O Senhor do Templo

"Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt. 18:20).


O Senhor do Templo

TALVEZ você já tenha ouvido falar de “desigrejamento”, que é um termo cristão recorrente nestes dias, sobretudo por falta de conhecimento dos dois lados da moeda, tanto do lado da igreja-prédio, quanto do lado da pessoa-igreja. Os dois lados se debatem, buscando razão por conta do tema que é muito importante para os cristãos desde o Século IV, em Jerusalém. Os cristãos que sucederam aos atos dos apóstolos não tinham templos, nem preocupação com essa ordenança. Mas, afinal de contas o que é “igrejar?”, se é que existe este verbo. E se ele existe, logo apontaríamos o conceito novo de “desigrejar” de um templo cristão. Mas, quanto ao templo cristão teria sido ordenado por Jesus?

De acordo com o latim, igrejar é igual a reunir. Neste sentido, constrói-se um conceito então de desigrejar ou desunir, afinal sozinho não existe reunião. Acontece que a tradição confundiu a cabeça das pessoas, e estas entendem equivocadamente que igreja significa ir para dentro de um prédio defender a bandeira de uma denominação ou ideologia partidária, com cargos e um monte de tarefas religiosas, além de várias ambições, sendo o “altar desabilitado”, a principal delas. O microfone tem sido o maior motivo de desigrejamento (divisão) dentro das igrejas.  O desigrejamento estaria acontecendo dentro do templo cristão? Pessoas perdidas e desigrejadas dentro da igreja. Uma correria atrás do vento sem precedentes. Cada qual no seu quadrado, sem fazer a vontade de Cristo. Daí, surge uma nova reflexão, citada por Paulo à igreja de Deus que estava em Corinto: Acaso Cristo está divido?

Os debates tem sido copiosamente destacados em sites, redes sociais, reuniões de amigos, etc. A maioria tem argumentos bem consolidados por suas doutrinas tradicionalmente seculares, outros repelem com argumentos copiados de velhos sermões, e outros cristãos trazem os seus conceitos filosóficos ou morais do movimento livre e alternativo do evangelho desta geração.


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Os interesses religiosos são os mais diversos e decorrem dos ensinamentos do Mestre Jesus, e dos ensinamentos apostólicos a partir de Atos. Infelizmente também decorrem da teologia da sucessão apostólica, criada pelo Império Romano no início Idade Média, talvez por interesses políticos, na tentativa de reconquistar os tão subjugados judeus, sem o Santo Templo de Salomão, talvez por cultura dominante mesmo, e talvez por vontade de acertar, ao cometerem muitos erros teológicos. A igreja de Atos, logo em sua implantação, por costume judaico, apesar de haver vários estrangeiros na formação da igreja, desde João Batista, ainda se reuniam e cultivaram a fé sobre a ressureição, que é a parte mais importante da mensagem do reino de Deus. Após a morte de Estevão, a igreja foi perseguida, e os cristãos em Jerusalém, exceto os apóstolos, foram dispersos, e ainda que sem prédios ou o Templo deixado para trás, estes semeavam a verdade, desmistificando naturalmente a tradição de dentro do Templo. Um destes novos cristãos foi Filipe, o qual havia fugido para Samaria, onde, sem tijolos e cimento conquistava a fé dos samaritanos. Logo, Pedro e João se uniram a Filipe naquela cidade.

Mais arrebatador ainda, é quando estudamos sobre o discurso de Estevão perante o Sinédrio em Atos 5:

“E Salomão lhe edificou casa;

48  Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: 49  O céu é o meu trono,e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor,Ou qual é o lugar do meu repouso? Importante! Estevão, o homem que viu a Jesus de braços abertos, enquanto falava aos religiosos, foi considerado um blasfemo). E, Paulo, foi tachado de “tagarela” pelos gregos, quando repetiu a mesma frase em seu discurso em Atos 17:24. Pregar a Verdade para um mundo de religiosos não é mesmo nada fácil!

Sobre os prédios, aliás, bom lembrar que Salomão valorizou tanto aos seus palácios (não o Templo ordenado, mas os seus palácios), que se arrependeu no fim da vida, afirmando que foi apenas correria atrás do vento. Distrações. Reflita um pouco: Qual o sentido da correria de sua vida?

