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O verdadeiro empoderamento feminino

Um dos maiores erros cometidos no debate atual sobre o valor da mulher na sociedade se encontra em sua premissa.


O verdadeiro empoderamento feminino

Hoje é celebrado o dia internacional da mulher. Entre no Facebook e veja tudo o que você viu no ano passado: maridos postando fotos de ou com suas mulheres, mulheres escrevendo textões afirmando seu poder e força ante a toda opressão que a sociedade patriarcal lhes impõe ao longo das décadas, séculos e milênios e ainda um sem-número de poesias do Mário Quintana ou cordéis do Bráulio Bessa no programa da Fátima Bernardes. Mas será que tudo isso se conecta diretamente com a temática que esta data evoca?

Falando sobre feminilidade

Um dos maiores erros cometidos no debate atual sobre o valor da mulher na sociedade se encontra em sua premissa. Muitos argumentam com base em lutas nas dimensões da finitude humana em suas relações de horizontalidade, eximindo a participação teológica criacional da reflexão.

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Geralmente são filósofos ou cientistas sociais ateus que tentam resolver a questão pelo uso casuístico de dados de violência contra a mulher, do grau de sua representatividade política ou os números que refletem sua participação ativa no mercado de trabalho e influência no cenário político nacional.

No entanto, vejo que o melhor caminho para que entendamos o valor da mulher é fazermos aquilo que Cristo e os apóstolos fizeram toda vez que tiveram de lidar com a dialética das relações humanas: enfatizar a realidade da criação.

Deus fez homem e mulher sem pecado, sem inimizade entre si e dispostos a viver para sempre em comunhão com Ele. No exercício livre de volição, a mulher – representada por Eva – desobedeceu a ordem divina e viu a corrupção afetar sua existência. O problema não começou quando o homem do século 21 fez um post machista numa rede social. O problema começou quando o homem e a mulher do princípio do mundo resolveram se esquecer de Deus.

Porém, a Escritura nos mostra justamente no relato da Queda humana que Deus escolheu a mulher para ser a depositária da esperança da própria humanidade. Toda vez que uma criança nasce a esperança respira no mundo; e, quando uma criança foi gerada no ventre da jovem Maria, a Esperança literalmente apareceu.

A feminilidade bíblica passa pela ordem criacional até chegar na história da redenção. É na graça de Deus em Cristo que descobrimos tanto o valor da masculinidade quanto da feminilidade. Homem e mulher estão no escopo escatológico que aponta para a vida gloriosa de Cristo. Sua morte e ressurreição foram para a salvação deles.

O poder feminino vem da cruz de Cristo

A história da salvação traz luz à mente cristã que deseja uma vida saudável, que transcende a falsa dicotomia da luta de gêneros. Imagina a confusão desta sociedade brasileira! Quem é mulher e quem é homem?

Estão tentando acabar com o dia dos pais e das mães por causa de uma guerra ideológica, pois não compreendem que a vida é maior do que as sensorialidades e as carências pessoais. Pensam que a satisfação própria é a regra última de cada individualidade e, por isso, que todos devem viver as experiências mais esquisitas que o Estado utilizará o dinheiro suado do contribuinte (diga-se, eu e você) para alimentar a máquina pública que irá garantir a manutenção deste status quo confuso e sombrio de homens trans que se sentem lésbicos ou mulheres trans que se sentem gays. Ou seja, o bizarro ganhará valor inerente de uma expressão ordinária da humanidade, enquanto o natural e o conectado com a realidade criacional será tido como obsoleto e “retrógrado”.

Lamento ver pessoas indo à internet para fomentar um debate politizado num dia em que deveríamos tão somente permitir que as mulheres pudessem fazer valer seu direito de serem simplesmente mulheres.

Não nego as discrepâncias nos privilégios e direitos entre homens e mulheres – elas de fato existem – nem mesmo os dados assustadores de violência doméstica, estupro familiar, assédio sexual no transporte público, no local de trabalho etc. e outras demandas que muitas vezes tentam fazer com que a mulher perca sua dignidade inerente de imagem de Deus que ela é. O que quero apenas é mostrar que a cruz de Jesus é o que garante a efetiva e real emancipação de toda mulher que vive neste século, e que é somente pela fé nele e em sua obra que elas locupletarão suas existências.

Nenhuma mulher precisa de um homem desconstruído ou deformado da imagem de Deus pelo pecado para receber o seu valor. Todas as mulheres precisam do Homem que é Deus para lhes dizer: “Eu o sou, eu que falo contigo.” (João 4.26)

Cristo morreu por muitas mulheres que ele atrairia por seu evangelho precioso. Ele entregou sua vida por amor a essas preciosas que Deus elegeu para a vida eterna antes mesmo da fundação do mundo. Não há empoderamento feminino sem a cruz de Jesus. Não adianta berrar palavras de ordem do tipo “Fora Temer” – o que vai dignificar a mulher é sua vida sendo regenerada pelo Espírito Santo e o reino de Deus introduzido em seu coração, mudando radicalmente seus pensamentos, suas atitudes e ações, bem como sua noção de feminilidade.

Creio que este é um dia de agradecer a Deus por ter nos dado nosso Salvador Jesus Cristo para resgatar o valor da mulher na vida e na história humana. Ele, que veio de uma mulher, que fez o primeiro milagre ‘salvando’ uma noiva que já não sabia mais o que fazer com a falta do vinho, que protegeu uma adúltera de um apedrejamento com base em falsas acusações (assunto para outro artigo) – e isso sem deixar de lhe confrontar o pecado –, que tinha amigas e discípulas que se sentavam aos seus pés para ouvi-lo, que teve a companhia de muitas delas no dia mais doloroso de sua vida terrena, que apareceu primeiramente para uma mulher após sua ressurreição, é exatamente ele, que diz que, nele, não há judeu nem grego, homem ou mulher, pois ele é tudo em todos. É Jesus quem garante a beleza, a virtude, a paciência, a alegria, a esperança, a fé, o vigor, a resiliência, a proteção e a honra de toda mulher que a ele se achega com amor.

Como um homem muito bem casado, que possui uma mãe que me protege em oração até o dia de hoje, que tem uma irmã muito trabalhadora, talentosa e abençoada e tantas outras mulheres que me influenciam e me abençoam desde a infância até estes dias na vida adulta, quero desejar a todas as leitoras desta coluna um feliz dia da mulher, considerando que todo dia é dia de vocês.

Que Deus as abençoe, hoje e sempre. Amém.



32 anos, é casado com Ana Talita, bacharelando em Teologia pela Unigranrio e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, trabalha no ministério de adolescentes da Igreja Batista Betânia e no ministério paraeclesiástico e missionário chamado Entre Jovens. Recentemente publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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