o Urim e o Tumim davam resposta ao sumo-sacerdote sobre a questão proposta, o que acaba cercando essa questão de muitas especulações, como algumas elencadas por Russel N. Champlin em sua Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia:

  1. Flávio Josefo, historiador judeu do primeiro século, identificou os objetos com os quartzos do ombro do efode do sacerdote. Presumivelmente, essas pedras mudavam de cor ou de brilho, significando, quando brilhavam, “sim” ou “faça”, e, quando ficavam escuras, “não” ou “não faça”
  2. Nas dobras da veste do sumo sacerdote uma pedra ou placa de ouro era colocada e manipulada em alguma forma de divinação, ou empregada para induzir um transe na qual a mente do sumo sacerdote era inspirada a dar respostas a problemas difíceis.
  3. Há até quem pense que se tratavam de três, não duas, pedras. Numa estaria escrito “sim”, em outra “não” e na terceira nada havia escrito – esta última significaria então um desejo da divindade de não revelar ou dar resposta à questão.
  4. Eram duas pedras, uma branca e outra preta, que quando retiradas da veste do sacerdote indicavam “sim” (branca” e “não” (preta).

Seu uso no Novo Testamento e hoje

Com o exílio babilônico, o uso do Urim e Tumim tornou-se muito raro. Nos dias de Jesus e dos apóstolos já não se ouve mais falar destes objetos, pelo que se presume que seu uso tinha se tornado obsoleto, embora mesmo entre os cristãos ainda se ouça falar do “lançar de sortes” (At 1.26). Todavia, neste caso, não se deve pensar que se tratava do Urim e Tumim, pois seu uso era restrito aos sacerdotes. Em nenhum momento os cristãos recorrem ao uso daqueles objetos sagrados.

Em sua carta aos Efésios, Paulo orienta: “…procurem compreender qual é a vontade do Senhor” (Ef 5.17, NVI). A Igreja dispõe de muitos recursos ordinários e extraordinários para descobrir a vontade de Deus, que não seja o lançar de sortes. Temos a Palavra escrita, nossa regra de fé e prática, temos o bom senso (constituído do conhecimento e das experiências acumuladas ao longo de nossa vida) e temos também revelações especiais concedidas pelo Espírito Santo para algum direcionamento específico cuja decisão seja difícil de ser tomada no intelecto humano.

O que apenas não podemos tolerar é a tentativa de judaização do cristianismo (prática comum em algumas igrejas evangélicas brasileiras), com resgate de elementos próprios do culto e da religião judaica. Pela oração e na Palavra, busquemos do Espírito Santo o auxílio para nos guiar “em toda a verdade” (Jo 16.13; Rm 8.14).



Presbítero da Assembleia de Deus em Campina Grande-PB. Coordenador de Escola Bíblica Dominical. Autor do livro A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira.

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