Ter um prédio ou não ter um prédio? Jesus não construiu um templo para pastorear ovelhas lá, apesar de que ele tenha vindo do céu, como dizem as Escrituras!  Paulo não tinha um prédio, e seu pastor e autoridade espiritual eram Jesus e o Espírito Santo. Os apóstolos fundaram igrejas, estas se espalharam nos primeiros séculos, inclusive através de pessoas anônimas, nem citadas nos evangelhos ou livro de atos, mas não se fala de preocupação com templos e prédios até ali. Jesus não ordenou construir templos cristãos, mas seria óbvio se reunir em algum lugar para se dedicar às orações e organização da comunidade, porém, sem a necessidade de continuar consuzindo os costumes judaicos em Templo. A Era da Nova Aliança havia chegado. Observemos parte do trabalho deles:

“E havia entre eles alguns homens chíprios e cirenenses, os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor.  E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração; Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.

E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia.  E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia.  E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César. E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia. (Atos 11:20-30)

A IGREJA já funcionava mesmo sem a ênfase em templos. Os cristãos não tinham templos. O único Templo que Deus ordenou construir foi em Jerusalém, uma ordenança para o povo judeu (I Reis 6-7; 2 Cr 3-4). Era um modelo do Tabernáculo no deserto! Tudo no seu lugar, havia o altar de ouro para o incenso, a mesa para os pães, os dez candelabros e os utensílios para as cerimônias de sacrifício, a Arca da Aliança, etc… tudo ordenado para o povo judeu, num modelo de reino para o Velho Testamento. Havia leis estabelecidas por Deus para ter acesso à sala dos Santo dos Santos. Nas perseguições dominantes de impérios, este prédio foi destruído pelos imperadores de outras crenças. O Templo, ou parte dele, a parte que dava para o Pórtico de Salomão, ainda serviu de lugar de oração, curas e milagres pelo poder do Espírito Santo, para a primeira comunidade cristão de Atos 2, até o momento em que esta comunidade foi expulsa pelo Sinédrio Judeu, que era um conselho de autoridades e mestres da Lei, os quais os apóstolos não podiam considerar, tal era o desvio da profecia que os membros do Sinédrio praticaram ao tamparem ouvidos e olhos para o Messias, revelado a Davi e anunciado por João Batista. Assim, os apóstolos tiveram que romper relações de fé. Definitivamente, tradição e reino, não podiam caminhar juntas. Nem tudo é autoridade espiritual! Ao serem proibidos de falar sobre a mensagem da Cruz e da Ressurreição, foi aí, que Pero disse: “mais vale obedecer a Deus do que a este Sinédrio”. (Atos 4:20 e 5:29). O mestre Gamaliel, o professor do fariseu Sualo, citou que a obra dos apóstolos não poderia ser destruída como fora o Templo antes. Seria impossível lutar contra Deus! Ele se referia a uma fé, e não a um templo ou um prédio. (Atos 5:39).

Sobre o Templo, este prédio será reconstruído para o seu devido tempo, no Governo Milenar de Yeshua. Ele é o Senhor do Templo assim na terra como no céu! Sendo que o Templo não é para este tempo. Nabucodonosor foi um destes loucos em 587 a.C.

Após o cativeiro, muitos judeus que retornaram da Babilônia, com a permissão do novo império, o Persa,  Ciro (dizem os historiadores, que foi o mais generoso para os judeus), construíram uma versão nova do Templo, que persistiu por mais 500 anos (Esdras 3:2), até ser destruída pelos e gananciosos  romanos, um outro império, governado por Vespasiano e seu filho, o general Tito, sublimou os judeus, e o segundo templo vem a bancarrota, desta vez por fogo. A glória dos judeus é vencida pelo incêndio, depois de muita resistência e heroísmo de alguns guerreiros israelitas, no ano 70 de nossa era.

Quase 300 anos depois, os judeus voltam a ter livre acesso à cidade santa, porém, descaracterizada pelos pagãos romanos. Não havia mais o Santo Templo, as sinagogas foram forçadas a surgir, mas já se misturavam com os pomposos templos pagãos dos romanos para os judeus e cristãos, sobretudo os cristãos a se reunirem num lugar da forma como os judeus o faziam no Santo Lugar. E, isso, com a  licença de Constantino, o novo rei de Roma. Era o catolicismo (religião considerada pela força a religião universal por Constantino, mas não por Deus) que estava chegando em Jerusalém. A Igreja do Santo Sepulcro é um desses lugares. A política de Roma avança! De bispado, Jerusalém passa a ser considerada um patriarcado. Herodes, voltou a reconstruir o Templo em 19 d.C., o que fora concluído em 64 d.C,  mas, os motivos das crenças, costumes e poder, nunca deixarão o Velho Templo em paz, o general Tito, o destruiu no ano 70 d.C., apenas 06 anos após a sua reconstrução.

ERA um governo não estabelecido pelos apóstolos, mas que Roma achou que sim, criando uma tal de teologia da sucessão apostólica, o que hoje os evangélicos, mesmo após a reforma protestante, praticam como autoridade espiritual humana (o que nunca existiu para a igreja de Atos). Autoridade Espiritual de Atos sempre foi diretamente o Pai, Filho e o Espírito Santo, sem interveniência ou representação humana alguma. Os apóstolos não tinham templos, mesmo assim não eram desigrejados, pois eles eram a igreja que se repartiu em várias células inundando os povoados, reinos e nações. Não dependiam do Templo, nem fizeram as mesmas guerras de Matatias, de Macabeu e de Bar Kobach contra Roma. Eles sabiam que a partir de agora, eles passaram a ser o próprio templo do Espírito Santo, portanto, ainda que judeus, não dependiam mais de sinagogas judaicas, nem templos romanos para se tornarem uma igreja seguidora de Cristo.

O que foi para os judeus ficou para trás. Sem brigar com ninguém, mas habilitados pelo céu, os apóstolos partiram seguindo os ensinamentos do Mestre Jesus, o Reino de Deus que agora estava entre eles, e depois dentro deles, valia mais que algumas toneladas de argamassa. A igreja, nascida, chamada pelos romanos de cristã, tinha uma nova missão, que já não dependia mais do velho e formoso Templo com a Arca da Aliança e os demais rituais, altar, sacerdotes e levitas dentro dele.  O Senhor do Templo havia plantado a nova versão do reino Dele. Era a Nova Aliança chegando! Mas, durante a tribulação este Templo será reconstruído através do tempo, sob os olhos do Senhor, segundo tudo o que está planejado por Ele eternamente. Será a quarta e última vez (Dn. 9:27 e Dn. 12:11).

Contudo, apesar da igreja não representar a nação de Israel com todas as suas ordenanças divinas e costumes a.C, nesta era em que vive a igreja, ainda que com outra missão, que é anunciar aos povos a glória de Deus, e a salvação através de Jesus (e isso sem precisar do Templo), o velho Templo judaico, em Jerusalém, este não poderá ser desprezado pelos cristãos.  Nesse momento os judeus lamentam sobre os seus muros, mas no fim aquela nação, juntamente com os todos os salvos, nos alegraremos com aquilo que em toda vida eles sonharam.

O Templo em Jerusalém (o prédio) que ainda atrai guerra santa no Oriente Médio será honrado e conhecido de todas as nações no tempo certo, lá em Jerusalém, sob os olhos dos cristãos que surgirão dos judeus e seus vizinhos naquele tempo futuro, na grande maioria o povo remanescente judeu, os 144 mil do apocalipse.

Como a narrativa bíblica demonstra e a história ratifica, o Templo, seus rituais levíticos e sacerdotais foram ordenados por Deus aos judeus, dando continuidade à peregrinação hebreia desde Moisés pelo deserto. Mas, para os cristãos não houve ordenança de Jesus para construírem templos, nem os apóstolos deixaram esse recado. Mas, aí surge um argumento muito rápido: Mas, Paulo orientou congregar (Hb 13:25, pode ter sido Paulo o autor). E Lucas narra em Atos 11 que Barnabé e Paulo se reuniam todos os anos na igreja “em” Antioquia…. Se continuarmos lendo, a preocupação de Paulo não estava só na cidade de Antioquia. Dali mesmo ele estava planejando socorrer a igreja na Judéia (vs. 27).  Congregar para Paulo era estar num mesmo espírito e não necessariamente num mesmo prédio, da forma como ele aprendeu com Jesus. E, isso não é uma opinião, é um fato da narrativa bíblica. Acontece que o nosso sistema capitalista e ocidental contaminou a mente dos cristãos romanos com o apego obstinado às coisas, aos bens e aos domínios territoriais.

ESSE conceito dominante chegou no Brasil através de Portugal, onde a igreja cristã já havia sido romanizada. Neste sentido imperialista e capitalista, o prédio se torna muito mais importante para os cristãos romanos do que o Templo para os judeus, os quais desejavam apenas adorar a Deus em paz, sem necessidade de dinheiro. Afinal, os dízimos não eram em dinheiro, e, sim em mantimentos (Mal. 3:10) como a hortelã, o endro e o cominho (Mt. 23:23). O Vaticano tenta até hoje substituir a Nação Santa de Israel, copiando-a em ritos, as igrejas evangélicas também, porém, somente dentro daquilo da Lei Mosaica lhes sejam as mais “convenientes”.

Não se pode “tomar” à força o Plano de Deus para o seu reino, através de teologias usurpadoras como a “teologia da sucessão apostólica”, onde o papa (ou o apóstolo da igreja evangélica) não precisam ter autoridade espiritual sobre eles, e, somente os seus “fiéis” tem essa obrigação, como se os líderes, por serem famosos tivessem essa “exclusividade” de serem autoridades espirituais no lugar do Espírito Santo. Líderes, conselheiros, guias e modelos de fé como em Hebreus 13, tudo bem, mas “autoridade espiritual” no lugar do Espírito Santo, nunca! (Ler Pedro 5:3). Todos, sem distinção após o novo nascimento tem livre acesso ao Pai, sem necessidade de mediadores. Apesar de que os cristãos mais jovens foram alertados pelo escritor de Hebreus (talvez Paulo) a serem obedientes e submissos aos presbíteros = conselheiros, pastores de idade e fé mais amadurecida para aquela época, quando o costume era repassar e confiar o conhecimento de pais para filhos de geração em geração (Hb. 13). Os presbíteros eram os mais experientes, os pais eram amadurecidos, e os filhos precisam de ajuda pastoral para amadurecer. Não tem nada de místico nisso. A autoridade espiritual continua sendo o nome de Jesus e o consolo do Espírito Santo para todos os cristãos de igual modo, idade, cor, sexo ou raça ou cor. O acesso a Deus é irrestrito é de El Shaday que pode vir a única cobertura para todos os cristãos, e não de um sistema político comum aos interesses da terra. O líder deve estar aprovado e alinhado com o céu para ganhar a confiança dos mais jovens como o Pr. Timóteo, um exceção para aquele tempo dada à maturidade e vocação que Paulo havia notado no jovem, apesar de sua idade.

Às vezes, mesmo dentro de um único prédio, de forma involuntária, seguindo o curso do capitalismo e do humanismo, os cristãos são motivados por seus líderes a se dividirem por tribos ou células, disputando inocentemente ‘coisas’ entre sí. Porém, sobre contendas e divisões, Paulo não admoestava apenas aos irmãos de um único prédio. Ele alertava à igreja do Senhor em todos os lugares. Por favor entenda que ao defender uma denominação em detrimento de outra, isso sim é “desigrejar” (desunir). Muitas vezes, os cristãos estão sem congregar, mesmo dentro de um prédio. Senão Vejamos quando o Apóstolo admoestou à igreja em Corinto:

À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso (…)  Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer. 11  Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. 12  Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. 13  Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?

Na verdade, na verdade, igreja é quando os cristãos se reúnem em nome de Jesus, e não em nome de outras coisas! Não importa o número de pessoas, nem a necessidade ou o tamanho do prédio.

Na Velha Aliança haviam doze tribos, com o Tabernáculo, leis espirituais sobre o avanço territorial e rituais pacíficos a serem seguidos. Para o povo hebreu era necessário preservar a pureza em relação aos pagãos. Não havia a missão de chamar outros povos para um reino eterno. Estamos vivendo em uma Nova Aliança, o Sumo Sacerdote Jesus, nos deixou o Espírito Santo como guia espiritual e consolador. A nossa missão como igreja é diferente da missão dos judeus como congregação. Ele é o Senhor dos tempos e dos templos. Jesus, não disse a Pedro que ele seria a autoridade papal, outro engano. Nem disse à João que ele seria o chefe. Os discípulos até questionavam ao Mestre, quem era o maior dentre nós? “Quem pode ser o papa”, a autoridade a espiritual, quem? Quem? A resposta foi frustrante. Jesus não disse a Paulo que ele seria uma autoridade espiritual. Ele disse a todos igualmente que a autoridade espiritual está no nome Dele (Mc. 16:15) e Ele nos deixaria o Espírito Santo. E, assim seguiram os apóstolos, sem heresias.

I Pedro 5: 1-3: aos presbíteros (os conselheiros), que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:

2  Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; 3  Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. (Isso é diferente de tentar ser o Espírito Santo).

E, QUANTO ao cristão imaturo, depender mais do líder do que do próprio Cristo, de Sua promessa, e do Espírito Santo, para todas as decisões da vida, é, sem dúvida, falta de fé, falta de paternidade, falta de leitura e meditação na Palavra, falta de discernimento espiritual, e de amadurecimento, e carência emocional que só o Espírito poderá preencher! Você tem livre acesso ao Pai! Não precisa de papa. Mas, siga o pastor líder em sua fé e exemplo, buscando orientações maduras e respaldadas na Bíblia, conforme Hb. 13. É necessário submerter-se ao guia (orientador, o pastor) obedecê-los, desde que esses guias tenham fundamento em I Pedro 5. Você é um adulto agora! Acabou o tempo de leitinho. Heresias e tradições desabilitadas por Jesus não são dignas de submissão. Por exemplo: você, cristão, seria submisso a um pastor suicida como os kamikaze de ontem ou ‘homem-bomba’ de hoje, mesmo que a sua igreja fosse famosa?

Lembre-se: alguns guias da fé como os apóstolos da Bíblia já se foram. Não é mais necessário venerá-los em cemitérios. Aliás, nunca foi. Ele nunca pediram isso de você! Porém, estes guias deveriam e ainda devem ser “imitados” de olhos vendados. Acontece que para os muitos “guias” de hoje, devemos manter os nossos olhos bem abertos! Nem todos são modelos de fé aos quais os cristãos devem ser submissos. Autoridade e arbitrariedade não caminham juntos, assim como os apóstolos da Bíblia não puderam caminhar com a tradição e a autoridade judaica, o Sinédrio. Tradição e Reino de Cristo não combinam. Veja bem:  Liderança é liderança, Jesus é Jesus, o Espírito Santo é o Espírito Santo. Certamente que os apóstolos da Bíblia não se tornaram arrogantes ao não seguirem a tradição do Sinédrio (Atos 6 e 7). A arrogância seria manter-se cegamente no poder da tradição em detrimento da humildade do Reino de Deus puro e simples, através de Jesus. Deus não divide a glória Dele com ninguém, ninguém mesmo!

“Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura. (Is. 42:8)

REINO de Deus não é o amor a um templo e às mesmas pessoas de sempre lá de dentro. Na cultura do céu, os apóstolos congregavam aonde estivessem passando, com cristãos diferentes, formando discípulos. Reino de Deus é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo! Não somente e repetidamente aquele próximo de todo domingo que o pastor manda “tocar no ombro dele”. O próximo que Jesus falou, talvez a igreja ainda nunca tenha chegado perto dele.

Contudo, de fato, não é proibido reunir os cristãos em um lugar confortável, sendo que os demais rituais já se foram. Reunir para se fortalecer, orar e ceiar é uma prática repassada de Jesus para os apóstolos. É necessário viver em coletividade. Isso eles exerciam tanto dentro de uma casa quanto fora dali. Para eles, esse tal motivo de fortes intrigas e disputas filosóficas entre os cristãos modernos, era um ponto pacífico e irrelevante, apesar de que Jesus poderia pastorear no Velho Templo, por ser ele judeu, o Messias, e Sumo Sacerdote chegado do céu, ele não o “exigiu”, nem usurpou para si aquele prédio para o fim de seu propósito, porque aquelas coisas lá dentro, assim como o isolamento e o desprezo pelo próximo, já estavam sendo desabilitadas pelo Ato da Cruz, a qual foi ignorada pelos religiosos (Ler Lc. 4:16-30 e Isaías 61). A igreja que não sente a dor do próximo não é um corpo!

Reflita: Jesus não seria ignorado pelos cristãos dos templos de hoje? Ele mudaria tudo? Os crentes deixariam Ele entrar?

O Senhor da igreja, o Cabeça do corpo, despedia temporariamente o exercício do Templo da Velha Aliança. Era uma reforma do reino. Nascia ali, naquele tempo, a igreja do Senhor do Templo. Para os judeus o templo não é uma igreja; para os cristãos igreja é um templo ou um prédio com pessoas dentro; e para Jesus a igreja são duas ou mais pessoas reunidas em nome Dele em qualquer lugar que se congregarem (não necessariamente num mesmo prédio, com as mesmas pessoas). Para Deus igreja não é um prédio é uma unidade de fé em certa cidade. É um movimento espiritual. Uma ação.  Uma atitude. Por exemplo: A igreja em Jerusalém, a igreja em Roma, a igreja em São Paulo, em Éfeso, a igreja em Esmirna, a igreja em Pérgamo, a igreja em Tiatira, a igreja em Sarde, em Londres, Filadélfia, em Laodicéia (Apoc. 2 em diante). A igreja em ação numa cidade, e não dentro de um prédio. Congregar com os demais cristãos em sua cidade não é pecado. O que o apóstolo Paulo admoestou aos Coríntios (I Cor. 1:12) foi não fazer partidarismos ou facções entre os irmãos de qualquer lugar. Isso é pecado (Gal. 5:19).

Aos que apenas frequentam um prédio numa congregação, são frequentadores. Não congregam, nem agregam valores. Frequentadores são presas fáceis para qualquer vento de doutrina. Em contrapartida os partidários costumam não se relacionar ou “congregar” com a igreja de Cristo, somente por causa do orgulho denominacional. Não entenderam o ensino de Jesus!

Reflita: Você só fala com os irmãos de seu prédio? Se a sua resposta foi “não”, parabéns! Vc entendeu o significado de congregar com a igreja de Cristo. O Senhor Jesus é Senhor de todos os cristãos! Se Ele é o seu Senhor (não apenas um Salvador), mas Senhor, aquele que governa você por dentro e por fora, então Ele é o Senhor do seu templo aonde você for!

Enfim, com prédio ou sem prédio, o que é relevante para a igreja é estar focada em sua missão primária, que é sair para enlevar o nome de Jesus em todas as nações da terra pelo poder do Espírito Santo, semeando a cultura do governo do céu manifestada pelos frutos do espírito. Foi assim que os apóstolos nos ensinaram. O resto é secundário, terciário, etc. E, muito cuidado com as heresias e apostasias!

Com Cristo, não existe cristão pejorativamente “desigrejado”, somente porque ele não esteja reunindo dentro de um imóvel luxuoso ou tradicional, uma vez que o significado de igreja, não é templo, nem prédio.  O que poderia soar, se houvesse respaldo, mas que não é bom se fazer, por ser um tanto pejorativo também, seria haver judeus “destemplados” ou cristãos “desibiblados”. E, como vimos no decorrer do texto, Paulo admoestava aos irmãos “desunidos” (do latim, desigrejados) mesmo dentro de uma mesma igreja, mas vamos deixar essa parte para você refletir.

As pessoas se unem ou se dividem em nome das ideologias de seus partidos políticos ou religiosos, por conta das coisas da terra, coisas temporais em defesa de seus orgulhos. Porém, o que interessa mesmo é o alinhamento do céu com a terra, o qual se dá quando o Corpo de Cristo (a igreja na terra) está se unindo ao Cabeça da igreja (Cristo, céu). É um propósito eterno. Não se trata de um sistema político e temporal de governo católico ou evangélico ou de outras crenças, mas um plano eterno de governar as nações da terra através da autoridade perpétua, benevolente e inabalável de Yeshua.

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt. 18:20).

Em nome de quem você está reunindo?

Até a próxima!

Claudinho



Claudio Santos

Claudio Santos

Fundador das Missões Adore no Brasil e da Escola do Reino. Com mais de 30 anos de vida cristã, Claudinho, além de pastor, é músico e conferencista. Tem formação em teologia, missiologia e capelania prisional. Membro do Conselho de Pastores de SP, é coordenador das Missões Adore na Amazônia. #quevenhaoteureino; #missõesribeirinhas. #missõesurbanas


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